Lobby pela Sputnik V

Bolsonaro quer vacina para chamar de sua e anuncia R$ 20 bi para imunizante russo que, no Brasil, será produzido por farmacêutica que tem ex-deputado federal como lobista

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O presidente Jair Bolsonaro afirmou no sábado que pretende comprar a Sputnik V caso a vacina seja aprovada pela agência reguladora brasileira. “Se a Anvisa aprovar, a gente vai comprar a Sputnik.

Tem um ‘cheque’ meu, assinado em dezembro, de R$ 20 bilhões para comprar esse material“, disse à CNN.

Na última semana, ele se reuniu com o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres. Segundo o Estadão, um dos temas da conversa foi a liberação.

Do lado dos governadores também há movimentação pelo imunizante. Na sexta, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), pediu urgência ao Senado para pautar uma proposta para acelerar a análise do uso da vacina russa no Brasil. 

A Sputnik V foi desenvolvida pelo Instituto Gamaleya. No Brasil, o governo russo primeiro tentou acordo com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e, mais tarde, firmou parceria com o laboratório União Química para produção da vacina.

A empresa tenta protocolar um pedido de uso emergencial do imunizante, mas ainda não conseguiu reunir a documentação exigida pela Anvisa, como os dados sobre a fase 3 dos testes clínicos. 

No podcast Foro de Teresina, a jornalista Malu Gaspar divulgou que a decisão tem muito a ver com o lobby da União Química, empresa que tem como lobista o ex-deputado federal Rogério Rosso, que chegou a ser apoiado por Eduardo Cunha como seu sucessor na presidência da Câmara dos Deputados.

Ainda de acordo com ela, a Anvisa chegou a avaliar que a empresa, cujo produto mais conhecido é o remédio para frieira Vodol, não teria condições para produzir um imunizante em massa.

A empresa planeja trazer dez milhões de doses da Rússia até março e produzir outras 150 milhões em 2021.

A União Química é dirigida por Fernando de Castro Marques que, em 2018, foi o candidato mais rico ao Senado, com patrimônio declarado em R$ 667,9 milhões

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