A volta das escolas

Mais de 20 estados planejam voltar com aulas presenciais para fevereiro e março. OMS recomenda que governos priorizem educação nas reaberturas

Foto: Unicef

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 2 de fevereiro. Leia a edição inteira. Para receber a news toda manhã em seu e-mail, de graça, clique aqui.

Mais de vinte estados brasileiros estão planejando o retorno das aulas presenciais entre fevereiro e março, mesmo com o vírus e suas variantes se alastrando desgovernadamente. Hoje as melhores evidências científicas apontam que, nos lugares onde as escolas reabriram, isso não teve muito impacto na circulação do coronavírus nas comunidades – um excelente webinário promovido pelo British Medical Journal na semana passada traz um apanhado dessas evidências, com especialistas enfatizando que os riscos de manter essas instituções fechadas não parecem valer os benefícios (uma de nossas editoras resumiu a conversa aqui).

A OMS tem sido categórica em recomendar que os governos priorizem as escolas e as crianças quando pensarem no fechamento e reabertura de seus serviços – com ou sem vacinação ampla. Isso porque educação é essencial e, felizmente, os estudos disponíveis apontam que as escolas representam um risco menor à comunidade do que outros estabelecimentos. Não faz sentido imaginar que, com tudo funcionando normalmente e os casos já muito altos, seriam as escolas as responsáveis por disseminar o coronavírus. Só que priorizar a educação significa justamente colocá-la à frente de tudo o que não é estritamente necessário. Aqui no Outra Saúde, entendemos que em várias cidades brasileiras o momento é o de ter medidas restritivas (inclusive lockdowns) para reduzir a prevalência do vírus na comunidade.

Mas, assim como a OMS, acreditamos que a educação deve ser vista como prioridade em qualquer plano de reabertura, a menos que novas evidências apontem para o contrário. A maior parte das crianças e adolescentes do país está há quase um ano sem aulas presenciais – e milhões delas, sem acesso à internet, estão sem aula alguma. Os efeitos disso têm sido relatados há meses, tanto para a educação formal como para a saúde mental das crianças e adolescentes (em Las Vegas, por exemplo, uma onda de suicídios de estudantes forçou a reabertura, às pressas). Se de fato assumirmos que a situação epidemológica é grave demais para a retomada das aulas, então precisamos pressionar os governos pelo fechamento imediato de bares, restaurantes, shoppings e comércio não-essencial em geral, templos e igrejas, academias, boates, salões de beleza. 

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