Gerador de tumultos

Após pressão de Jair Bolsonaro, Ministério da Saúde tira do ar nota técnica sobre direitos sexuais na pandemia

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Não era nada de extraordinário: o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica que citava a necessidade de manter, durante a pandemia, o acesso a métodos contraceptivos e aos serviços de aborto previstos em lei. Mas, não se sabe se por falha na leitura ou por mera necessidade de gerar tumultos, as redes bolsonaristas replicaram a notícia como se fosse o fim do mundo.

Então Jair Bolsonaro correu ao Twitter para dizer que o Ministério tentava identificar a autoria da “minuta de portaria apócrifa sobre aborto” e que a pasta “segue fielmente a legislação brasileira, bem como não apoia qualquer proposta de legalização do aborto“. O presidente ainda terminou os tuítes “assinando” o nome do ministro interino, como se fosse ele o autor das frases. Mas o episódio é todo tão ridículo que ele escreveu “Fernando Pazuello”, em vez de Eduardo.

Além de não ser portaria, a nota técnica também não era apócrifa, mas assinada por três coordenadores e uma diretora da Coordenação de Saúde da Mulher. Aṕós a pressão de Bolsonaro, o documento foi retirado do ar.

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