Os descaminhos do auxílio

Mais de oito milhões de filhos da classe média alta estão recebendo os R$ 600 do governo, enquanto dois milhões que têm direito ficaram de fora

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Enquanto 2,3 milhões de pessoas que deveriam receber o auxílio emergencial de R$ 600 foram erroneamente excluídas, outras 8,1 milhões estão recebendo indevidamente, segundo um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) divulgado ontem. São filhos de ricos que, não tendo renda própria, não encontraram barreiras ao fazer a solicitação.

Por um erro grave: de acordo com o ministro do TCU Bruno Dantas, ao fazer a verificação dos pedidos, o governo não levou em conta os dependentes das pessoas que declaram IRPF. Rodrigo Maia responsabilizou o Executivo pelos erros e fraudes: “Todo cadastro único sempre foi construído através dos municípios. Eles organizavam os cadastros e, junto com o governo federal, organizavam os programas sociais, principalmente o Bolsa Família. Dessa vez, o governo não quis utilizar da estrutura dos municípios. Está dando problema e espero que problemas sejam corrigidos pelos órgãos de controle do governo federal”.

Ainda não se sabe quanto tempo vai durar o auxílio. O TCU estima que, no formato atual, a prorrogação vai elevar a despesa com proteção social a R$ 379,5 bilhões este ano.

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