A garota brasileira

A história da primeira cirurgia de mudança de sexo no Brasil é também uma história de terror da ditadura daquele tempo.

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A GAROTA BRASILEIRA

A primeira cirurgia de mudança de sexo do país é o assunto desta excelente reportagem da BBC Brasil. Amanda Rossi nos leva para a década de 1970 e joga luz sobre uma história de terror da ditadura brasileira que estava completamente imersa no esquecimento até agora.

Waldirene Nogueira foi a primeira paciente a se submeter ao procedimento no Brasil, em 1971. Cinco anos depois, policiais a levariam, de noite, do interior de São Paulo para a capital com o objetivo de submetê-la a exames no Instituto Médico Legal e verificar se ela era “mulher”. Tinham mandado do Ministério Público de São Paulo que, em 1976, começou uma cruzada contra o médico que realizou o procedimento, Roberto Farina, professor da Escola Paulista de Medicina. Estaria “mutilando” homens. Os promotores Luiz de Mello Kujawski e Messias Piva caracterizaram o pioneirismo como a criação de “verdadeiros monstros” para satisfazer a uma “subversão” de “doente mental”. Enquanto isso, no resto do mundo, a mudança de sexo vinha sendo realizada com sucesso desde 1952. A despeito da comoção da comunidade científica internacional, Farina foi condenado pelo juiz Adalberto Spagnuolo a dois aos de prisão em 1978. Sua condenação foi anulada um ano depois, na segunda instância.

DICAS PARA ECONOMIZAR

Zero Hora lista seis formas de economizar na compra de medicamentos. Vai desde aplicativos especializados em pesquisar preços ao programa Farmácia Popular e às listas de remédios oferecidos pelo SUS de graça. Em abril, os preços dos remédios vão subir, em média, 2,43%. O aumento (que vai de 2,09% a 2,84%) foi autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. Segundo a Anvisa, o país gasta por ano R$ 65 bilhões em remédios – o equivalente a R$ 342 por pessoa.

NO ENCALÇO DO PRIVADO

E o Outra Saúde também tem uma dica: aproveitar o feriado para ler a entrevista do mês no Observatório de Análise Política em Saúde. Quem responde às perguntas é Ligia Bahia, coordenadora de um grupo de pesquisa que está no encalço da privatização no setor. Segundo ela, durante muito tempo se pensou que a relação público-privado na saúde brasileira era delimitada, como se houvesse um privado dentro do SUS e outro, diferente, fora do sistema:

“Depois notamos que não é bem assim. Por exemplo, várias dessas Organizações Sociais são de grupos econômicos grandes. A rede D’Or tem uma OS, o Hospital Sírio-Libanês tem uma OS, o Hospital Albert Einstein tem uma OS e essas OSs realizam outros contratos, é o contrato do contrato. Então uma OS pode contratar uma empresa de diagnóstico, que pode ser a sua própria – alguns desses grupos têm empresa de diagnóstico, outros não – mas eles contratam uma empresa de diagnóstico privada de maneira que essa tessitura, esse entrelaçamento entre o que nós estamos chamando de grupos econômicos, é muito intensa e é muito diferente do que era o processo de privatização anterior. O processo anterior era que o Inamps [Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social] comprava serviço privado, mas agora não é isso. Há um repasse de recursos do [setor] público para o privado e esse privado compra serviços privados. Então, na realidade, é um processo de intermediação bem mais sofisticado para se entender qual é esse fluxo de capitais afinal de contas”.

MENOS LEITOS, MAIS LOBBY

Valor de hoje aborda a diminuição no número de leitos e hospitais privados no Brasil. Entre 2010 e o ano passado, foram fechados 31,4 mil leitos – uma diminuição de 10%. Hoje, o país tem 264 mil leitos particulares e 145 mil públicos. No mesmo período, 1.797 hospitais privados fecharam e 1.367 foram inaugurados, num total de 4,4 mil em funcionamento. Os números são de levantamento da Federação Brasileira de Hospitais (FHB), que calcula que o “investimento” necessário para voltar à situação de 2000 é da ordem de R$ 30 bilhões. A entidade joga com o risco da desassistência no interior do país para defender uma agenda de menos impostos – “os impostos consomem 37,23% da receita”, diz o consultor da FHB, Bruno Carvalho – e reajuste na tabela SUS. “Cerca de 53% dos hospitais fechados, entre 2010 e 2017, atendiam pacientes SUS. A remuneração do governo cobre em média 40% dos custos médicos”, informa a repórter Beth Koike.

FEBRE AMARELA

O Ministério da Saúde atualizou ontem os números da febre amarela. De julho de 2017 até a última terça (27), 1.131 casos foram confirmados e 338 óbitos registrados. O G1 calculou a taxa de letalidade da doença, que está em quase 30% – menor do que no ciclo passado, quando entre julho de 2016 e a mesma semana de 2017 foram 660 casos com 210 mortes, chegando à letalidade de 60%.

NOVO ÓRGÃO?

Cientistas dos Estados Unidos divulgaram a descoberta de um novo órgão. E não qualquer órgão, mas o maior do corpo humano. A rede de cavidades de colágeno e elastina preenchida por líquido, presente entre os tecidos do corpo, foi batizada de interstício. Os cientistas a Universidade de Nova York afirmam está lá mais de um quinto de todo o fluído do organismo. Ainda não se tem 100% de certeza. Para isso, mais cientistas precisam observar o achado.

CONSUMO ASSISTIDO

Como em Portugal não tem Osmar Terra, avanços no cuidado aos usuários de drogas que parecem remotos por aqui, por lá se tornam realidade. É o caso da instalação de salas de consumo assistido em Lisboa. O país descriminalizou o consumo de drogas há 14 anos e, agora, aposta nas salas como uma estratégia de assistência multidisciplinar. “O modelo permite o consumo, mas é muito mais do que isso, tem uma resposta social. Permite uma resposta de apoio alimentar básico, serviços de higiene, apoio social, apoio psicológico, cuidados de enfermagem, sobretudo rastreios de infeções transmissíveis”, explica Ricardo Robles, vereador da capital portuguesa.

SOLIDARIEDADE

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares divulgaram nota conjunta de solidariedade à pesquisadora Sonia Fleury. Ontem, falamos aqui sobre a carta pública escrita pela pesquisadora que expõe o modo como foi demitida da FGV depois de 35 anos de casa.

AGENDA

O Conselho Nacional de Saúde organiza mobilização nacional entre os dias 2 e 8 de abril. A Semana da Saúde terá atividades em todo o país, promovidas com o objetivo de valorizar o SUS.

Os 70 anos do NHS, o sistema nacional de saúde do Reino Unido, são o mote do evento promovido pela USP no início de abril. No dia 2, a comercialização e a privatização do sistema serão abordados por Elias Kondilis e Jonathan Filippon, professores da Queen Mary University of London. E no dia 6, Kondilis fala sobre as formas de desafiar o paradigma neoliberal da austeridade e privatização na saúde e nas políticas da área durante a crise econômica na Europa.

NOVIDADE NA ÁREA

Ontem, o conselho da Universidade Federal do Rio Grande do Sul aprovou a criação do Departamento de Saúde Coletiva na Escola de Enfermagem.

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