É… Foi um péssimo feriado para a saúde

Um apanhado das notícias sobre os cortes na saúde, junto com várias outras que saíram no feriadão

Um apanhado das notícias sobre os últimos cortes na saúde, junto com várias outras que saíram no feriadão, você confere aqui em 11 minutos.

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FERIADO PÉSSIMO PARA A SAÚDE

Você provavelmente viu pelo menos alguma coisa sobre isso nas redes sociais, nas bancas, nos sites ou jornais impressos porque, durante o feriadão, vários veículos de diferentes orientações políticas noticiaram com destaque: para conseguir baixar em 46 centavos o preço do litro do diesel a mantê-lo congelado por 60 dias, o governo vai cortar gastos com áreas como saúde e educação.

Quem primeiro deu valores foi a Folha. Com base na edição extra do Diário Oficial da quarta-feira, o jornal afirmou, já na quinta, que o “fortalecimento do sistema único de saúde” perderia R$ 135 milhões.

Os cortes são detalhados no DOU: só a Fiocruz perdeu R$ 5,2 milhões; na educação, o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior perdeu R$ 55,1 milhões; programas de Ciência, Tecnologia e Informação perderam R$ 21,7 milhões. O Globo destacou perdas no Mais Médicos, no sistema de transplantes e no combate ao trabalho escravo.

Também foram afetados: saúde indígena, saúde e segurança dos trabalhadores, gestão de políticas de Juventude, políticas de enfrentamento à violência contra a mulher, programas de assistência técnica e extensão rural para agricultura familiar e de desenvolvimento de assentamentos rurais e a política pública sobre drogas, para ficar em alguns exemplos.

A Medida Provisória 838, com os cortes, foi publicada na própria quinta, dia 31. A redução nas tarifas vai custar R$ 13,5 bilhões aos cofres públicos; R$ 4 bilhões virão de reduções de impostos que incidem sobre o diesel, e os outros R% 9,5 bilhões serão de subsídios repassados pelo governo. É aí que entram os cortes orçamentários.

A repercussão veio rápido, e a Folha trouxe, no mesmo dia, algumas falas contrárias. E deu nova cifra: “Ao todo, foram cortados R$ 179 milhões em recursos do orçamento da saúde”, afirma a matéria. Gastão Wagner, presidente da Abrasco, diz que “cortar recursos implica em mortes que poderiam ser evitadas”; Leonardo Vilela, presidente do Conass, classifica como “lamentável” a medida; e Mário Scheffer, professor da USP, lembra que o cenário já é de congelamento, então “qualquer corte vai trazer um prejuízo muito grande”. A Abrasco e o Cebes se posicionaram por notas.

O Ministério da Saúde soltou uma pequena nota na sexta-feira afirmando que o orçamento da pasta não vai sofrer alteração, e que os valores divulgados fazem parte dos que já estavam contingenciados. Gleisson Cardoso, do Ministério do Planejamento, disse o mesmo. Mas, até semana passada, esses recursos ainda poderiam voltar a ficar disponíveis. Não mais.

Os efeitos mais imediatos da saúde na greve já foram mencionados nessa newsletter na quarta mas, na quinta, o Estadão fez um balanço da situação em São Paulo: “mais de 248 mil procedimentos não realizados na rede municipal de saúde de São Paulo, 30% das cirurgias eletivas de hospitais privados e filantrópicos do Estado adiadas e 20% das indústrias de equipamentos médicos paradas”.

Outro resultado da greve de caminhoneiros foi que Pedro Parente pediu demissão da Petrobras na sexta-feira. O novo presidente é Ivan Monteiro.

A propósito: em sete dias de greve, a poluição em São Paulo diminuiu pela metade.

DESMEMBRAMENTO DO IPEA?

Ele pode ser desmembrado para integrar o Instituto Nacional de Estudos sobre Segurança Pública, subordinado ao novo Ministério Extraordinário de Segurança Pública. Tudo depende do Congresso, que vai analisar a medida com urgência, diz o El País. A matéria lembra que os dados do Ipea são um “cabo de guerra” com vários governos, por muitas vezes exporem uma situação desfavorável. Daí, opositores sustentam que os dados sobre violência devem seguir sendo produzidos ali, na tentativa de garantir transparência e independência. “Os críticos se perguntam se um instituto subordinado à pasta de Segurança teria liberdade total para publicar o Atlas da Violência”, aponta a matéria.

SETOR PRIVADO

Em dez anos, triplicou o número de usuários de planos de saúde que têm franquia ou, principalmente, coparticipação. Essa é aquela modalidade em que a mensalidade é mais baixa mas, além dela, são cobrados valores à parte quando a pessoa precisa de uma consulta ou atendimento na emergência, por exemplo. A matéria de Natália Cancian, na Folha, diz que em 2007 havia 8,3 milhões de brasileiros nessa condição, e hoje são 24,7 milhões. Pela primeira vez, isso representa mais da metade do total de clientes dos planos e, entre os planos empresariais, são 36%. A reportagem fala das mudanças que devem acontecer ainda este ano: a ANS pretende estabelecer novas regras e, entre outras coisas, definir os limites a serem pagos em coparticipação e franquia. Para Mário Scheffer, para a mudança é uma tentativa de dar impulso a planos mais baratos e com menor cobertura.

E, como comentamos na semana passada, a lei das OSs completou 20 anos em maio. Essa semana foi a vez de a Folha fazer um balanço: a matéria de Cláudia Collucci fala da CPI em curso na Assembleia Legislativa de São Paulo para investigar irregularidades. Segundo um relatório do Tribunal de Contas, há 23 problemas nos serviços prestados por essas organizações e a fiscalização é falha. Apear disso, o texto diz que o modelo permite oferecer mais serviços públicos com menor custo.

FALTOU UM DETALHE

Doenças não transmissíveis, como câncer e diabetes, matam anualmente 41 milhões de pessoas – no Brasil, quase um milhão.  Aqui, diz o Estadão, o número de mortes por esse tipo de doença cresce mais rápido do que a população.

E, como se não bastasse, isso ainda custa ao SUS R$ 7,5 bilhões por ano.O jornal fala sobre uma lista de recomendações lançada pela OMS para frear essas doenças. Entre elas: maior financiamento público, ações fortalecimento da cobertura universal de saúde e ênfase em promoção e prevenção. Mas os especialistas que elaboraram as recomendações não chegaram a um acordo sobre como responsabilizar o setor privado (como a indústria alimentícia) nem sobre elevar impostos sobre refrigerantes e açúcar – apesar de a Organização ter se posicionado favoravelmente a isso dois anos atrás.

Houve polêmica. No Público, Jack Winkler, especialista em nutrição da Universidade Metropolitana de Londres, disse que o recuo da OMS é “particularmente absurdo”  em um momento de “plena epidemia de obesidade”.

Essa conversa tem tudo a ver com a publicidade da indústria de alimentos e, aqui, João Peres, do site O joio e o trigo, fala sobre o marketing voltado para crianças. Vale a pena ler o texto, que mostra como a publicidade infantil está relacionada à obesidade e a doenças crônicas, e aborda inclusive as questões legais envolvidas nesse tipo de decisão.

ORGULHO

Aconteceu ontem a 22ª Parada do Orgulho LGBTQ, em São Paulo, e a relação entre essa  população e parcelas do movimento evangélica é discutida na entrevista de Marselha Evangelista de Souza à Carta Capital. Ela expõe disputas que já estavam em jogo na Constituinte e fala da ‘cura gay’ .

ASSUNTO DE HOMEM

Em coluna na Época, Conrado Hübner-Mendes fala sobre aborto e critica a composição de um seminário organizado por Câmara e Senado para discutir a criminalização. “O requerimento foi feito por 16 parlamentares, apenas uma mulher. Na programação, dos 24 participantes na mesa, apenas seis mulheres. Do ponto de vista profissional, uma mistura de políticos, representantes religiosos e alguns juristas. Nenhum especialista em política pública de saúde, nenhum cientista. O seminário tem lado único, e esse não é o do debate franco”, aponta ele, lembrando que, em breve, vai ser feita também uma audiência pública no STF.

TABACO

No fim da semana passada foram publicadas algumas matérias sobre fumo por conta do Dia Mundial sem Tabaco (31/5).

O maior produtor e consumidor do mundo é a China, que tem um terço dos fumantes de todo o plante. A OMS estima que a taxa de fumantes no mundo caiu de 27% no ano 2000 para 20% em 2016 e, no Brasil a queda foi bem maior que a média: de 24,7% para 14%. A Organização prevê que, em 2015, só 10,3% dos brasileiros serão fumantes. Mas um levantamento da Fundação Para um Mundo Livre de Fumo (norte-americana) diz que, hoje, 72% dos brasileiros que tentam parar de fumar não conseguem.

Ele também: aos 114 anos, o possivelmente homem mais velho do mundo quer parar, mas não consegue.

VÁRIOS ENCONTROS 

O Congresso Internacional da Rede Unida aconteceu de quarta a sábado, em Manaus, com a participação de dez países. Entre os temas discutidos estavam o da migração, o da população em situação de rua e o do sucateamento de instituições de ensino e saúde.

O setor privado também evento. “Líderes da saúde” se reuniram de quinta a domingo na Bahia, para o Saúde Business Fórum, e o tema foi o futuro do trabalho. Segundo o site Saúde Business, a lição para os participantes foi que eles devem se tornar entusiastas da tecnologiaRepresentantes de empresas como Pfizer, Bradesco Saúde, Amil e Unimed fizeram reuniões de negócios e discutiram tecnologias emergentes.

E duas mil pessoas estiveram em BH para o IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), que aconteceu entre quinta e domingo. O ato de encerramento, ontem de manhã, teve tanto manifestações de apoio quanto de hostilidade: teve gente jogando ovo e até pedra, conta o Brasil de Fato.

FALANDO NISSO…

Um dossiê científico e técnico contra o Pacote do Veneno e a favor da aprovação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos foi entregue ao Congresso pela Abrasco e pela ABA (Associação Brasileira de Agroecologia). O documento sistematiza inúmeras notas técnicas já divulgadas por órgãos e entidades como Anvisa, CNS e SBPC.

E o Pacote foi tema de matéria no G1: o PL põe o lucro acima da saúde, diz, já na manchete.

ESTÔMAGO CHEIO DE PLÁSTICO

Na Tailândia, uma baleia foi encontrada passando mal e morreu na sexta-feira após vômitos e convulsões. Ela tinha mais de 80 sacolas plásticas no estômago.

SOBRE TUMORES

Sem químio: uma pesquisa demonstrou que, para 70% dos tumores de mama em estágio inicial, o tratamento hormonal é tão eficiente quanto a quimioterapia. Como causa menos danos, ele seria preferível. Testes em genes podem identificar quem se enquadra nesses 70%.

Câncer colo-retal: o número de casos aumentou nos EUA, e agora a Sociedade Americana do Câncer recomenda fazer exames a partir dos 45 anos, e não mais dos 50.

O MESMO QUE NADA

Um estudo da Universidade de Toronto analisou 179 pesquisas realizadas entre 2012 e 2017 e bateu o martelo: os suplementos vitamínicos mais usados para prevenir infarto ou AVC não funcionam para esse fim.

ARTIFICIAL

A primeira íris artificial foi aprovada semana passada pelo FDA, agência norte-americana que regulamenta remédios e alimentos.

RAIVA HUMANA

Uma criança de 10 anos morreu com suspeita da doença no Pará, nesta sexta. Sete casos foram confirmados no município de Melgaço, com seis mortes.

TOXOPLASMOSE

Segue crescendo o número de infecções no Rio Grande do Sul. A secretaria estadual de saúde notificou 1.116 casos no município de Santa Maria, e 460 já foram confirmados.

AINDA A FEBRE AMARELA

A vacinação foi estendida até 30 de junho em São Paulo.

INCÊNDIO

O segundo andar do Hemorio (Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro) pegou fogo na sexta-feira. Ninguém se feriu, mas ficaram suspensos o fornecimento de sangue para hospitais e o atendimento de emergência de pacientes do instituto. .

FOMOS INVADIDOS

Outra Saúde mal entrou no Instagram e já foi hackeado. Nossa conta foi removida por alguém com acesso à senha, então é impossível resgatá-la. Mas fizemos outra. Se gostar dessa rede, segue a gente aqui.

AGENDA

Começaram na quinta-feira as inscrições de chapas para a diretoria da Abrasco. O prazo termina dia 14.

E as atividades do pré-Abrascão acontecem nos dias 24 e 25 de julho na Uerj. Já é possível se inscrever nos cursos.

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