Dividir para conquistar

O racha no Centrão, a reforma do SUS e os planos de Maia

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A votação para a presidência da Câmara está marcada para fevereiro de 2021. E a classe política já se movimenta a toda para a disputa. Uma esclarecedora reportagem do El País Brasil informa que o Centrão está dividido. O bloco composto por nove partidos e 221 deputados tem, até agora, cinco possíveis candidatos. E três dessas candidaturas são para valer: Arthur Lira (Progressistas-AL), Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB) e Marcos Pereira (Republicanos-SP).

Lira é o favorito. Líder do Centrão, avalizou as indicações do bloco para cargos no governo Bolsonaro. Segundo apurou o repórter Afonso Benites, parlamentares o veem como uma versão 2.0 de Eduardo Cunha. “É o político do baixo clero que faz de tudo para chegar ao poder”, lhe disse um deputado. 

Só que parte do Centrão quer manter certa independência do governo. Até porque cabe ao presidente da Câmara aceitar ou não um impeachment contra Bolsonaro. Mais de 40 deles dormitam na gaveta de Rodrigo Maia (DEM-RJ) que tem repetido que não há clima para a abertura do processo de afastamento. Mas em 2021 isso pode mudar, com a crise econômica e uma possível volta dos protestos de rua.

Ontem, o racha se delineou: DEM e MDB sairão formalmente do bloco. Levam consigo 63 deputados, deixando o Centrão com um saldo de 158 membros. O afastamento enfraquece a candidatura de Lira. E consolida a influência de Maia na disputa. 

E é aí que entra uma parte da reforma do SUS. Outra Saúde apurou que a escolha da novata Margarete Coelho (PP-PI) para conduzir a redação da proposta junto aos empresários anônimos é um agrado que Maia fez a um dos candidatos que do Centrão – Aguinaldo Ribeiro – e outra tentativa de dividir o bloco.

Maia está atuando em várias frentes ao mesmo tempo.Segundo o Valorele quer costurar uma aliança com partidos da oposição para emplacar um candidato. Já de acordo com o Estadão, a “agenda social” seria uma jogada de Maia para reunir em torno de si essa base mais ampla

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