De volta ao passado

A Comissão Pastoral da Terra divulgou ontem seu relatório com os números da violência no campo. E eles não eram tão ruins desde 2003…

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DE VOLTA AO PASSADO

A Comissão Pastoral da Terra divulgou ontem os dados dos conflitos no campo em 2017. E as notícias não são boas. Os 70 assassinatos levam o país de volta para o passado: é quase o mesmo número registrado em 2003, quando a violência atingiu 73 pessoas. E um aumento de 15% em relação ao período anterior.

O Pará continua no topo do ranking, com 21 homicídios – dez deles ocorridos no massacre de Pau D´Arco. O segundo estado mais violento é Rondônia, com 17 assassinatos, seguido da Bahia, com 10.  O número de massacres aumentou e eles foram responsáveis por nada menos do que 40% das mortes registradas no ano.

Como se não bastassem os retrocessos, a CPT informa que a publicação do relatório atrasou graças a hackers que atacaram os servidores da secretaria nacional da entidade em 2017. O Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, responsável pela catalogação e compilação dos dados dos conflitos, foi prejudicado, atrasando o fechamento do texto.

MAIS SOBRE O SETOR PRIVADO

Nota sobre o episódio da Febraplan publicada na sexta (13) pelo Grupo de Pesquisa e Documentação sobre o Empresariamento da Saúde (GPDES), que integra o Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ, está disponível no site da Abrasco. Nela, os pesquisadores Ligia Bahia, Mário Scheffer, José Sestelo, Ialê Braga, Claudia Travassos, além de um dos entrevistados da reportagem da semana do Outra Saúde, Leonardo Mattos, fazem considerações sobre a atuação recente do setor privado nas políticas de saúde.

IRRESPIRÁVEL

Mais de 95% da população mundial não respira um ar seguro, e a situação é mais dramática nos países em desenvolvimento e, dentro deles, nas comunidades pobres. Um novo relatório, feito pelo Health Effects Institute, se valeu de informações coletadas por satélites para estimar o número de pessoas expostas à níveis de poluição considerados inseguros pela OMS. O resultado coloca a exposição ao ar poluído no quarto lugar na lista dos maiores riscos à saúde, atrás de pressão alta, dieta ruim e fumo.

O abismo entre o ar mais limpo e o mais poluído do planeta aumentou 11 vezes desde 1990. Além disso, uma a cada três pessoas está exposta à poluição não só fora de casa, como dentro. A estimativa é que seis milhões de mortes sejam causadas diretamente pela poluição do ar.

CONTRA OS PLÁSTICOS

Foi por acidente que cientistas produziram uma enzima capaz de devorar um material para lá de resiliente: o plástico. Participam do esforço de aperfeiçoar a descoberta a ponto de que seja usada em larga escala, evitando a poluição, cientistas da Unicamp. Ontem, o estudo que conta os detalhes da investigação foi divulgado, informa o G1.

A expectativa de que dê certo é grande. Entre as denúncias feitas no Dia Mundial da Água este ano, um outro estudo metrificou a área do Pacífico que concentra tanto plástico que, junto, todo esse lixo equivale a três estados da Bahia. E o descarte do material nos oceanos só faz crescer: a cada ano, são jogadas 8 milhões de toneladas. A previsão é que, em 2025, a quantidade ne plásticos nos mares triplique.

CORUJÃO

Dormir tarde não só faz mal à saúde como pode até matar precocemente – e esse desfecho não depende do total de horas dormidas. Reportagem do Le Monde conta que pesquisa das universidades de Surrey, na Inglaterra, e Northwestern, dos Estados Unidos, cruzou informações genéticas e hábitos de 500 mil britânicos, revelando que os notívagos correm mais riscos de desenvolver diabetes (30%), problemas neurológicos (25%), gastrointestinais (23%) e respiratórios (22%) do que quem acorda com as galinhas. A mortalidade precoce aumenta 2% e a chance de desenvolver transtornos mentais é dez vezes maior. O estudo foi publicado no periódico Chronobiology International.

RELACIONADAS

O vírus que provoca a mononucleose pode aumentar o risco de outras sete doenças, segundo estudo divulgado ontem na Nature. O Epstein-Barr, ou simplesmente EBV, foi relacionado com enfermidades graves como esclerose múltipla, doença celíaca e até diabetes 1. E muita gente carrega o vírus: os cientistas estimam que mais de 90% da população dos países desenvolvidos têm mononucleose antes dos 20 anos. Uma vez contraído, o vírus se mantém no corpo por toda a vida.

“Assumindo que nossos resultados possam ser replicados, esta descoberta pode abrir caminho para tratamentos, medidas de prevenção e prevenção que até agora não existem”, diz John Harley, do Centro Médico Cincinnati Children, nos Estados Unidos, que coordenou a pesquisa.

CURA?

Os testes foram bem-sucedidos em camundongos e culturas de células humanas. Agora, começam os estudos clínicos que determinarão se uma nova droga é capaz de reverter os sintomas do diabetes tipo 1. Seria a cura da doença, que afeta 21 milhões de pessoas. A descrição dos resultados saiu na Nature Communications. O estudo é realizado por uma equipe internacional de cientistas liderada pelo Centro Andaluz de Biologia Molecular e Medicina Regenerativa, na Espanha.

IMUNOTERÁPICOS

Matéria de fôlego do New York Times traduzida pela Folha aborda o impacto que medicamentos que ativam com maior intensidade o sistema imunológico estão tendo sobre o tratamento do câncer de pulmão. A repórter Denise Grady segue os passos da pesquisadora Leena Gandhi, diretora de um centro de pesquisa da Universidade de Nova Iorque e uma das autoras do estudo que mostra que o uso dessas drogas combinado à quimioterapia pode aumentar a probabilidade de sobrevivência de pacientes. O tumor no pulmão é o câncer que mais mata no mundo, com 1,7 milhão de vítimas por ano. Já a terapia com imunoterápicos, por enquanto, ultrapassa o custo dos US$ 100 mil por ano.

CAFEZINHO

Pode soar contra intuitivo, mas beber café ou chá pode beneficiar pessoas com problemas cardíacos. Um estudo britânico ligou o consumo de cafeína à diminuição de arritmias e outras alterações no ritmo das batidas. A mesma pesquisa alerta que o consumo de energéticos, que contém altos níveis da substância, não é recomendável para pessoas com histórico de problemas no coração. Mas 300g de café, o equivalente a três copos, é seguro. Foram revisadas 11 grandes pesquisas, envolvendo 360 mil pessoas. Os resultados foram publicados no Journal of the American College of Cardiology.

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