De mal a pior

Crédito: Prefeitura de Belo Horizonte

Primeiro foi a extinção da rede própria de farmácias do Programa Farmácia Popular, em dezembro. Depois, a publicação de uma portaria (739/2018) que diminui os valores pagos aos estabelecimentos comerciais cadastrados na modalidade Aqui tem Farmácia Popular…

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DE MAL A PIOR

Primeiro foi a extinção da rede própria de farmácias do Programa Farmácia Popular, em dezembro. Depois, a publicação de uma portaria (739/2018) que diminui os valores pagos aos estabelecimentos comerciais cadastrados na modalidade Aqui tem Farmácia Popular, que vendem remédios subsidiados e com preços té 90% menores que os do mercado. As entidades do setor de fármacos reagiram: segundo elas, as mudanças afetam 20 milhões de brasileiros, e a Carta Capital discute o cenário.

Não vai ficar assim. Pelo menos essa é a expectativa do Conselho Nacional de Saúde, que, ontem, aprovou a recomendação para suspender a portaria. Foram feitas críticas ao setor privado (“As farmácias têm que ter responsabilidade social”, disse um dos participantes), mas sem ingenuidade (“Saúde é tratada como mercadoria”, disse outra). Segundo o SUSConecta, uma agenda de negociação conjunta, envolvendo poder público, controle social e empresas, deve ser definida em breve.

Aliás, quem esteve ontem no Conselho foi o novo ministro, Gilberto Occhi. Ele se comprometeu a debater as decisões do ministério com o controle social: “É no diálogo que vamos construir”. Veremos. [E, se você ainda não leu, veja aqui a matéria do Outra Saúde sobre a transição de Ricardo Barros para Occhi]

CRESCE POBREZA EXTREMA

A constatação é de um levantamento feito pela LCA Consultores a partir de dados do IBGE: entre 2016 e 2017, o número de pessoas que vivem na pobreza extrema saltou de 13,34 milhões para 14,83 milhões no Brasil. A miséria cresceu em todas as regiões do país, e o economista da LCA entrevistado pelo Valor diz que havia a expectativa de a retomada econômica melhorar esses números no ano passado, mas isso não aconteceu. A diminuição dos empregos com carteira assinada estaria na raiz do aumento.

Por falar em emprego, saiu a Lista Suja do trabalho escravo, que estava desatualizada desde 2014, quando um empregador questionou  sua legalidade. Este ano, ela vem com 34 novos nomes, num total de 166 empregadores.

TRABALHADORES INTOXICADOS

Duas vezes em um mês. Em março, 21 trabalhadores rurais vinculados à empresa Pioneer Sementes (do grupo DuPont) se intoxicaram em uma lavoura de soja e, nesta quarta, 14 passaram mal. O pior foi que, dessa vez, eles não foram levados a unidades de saúde: esperaram duas horas por uma van que os levou ao prédio da empresa, e lá receberam o atendimento médico. O Correio Braziliense cita uma nota da Pioneer onde ela afirma que “a saúde dos funcionários é sua prioridade número um”.

“ENTREGAM NOSSOS RIOS”

Tem uma entrevista que vale a pena ler com calma na IHU-Unisinos. A professora e pesquisadora da Universidade Federal do Pará, Simone Pereira, fala sobre os efeitos da mineração em Barcarena, que vem sendo afetada desde muito antes do recente escândalo com a Hydro Alunorte. Ela acompanha de perto essa situação. Já participa há tempos de análises das águas dos rios e conduziu o estudo que encontrou, nos cabelos dos moradores, elementos como chumbo, alumínio e fósforo em níveis muito acima das referências mundiais.

“Os moradores reclamam muito que, quando vão tomar banho, acabam com coceira no corpo. Imagine, é soda cáustica e ácido sulfúrico, duas substâncias que temos de um lado e de outro. Com isso, muitas pessoas estão perdendo o cabelo, várias estão com problemas de pele, muitas crianças e idosos estão com a saúde debilitada. É uma situação terrível que está acontecendo aqui e que vem acontecendo ao longo de 20 anos”, diz ela.

FUGINDO PARA O SUS

Em 2017, mais dez mil brasileiras que tinham planos de saúde deram à luz em hospitais públicos. E, enquanto no setor privado as cesarianas são campeãs, no SUS essas mulheres tiveram outro destino: 6,2 mil tiveram partos normais. A informação vem de Daniel Brunet, no Globo. E ele completa que, também no ano passado, beneficiários de planos privados foram responsáveis por 532,5 mil atendimentos na rede pública.

FEBRE AMARELA

Os números foram atualizados pelo Ministério da Saúde: já são 1.127 casos e 331 mortes. O alerta é para a baixa cobertura vacinal nos estados do Rio, Bahia e São Paulo. Apesar de a meta ser atingir 95% da população, só 40,9% da população-alvo foi vacinada no Rio, 55% na Bahia e 52,4% em São Paulo. Ao todo, falta vacinar 10 milhões de pessoas.

E pode ser mais fácil descobrir se alguém que tomou a vacina e adoeceu assim mesmo foi, afinal, vítima da febre amarela ou da própria vacina (os sintomas dos efeitos adversos são idênticos aos da infecção natural pelo vírus). Pesquisadores da Fiocruz desenvolveram uma inovação em diagnóstico molecular que dá mais precisão e agilidade ao processo. Diferenciar é importante para o controle da doença e a vigilância da circulação do vírus.

SÓ ANO QUE VEM

A vacina contra dengue que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantã, com previsão de começar a ser distribuída este ano, vai ficar para 2019. A matéria do Estadão conta que, embora já haja dados sobre a sua segurança, a eficácia ainda não conseguiu ser testada. A notícia é ruim, mas pelo menos a causa é boa: é que não se conseguiu testar a eficácia justo porque o número de casos caiu muito, então a exposição dos participantes do estudo à doença ficou menor.

A farmacêutica privada Sanofi tem uma vacina já disponível mas, com ela já no mercado, se descobriu que ela não deve ser tomada por quem nunca teve a doença, pois as chances de infecção aumentam. Sua eficácia é de 66%.

CÓLERA

O surto em Malawi, que começou em novembro, já matou 30 pessoas e mais de 800 estão doentes. A cólera ainda mata milhares de pessoas ao redor do mundo todos os anos, diz a CNN.

DEPRESSÃO

Nem todo mundo responde bem aos remédios contra depressão, e cientistas acreditam ter encontrado um jeito de descobrir, antes de começar o tratamento, quais pacientes vão ou não responder bem, monitorando certa região do cérebro. Os detalhes estão aqui.

E, no futuro, a depressão talvez não seja só um problema de gente como a gente: o neurocientista Zachary Mainenl acredita que inteligências artificiaispodem vir a ter depressão também.

TÁ NO FLUXO

O programa federal que vai usar R$ 1 bilhão para formar agentes comunitários de saúde e de endemias em uma área que não é a sua – o curso técnico em enfermagem – é analisado nesta entrevista com Márcia Valéria Morosini, professora e pesquisadora da Escola Politécnica da Fiocruz. Ela mostra como o programa se articula a outras ações do governo federal, que já há algum tempo afetam a atenção básica e o trabalho dos agentes.

MANCADA

Ontem divulgamos uma matéria do Estadão que falava sobre a distribuição de testes para detectar HIV pela saliva, mas que num primeiro momento estaria restrita a homens que fazem sexo com homens. Uma leitora nos lembrou que o recorte não faz sentido, já que a Aids não atinge só esse grupo e nem se usa mais a expressão “grupo de risco”.

 

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