Água para quem?

Foram ao menos 172 conflitos pela água no ano passado e, em Correntina, na Bahia, eles são uma realidade há décadas. Enquanto a população sofre com a escassez, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) concedeu a uma fazenda o direito de usar 106 milhões de litros de água do Rio Arrojado por dia…

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ÁGUA PARA QUEM?

Foram ao menos 172 conflitos pela água no ano passado e, em Correntina, na Bahia, eles são uma realidade há décadas. A reportagem da Articulação Semiárido Brasileiro conta que, enquanto a população sofre com a escassez, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) concedeu a uma fazenda o direito de usar 106 milhões de litros de água do Rio Arrojado por dia. A matéria contextualiza a situação da cidade, que está dentro do Matopiba, um projeto governamental de incentivo ao agronegócio envolvendo parte dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia e todo o estado do Tocantins.

E as águas minerais de Caxambu e de Cambuquira (MG), que, segundo o Intercept, são duas das mais premiadas do mundo, foram entregues pelo poder público a uma empresa “sem nenhuma experiência no setor, especializada em tratamento de piscinas e caixas d´água”.  Diz a matéria: “A preocupação é de que as fontes se esgotem em pouco tempo com uma possível superexploração, a exemplo do que aconteceu em outras cidades que fazem parte do Circuito das Águas de Minas. Foi o caso das águas de São Lourenço, exploradas pela Nestlé, e das fontes secas de Lambar, também no Sul de Minas, afetadas, segundo o Ministério Público, por ‘licenciamentos mal efetuados, falta de fiscalização e de estudos técnicos, sendo evidente a responsabilidade do empreendedor'”.

A CULPA NÃO É DO SEU CHUVEIRO

Não se culpe. Quem mais consome água no Brasil é a agricultura, responsável hoje por 77% do consumo. Depois vem a indústria de transformação, com 11%, e as atividades de água e esgoto, com apenas 7,5%. Em entrevista aoIHU-Online, o economista do IBGE Michel Lalip comenta os primeiros resultados da pesquisa Contas Econômicas Ambientais da Água, que ele coordena.

“Chegamos ao cálculo de que cada pessoa usa 108,4 litros por dia a partir de informações do ano de 2015. A OMS já publicou que é razoável que cada cidadão tenha de 50 a 100 litros de água por dia a seu dispor para poder fazer suas atividades básicas, como higiene, entre outras. Então, estamos um pouco acima dessa margem, mas o número é razoável”, diz ele. Leia mais aqui.

TEM QUE PAGAR

O Ibama multou a mineradora Anglo American em R$ 72 milhões pelos dois vazamentos que aconteceram em março. Quase mil toneladas de minério de ferro foram despejadas na região de Santo Antonio da Grama (MG).

DUROU POUCO

Faz dois anos que as Américas foram declaradas livres de sarampo, mas hoje ele já está de volta em 11 países diferentes. Na Venezuela já foram identificados mais de mil casos, há exportação confirmada para Equador e Colômbia e a OMS alerta para a proliferação da doença na fronteira com o Brasil, diz o Estadão. Aqui já são 316 casos suspeitos, sendo 213 em Roraima e 103 no Amazonas. Mas a recomendação não é a de fechar as fronteiras, e sim de vacinar as populações em risco (incluindo o pessoal que atua na saúde), colocar reservas de vacinas nas regiões de risco e dar um gás no monitoramento.

CRECHE NA SAÚDE

A sanitarista Ligia Bahia escreveu, no Globo, sobre o jogo político em torno do SUS, e avaliou a ideia do novo ministro da saúde, Gilberto Occhi, de usar prédios de unidades de saúde como creches. “São iniciativas caracterizadas pela desistência de cumprir o que está previsto na Constituição, se livrar das reclamações de prefeitos e secretários de Saúde, que estão às voltas com prédios construídos que não funcionam ou estão semiocupados, e obter apoio empresarial para alavancagem de carreiras parlamentares ou postos mais altos no Executivo”.

SOBRE A MORATÓRIA

O diretor da Faculdade de Medicina da USP, José Otávio Auler Junior, afirma que a suspensão dos novos cursos de medicina é “dramática”, mas necessária, e deve ser acompanhada pela avaliação dos cursos, alunos e egressos. Ao Jornal da USP, ele sustenta que muitas faculdades não têm um critério de formação, corpo docente qualificado nem locas adequados.

UM VIGIA DENTRO DE VOCÊ

Pesquisadores da Universidade de San Diego, na Califórnia, desenvolveram um chip para ser implantado sob a pele e monitorar o consumo de álcool no longo prazo. A ideia é que ele possa ser usado em quem frequenta programas de tratamento de abuso da substância, conta o G1.

DE CABEÇA BOA

Sabe a ideia de que só produzimos neurônios enquanto jovens? Parece que as coisas não são bem assim. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Columbia examinou amostras cerebrais de 28 pessoas, de 14 a 79 anos, que morreram subidamente. E viram que os idosos haviam produzido há pouco tempo tantos neurônios quanto os adolescentes.

IDOSOS E MACONHA

Uma pesquisa ouviu duas mil pessoas entre 50 e 80 anos nos Estados Unidos e descobriu que a maioria (o G1 não dá a porcentagem exata) acredita nos benefícios da maconha para o alívio da dor, para melhorar o apetite e controlar a ansiedade, e 70% consideram a hipótese de consumir cannabis se tiverem um quadro para o qual ela prometa alívio. Mas 60% são contra o uso sem controle médico.

APÓS O PARTO

Em coluna na Folha, a psicanalista Vera Iaconelli comenta a depressão pós-parto, um problema que seria “subdiagnosticado quando ocorre, e superdiagnosticado, quando não — um verdadeiro feito”. Ela afirma que a palavra mais adequada para descrever o remanejamento de arranjos da vida de uma mulher, com perdas e ganhos, não é depressão, mas luto, e que a medicação é importante nos casos de depressão propriamente dita, mas tem sido usada indiscriminadamente.

NÃO É COISA DA IDADE MÉDIA

Não estamos falando de conjuntura sócio-política, mas da sífilis, que tem aumentado em todo o mundo e atinge 5,6 milhões de pessoas por ano. A BBC informa que, no Brasil, os casos aumentaram 27,9% entre 2015 e 2016.

NÚMEROS DA GRIPE

Nos últimos 20 dias, o número de mortes por gripe no estado de São Paulo quase dobrou: eram seis, agora são 11. Em todo o ano, foram 200 óbitos, sendo metade (99) relacionados ao subtipo H3n2. A campanha de vacinação em São Paulo começa no dia 23 e pretende imunizar 12 milhões de pessoas.

O H3N2 é o vírus que provocou surto nos Estados Unidos e infectou mais de 47 mil pessoas.  No Brasil, são 13 estados com 57 casos de síndrome respiratória aguda grave causada por ele. “Não podemos falar que vamos ter [o H3N2] exatamente da mesma maneira [no Brasil], lembrando que há um inverno muito mais intenso na América do Norte. Estamos em um país tropical, ainda não esfriou, mas estamos em mundo globalizado”, disse ao Zero Hora a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, Regiane de Paula.

NOVOS MEDICAMENTOS

A Anvisa aprovou ontem o registro de um novo medicamento para leucemia, que deve ser usado junto com a quimioterapia. O Rydapt inativa mutação em um gene que leva à doença. O registro do medicamento no Brasil é da Novartis, mas ele é produzido pela Catalent Germany Eberbach Gmbh.

E o Brasil foi o primeiro a liberar um  tratamento com daratumumabe para pacientes com mieloma múltiplo e que não podem ser submetidos a transplante de células-tronco autólogo (quando quem doa é a mesma pessoa que recebe). Quem produz é a Janssen, da Johnson & Johnson.

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