Brasil abre mão de R$ 283 bi

Só este ano, o Brasil vai perder 283 bilhões de reais em isenções fiscais, que basicamente beneficiam empresas. O valor supera a soma dos gastos em saúde (131,4 bi) e educação (107,5 bi), segundo a Carta Capital…

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FORA DE LUGAR

Só este ano, o Brasil vai perder 283 bilhões de reais em isenções fiscais, que basicamente beneficiam empresas. É um valor alto, que inclusive supera a soma dos gastos em saúde (131,4 bi)  e educação (107,5 bi), segundo a Carta Capital. A matéria informa que a maior parte das desonerações vai para micro e pequenas empresas, com isenções de 80,6 bilhões, ou 28% do total. As deduções com Imposto de Renda de Pessoa Física somam 27 bilhões, e as entidades sem fins lucrativos são desoneradas em 23 bilhões.

Quanto às micro e pequenas empresas, o economista Fernando Gaiger, pesquisador do Ipea, alerta para o fato de que o faturamento anual é de até 4,8 milhões de reais: “É um limite altíssimo, a garantir privilégios a quem não precisa”. Ele diz também que empresários “estão isentos da tributação sobre os lucros e dividendos”, e ainda que entidades muito lucrativas, como casas de repouso para idosos com altas mensalidades, se passam por filantrópicas. “Esse conjunto mal formatado de renúncias reforça o caráter regressivo do sistema tributário no Brasil.”, critica.

REPASSE AUMENTOU

A ANS divulgou que o repasse ao SUS no ano passado foi maior que nunca: R$ 585,41 milhões. O calote do setor privado em relação ao SUS é conhecido e discutido há muito tempo e, segundo a agência, a dívida ativa hoje chega a R$ 1,2 bilhão.

TALCO E CÂNCER

Uma batalha legal vem sendo travada por milhares de mulheres contra a Johnson & Johnson. Elas têm câncer de ovário e afirmam que isso está relacionado ao uso do famoso talco da empresa na área genital. Só que, enquanto algumas pesquisas dizem que a relação existe, outras concluem que uma coisa não tem nada a ver com a outra

De todo modo, a reportagem da CNN conta que advogados “têm mostrado a jurados memorandos internos da companhia que sugerem que a Johnson & Johnson tem ciência desse problema potencial há décadas, e não fez nada”. Outras empresas que produzem talco também estão sendo processadas (todas negam o problema), e já foram conseguidas algumas indenizações.

BICHINHOS DO BEM

Só 43% das nossas células são humanas. O resto são microrganismos, a maior parte deles nos nossos intestinos. E, diz a BBC, alguns cientistas querem se aprofundar no estudo disso para entender (e vencer) vários problemas de saúde, como alergias, obesidade, doença inflamatória intestinal, depressão, autismo e até o mal de Parkinson. Segundo esses pesquisadores, antibióticos e vacinas têm sido importantes, mas o ataque aos ‘vilões’ leva junto as boas bactérias, e por isso preocupa.

VERDADEIRAS E FALSAS

A campanha de vacinação contra a gripe começa este mês na rede pública e já começou na privada. Na Folha, uma matéria traz perguntas e respostassobre a imunização.

Ontem divulgamos aqui matérias que falavam sobre a presença do H3N2 (subtipo do vírus da gripe) no Brasil. Mais tarde, o Globo também falou sobre isso: o vírus “já é responsável pela maior parte das mortes pela doença por aqui”, diz a reportagem, afirmando que, no Rio, já são 11 casos e um óbito.

Não confundir com H2N3, que, segundo áudios de whatsapp, seria um “novo vírus”, não protegido pela vacina e que a OMS não divulga para não causar alarde. No fim da tarde, o Ministério da Saúde informou que “não existe uma cepa “H2N3” de vírus da influenza no Brasil. Essa é uma informação inverídica que está circulando nas mídias sociais. Os vírus de influenza que atualmente circulam no Brasil são o influenza A/H1N1pdm09, A/H3N2 e influenza B. A vacina contra gripe, cuja campanha inicia no segunda quinzena de abril, protege contra estes tipos de três vírus”.

Coincidência: a última edição da Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde enfatiza justamente as notícias falsas na área. Também tem artigos sobre a construção do imaginário sobre médicos em séries televisivas e o uso de aplicativos móveis no cuidado com a saúde de idosos.

DE ONDE VEM

Você sabe de onde vem a vacina da febre amarela usada aqui? Do vírus que infectou um homem chamado Asibi, que “morava na então Costa do Ouro, atual Gana, e, em 1927, tinha 28 anos”, diz a jornalista da Folha Angela Pinho. Ela conta a história do desenvolvimento da vacina – e o pouco que se sabe sobre o africano cujo sangue ajudou a conter a doença.

Em tempo: a vacina é ofertada pelo SUS, mas também pela rede privada. E o Idec descobriu que, em clínicas e hospitais particulares, o valor cobrado não é lá muito justo. Enquanto o preço de fábrica gira em torno de R$ 60, o valor da dose fica entre R$ 150 e R$ 220.

CONTESTAÇÕES

A Hydro Alunorte apresentou esta semana um laudo onde afirma que não houve danos significativos ao meio ambiente devido a seus efluentes químicos. O problema, segundo o Instituto Evandro Chagas, é que as amostras que serviram de base ao estudo não refletem o que aconteceu: foram coletadas águas superficiais e mais de um mês após o vazamento, informa o Brasil de Fato.

#EUTAMBÉM NA MEDICINA

A revista JAMA deste mês traz artigos sobre o assédio sexual na medicina, e um resumo do conteúdo está na Folha. A discussão foi levantada após uma onda de denúncias de assédio que começou nos bastidores de Hollywood.

PRIVADOS E PÉSSIMOS

Na Inglaterra, 41% dos hospitais privados estão fora dos padrões de segurança, diz um relatório da Care Quality Commission divulgado pelo Guardian.

ÉTICA

Ontem o Conselho Nacional de Saúde discutiu o projeto de lei que muda as regras para pesquisas feitas com seres humanos. Entre outros pontos, ele fragiliza o controle social. O Outra Saúde já fez uma reportagem especial sobre isso.

PELA SALIVA

Testes que detectam HIV pela saliva começaram a ser distribuídos pela prefeitura de São Paulo para homens gays e homens que fazem sexo com homens em geral. Mas ainda são em número reduzido, e uma pesquisa vai avaliar sua implementação. Quem quiser participar e acessar o exame precisa entrar em contato com este site.

FACEBOOK

Em tempos conturbados para Mark Zuckerberg, os resultados de um estudo publicados no Journal of Social Psychology indicam que sair da rede social reduz o estresse (mas também a satisfação com a vida). A pesquisa foi feita com 138 pessoas, e metade delas tirou uma ‘folga’ do Facebook por cinco dias.

AOS 64

Uma mulher de 64 anos engravidou via fertilização in vitro e deu à luz sua primeira filha ontem, em Belo Horizonte.

AGENDA

Hoje, às 8h30, o Conselho Nacional de Saúde debate a mudança nos preços dos remédios das farmácias populares. Dá pra acompanhar online, neste link.

No dia 18, tem debate sobre aborto na Fiocruz.

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