Críticas à atuação

Banco Mundial e FMI seguem receitando desregulamentação da economia e ajustes estruturais na pandemia

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O Banco Mundial anunciou na sexta a liberação de um empréstimo de US$ 1 bilhão para o Brasil expandir o Bolsa Família – hoje o programa atinge 13 milhões de famílias e seria expandido para mais 1,2 milhão.

E ontem o FMI fez um alerta de que o Brasil precisa conceder um apoio econômico maior do que o projetado para o ano que vem. A recomendação vem em meio à indefinição sobre o que fazer depois do fim do auxílio emergencial: como se sabe, há uma eterna bateção de cabeça no governo sobre a possibilidade de inflar o Bolsa Família porque o teto de gastos deve voltar a valer no ano que vem. Entramos em novembro sem uma resposta. 

No geral, tanto o FMI quanto o Banco Mundial têm dado pouco apoio aos países pobres e de renda média durante a pandemia.

E, segundo a reportagem do Financial Times, isso acontece em parte por conta das predileções dos Estados Unidos, maior acionista de ambos. O Banco exige que, para receber empréstimos, os países desregulamentem a indústria doméstica para favorecer o setor privado;  o FMI, por sua vez, prometeu emprestar US$ 1 trilhão, mas até agora só US$ 280 bilhões saíram de seus cofres. 

Em um primeiro momento, a principal ação foi a suspensão do pagamento de dívidas, o que, segundo a matéria, é um “alívio a curto prazo”: “Atrasa os pagamentos dos empréstimos, mas eles vão se acumulando sobre contas pendentes”.

O FMI já usou muito mais verba para garantir novos empréstimos do que para cobrir os custos das suspensões de dívidas; e, como sempre, preocupa-se prioritariamente em garantir que os credores sejam pagos, mesmo que para isso os países precisem fazer cortes que prejudiquem a população.

“As instituições financeiras internacionais vão deixar os países em situação muito pior do que estavam antes da pandemia. O interesse deles não é principalmente que esses países se recuperem, mas fazer com que eles voltem a contrair empréstimos”, diz Lidy Nacpil, coordenadora do Movimento dos Povos Asiáticos sobre Dívida e Desenvolvimento.

A propósito: na Folha, a diretora do Banco Mundial para o Brasil comenta, entre outras coisas, o empréstimo recém-anunciado pelo organismo. Não poupa elogios à reforma da Previdência e ao teto de gastos, que teriam dado “credibilidade” ao país.

Agora, diz ela, “a preocupação ainda é manter as reformas tanto para continuar o compromisso fiscal como para manter o crescimento da produtividade”.

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