CoronaVac, Oxford e Pfizer podem funcionar contra P.1

Segundo Reuters, dados preliminares indicam que CoronaVac e vacina de Oxford podem funcionar contra variante brasileira – mas nenhum dado foi informado. Imunizante da Pfizer demonstrou “resposta robusta”, segundo artigo do NEJM

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Mais uma vez, a Reuters traz informações sobre o desempenho de uma vacina contra a variante P.1: agora é a CoronaVac. A matéria cita uma fonte anônima familiarizada com os estudos conduzidos no Instituto Butantan e diz que foram feitos testes com o sangue de pessoas vacinadas. Não há números concretos, porém. De acordo com essa pessoa, a CoronaVac se mostrou eficaz, mas o estudo ainda vai ser ampliado para obter dados definitivos.

Na semana passada, o mesmo veículo vazou informação semelhante sobre o imunizante de Oxford/AstraZeneca. Ontem essa notícia foi confirmada por Mauricio Zuma, diretor de Biomanguinhos (unidade da Fiocruz responsável pela produção de vacinas). Segundo ele, os dados preliminares sugerem proteção contra a P.1. Mas, também nesse caso, ainda não há dados, e a Reuters diz que eles serão apresentados esta semana.

A boa expectativa em relação à CoronaVac contrasta com a que se gerou há alguns dias com a publicação de uma pesquisa que, também analisando o soro de pessoas vacinadas, apontou baixa produção de anticorpos diante da P.1. Como alertamos aqui, tratava-se de um trabalho pequeno e sem revisão de pares, e eram necessários mais estudos. Por ora, essa observação continua fazendo sentido.

E também vale sempre lembrar que os anticorpos não são os únicos responsáveis pela defesa do organismo, e que medir sua capacidade de neutralizar o vírus após a vacinação não é o mesmo que medir a eficácia dos imunizantes. Por isso mesmo, para saber se uma vacina realmente funciona são necessários os testes de fase 3. Em artigo publicado no Jornal da USP, Daniel Y. Bargieri e Silvia B. Boscardin, do Núcleo de Pesquisas em Vacina da universidade, escrevem que a CoronaVac já induzia baixos níveis de anticorpos em geral, sem ser com a P.1. Mesmo assim, na fase 3 do ensaio conduzido no ano passado, a eficácia foi comprovada.

“Portanto, a conclusão lógica é que a proteção conferida pela CoronaVac provavelmente não é mediada em grande parte por anticorpos neutralizantes. E tudo bem ser assim. Muitas vacinas que tomamos não devem ter esse tipo de anticorpo como principal mecanismo de proteção”, dizem. Ou seja: embora resultados de laboratório com plasma e anticorpos sejam importantes, eles não são definitivos. 

A Pfizer também

A vacina da Pfizer passou por testes semelhantes para avaliar sua resposta às três grandes variantes de preocupação atualmente: a P.1, a B.1.1.7 (identificada primeiro no Reino Unido) e a B.1.351 (identificada na África do Sul). Um artigo foi publicado no The New England Journal of Medicine com os resultados. Segundo os autores, a resposta foi robusta em todos os casos, mas maior para a P.1 e a B.1.1.7. Contra a variante sul-africana, a capacidade de neutralização foi menor.

Destacamos que se tratou de um estudo pequeno, com o plasma de apenas 15 indivíduos. Além disso, os testes não foram feitos com os vírus ‘reais’, e sim com vírus produzidos em laboratório com as principais mutações das nova linhagens. Não analisam, portanto, o conjunto completo das mutações que há em cada variante.

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