Em março, só teremos um quinto das doses da vacina de Oxford prometidas pelo Ministério

Em reunião com governadores, Pazuello admite que, ao invés 17 milhões de doses do imunizante, só garante 3,8 milhões este mês

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Em meados de fevereiro, um acuado Eduardo Pazuello se reuniu com governadores para falar sobre números e datas da campanha de imunização, já que há tempos eles pressionavam por um cronograma. Contamos acomo as promessas do ministro da Saúde eram difíceis de cumprir. E de fato não se cumprirão, como reconheceu ontem a própria pasta.

Para o mês de março, estava previsto o recebimento de 16,7 milhões de doses do imunizante de Oxford/AstraZeneca (sendo quatro milhões importadas do Instituto Serum da Índia e 12,9 milhões produzidas na Fiocruz) e mais 18,1 milhões da CoronaVac, feitas no Butantan.

Pois bem. No caso da vacina de Oxford, a quantidade importada da Índia afinal vai ser diluída entre abril e junho, não havendo mais nenhuma previsão de chegada em março.

A Fiocruz, por sua vez, só vai conseguir contribuir com 3,8 milhões. A justificativa é que a entrega do produto “depende do cumprimento de todas as etapas iniciais de produção e requisitos de qualidade”, e que ainda estão sendo produzidos os lotes de validação. Somente depois disso é que  a produção de lotes comerciais pode começar.

O pano de fundo é o atraso no recebimento da matéria-prima, que vem da China. Claro que o Ministério da Saúde poderia ter enfatizado o quanto esse tipo de atraso é previsível. A consequência prática é que, das quase 17 milhões de doses que Pazuello prometeu para acalmar os governadores, vão faltar 13,1 milhões. Ou seja: o país só vai ter um quinto do número esperado para este mês.

No cronograma inicial, o Ministério da Saúde contava ainda com 400 mil doses da Sputnik V, que, além de ainda não ter autorização da Avisa para o uso, agora só devem chegar em abril. 

A queda só não é maior porque, em relação ao Butantan, o Ministério disse esperar agora mais doses do que as originalmente previstas: seriam 23,3 milhões. Mas é um número meio nebuloso, também. Nesta semana, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que seriam 21 milhões, e o diretor do instituto, Dimas Covas, falou em 20 mi.

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