Bolsonaro quer uma Anvisa verde-oliva

Presidente indica nome sem experiência em relgulação e que, nas redes sociais, compartilha posts contra a CoronaVac. Jorge Luiz Kormann é tenente-coronel do Exército e não tem nenhuma formação em saúde

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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Em meio às suspeitas de interferência política na Anvisa, Jair Bolsonaro resolveu colocar mais lenha na fogueira. Ontem, o presidente encaminhou ao Senado sua indicação para a diretoria da agência que fica vaga em dezembro – e hoje é responsável pelo registro das vacinas. Ele pretende colocar por lá mais um militar sem experiência em regulação e que, ainda por cima, tem compartilhado nas redes sociais seus tuítes contra a CoronaVac.

O fardado da vez é o tenente-coronel do Exército Jorge Luiz Kormann. Ele desembarcou no Ministério da Saúde em maio, no contexto da ocupação militar que buscava tutelar a gestão Nelson Teich. Em junho, já sob Pazuello, ele foi alçado ao cargo de secretário executivo adjunto, um dos mais importantes do ministério. É claro que Kormann não possui formação em saúde, mas em ‘ciências militares’

Tem mais: Kormann endossa nas redes sociais um conjunto de conteúdos problemáticos para alguém que pode acabar supervisionando a Gerência Geral de Medicamentos, como a propaganda da hidroxicloroquina. O levantamento feito pelo Estadão também concluiu que ele compartilha bastante Olavo de Carvalho e Guilherme Fiuza, jornalista que voltou sua atuação para a direita brasileira. Uma das curtidas do tenente-coronel foi dada em um post de Fiuza que afirma que lockdown não tem base na ciência, atribuindo essa decisão de prevenir o espalhamento do vírus como fruto da “parceria saudável” entre a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a “ditadura chinesa”. 

Caso não haja redistribuição de atribuições – o que a Anvisa diz ser possível depois da completa renovação na diretoria colegiada – também ficaria sob a responsabilidade de Kormann a visadíssima Gerência Geral de Alimentos, que vem sendo objeto de lobby pesado da indústria. Para assumir, o tenente-coronel precisa ser aprovado pelo plenário do Senado. Se isso acontecer, dos cinco diretores, dois serão militares. Antonio Barra Torres, atual diretor-presidente da agência, é contra-almirante da Marinha. 

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