250 mil mortes na pandemia — e tudo indica que vamos além

Brasil dobra mais uma esquina na pandemia, em meio a aglomerações e à falta de UTIs e vacinas. Se nada mudar, Universidade de Washington projeta para junho a marca das 350 mil

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O Brasil chegou ontem às 250 mil mortes causadas pela covid-19. Por coincidência, o marco foi registrado um ano depois que o primeiro paciente que recebeu confirmação para a doença no país deu entrada no hospital. Por negligência de muitos gestores – e projeto do governo federal – dobramos mais esta assustadora esquina no pior momento da pandemia no Brasil, com menos de 3% da população vacinada e diversas cidades em colapso. 

Araraquara (SP), que tem servido de alerta para o restante do Sudeste neste momento, já registrou nos últimos dois meses mais mortes causadas pelo vírus do que em 2020 inteiro. De acordo com levantamento da Folha, sete estados estão com um pico de mortes maior do que na fase mais grave da crise no ano passado. São eles: Roraima, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Paraná e Amazonas.

Especialistas não cansam de alertar para a necessidade, em vários locais, de medidas de isolamento social que sejam de fato assertivas. Tiveram mais uma decepção ontem, com o anúncio de João Doria (PSDB) para São Paulo. Com projeção de falta de vagas de UTI se o ritmo de internações se mantiver nos próximos 21 dias, o governador anunciou um “toque de restrições” que, em tese, envolve proibição da circulação no período que vai de 23h às 5h. Mas Doria chegou a dizer que quem for flagrado em uma festa ou aglomeração não será multado, apenas advertido. “No final da entrevista, não estava claro exatamente o que as pessoas poderiam ou não fazer nem se estariam sujeitas a multas caso circulassem à noite. Sem medidas que se assemelham a um toque de recolher mais duro, com a aplicação de multas a transeuntes que desrespeitarem a restrição de circulação, especialistas dizem que a eficácia será baixa”, relata o El País.

Enquanto isso, voltamos ao mesmo patamar de circulação da primeira quinzena de março, quando as medidas de isolamento ainda não tinham sido adotadas no país. De acordo com a plataforma Inloco, o isolamento estava em 32% na última terça-feira, contra 30% no dia 13 de março de 2020.  

Uma projeção do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Universidade de Washington, sugere que se as coisas continuarem como estão, o número de mortes no Brasil pode chegar a 358 mil em junho

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