Bolívia: a rebeldia ancestral de Felipe Quispe

Líder aymara encarnou a luta contra a dominação dos brancos. Da guerrilha ao Legislativo, da Guerra da Água à criação de um clube de futebol campesino e à resistência popular ao golpe, foi um incansável. Morreu mês passado, aos 78

Por principio estoy luchando y voy a seguir luchando hasta mi muerte, si es posible debajo de la tierra voy a seguir gritando”.Felipe Quispe Huanca (El Mallku), 1942-2021

A penúltima vez que o vi foi no dia 23 de janeiro de 2020, durante o aniversário da província aymara de Omasuyos (de Uma água e Suyo território, é conhecida assim por sua localização às margens do lago Titicaca), Felipe Quispe Huanca estava vestido como os milhares de ponchos rojos (ponchos vermelhos, vestimenta característica das autoridades indígenas desta região) que estavam ali presentes, um chicote branco de autoridade atravessava seu corpo e o chapéu preto tão distintivo estava posicionado sobre os cabelos grisalhos. Era quase impossível reconhecê-lo ali, só nos demos conta quando alguns jovens indianistas-kataristas1 se aproximaram de Don Felipe, cumprimentaram-no, falaram por alguns minutos e se afastaram, enquanto ele voltava para a conversa coletiva com as demais autoridades que se posicionavam em torno de um apthapi coletivo (comidas feitas por um coletivo de pessoas para serem compartilhadas durante algum evento importante) que abastecia as mãos dele com chuño (batata desidratada dos andes) e ora queijo, ora um pedaço de carne. Felipe Quispe Huanca (como gostava de ser chamado evidenciando o Huanca que herdou da mãe), foi eleito autoridade de Ajllat’a Grande (pertencente ao município indígena de Achacachi e à província de Omasuyos) durante o ano de 2020. Ele acabava de receber o “cargo” com as devidas responsabilidades coletivas que designava, dentre elas a de estar ali representando a comunidade2. E foi assim, até o último suspiro no dia 19 de janeiro de 2021, que Felipe Quispe Huanca esteve ao lado do seu povo aymara: lutando, pensando, produzindo a terra, aceitando o “cargo”3 de autoridade na comunidade, escrevendo e gritando.

Felipe ficou conhecido na sociedade boliviana como El Mallku, palavra que em aymara tem muitos significados, pode ser utilizada para fazer referência a uma grande autoridade, mas em sua tradução literal significa “condor”, a maior ave dos andes que encanta pela força e precisão dos voos, além de ser muito respeitada pelos aymaras e quéchuas como símbolo importante de suas histórias. Entre as frases conhecidas de Felipe Quispe está: “podem privatizar as montanhas, mas nós condores seguiremos voando”, evidenciando o que, mais do que uma metáfora, é uma associação ontológica de vida e de luta.

Para compreender a história deste grande líder aymara, que colocou o corpo na luta em muitos processos conflitivos da história contemporânea boliviana, é preciso voltar para o século XVIII, precisamente em 1781, ano em que o aymara Tupak Katari ao lado da companheira Bartolina Sisa fizeram um cerco à cidade de La Paz exigindo direitos aos povos indígenas, como a extinção do tributo indígena que mantinha a economia do Império do Alto Peru (território atualmente conhecido como Bolívia) explorando os indígenas, e a aniquilação das formas de trabalho especificamente indígenas como a mit’a e a encomienda.O cerco mais importante aconteceu no território onde hoje se encontra a cidade de El Alto e, ao ser capturado, Tupak Katari foi esquartejado, partes do corpo foram enviadas para os pontos indígenas mais rebeldes, como forma de amedrontá-los e impedir possíveis insurreições. O braço esquerdo foi levado para Achacachi, considerado um dos pueblos indígenas mais insurgentes, e foi lá, em 1942, que nasceu Felipe Quispe Huanca. A referência a Tupak Katari seguiria tanto nos escritos de Felipe – um exemplo é o conhecido livro “Tupak Katari, vive y vuelve… carajo” – como na luta política no movimento tupak-katarista. A famosa última frase de Tupak Katari ressoa nos movimentos políticos aymaras e quéchuas até os dias atuais: voltarei e serei milhões!

É difícil construir uma biografia exata e datada de Felipe Quispe Huanca, sobretudo porque ele foi exilado nos anos 80 (durante o golpe na Bolívia) em El Savador, Guatemala, México e outros países da América Latina (cf. Machaca Nina, 2021, p. 4) o que o colocou por muito tempo na clandestinidade. Entretanto, existem episódios que precisam ser evidenciados como a eleição para dirigente sindical agrário da comunidade Jisk’a Axariya em 1971, a eleição como Secretário de Organização da Federação Departamental Única dos Trabalhadores Camponeses de La Paz “Tupak Katari” (FDUTCLP “TK”) em 1984 e como Secretário de Relações Internacionais da Central Obrera Boliviana em 1986 (QUISPE, 1999). Ainda em 1978 foi um dos fundadores do Movimiento Indio Tupak Katari (MITKA), após a dissolução dos governos militares e dos conflitos com o coronel Hugo Banzer, sobre isso o intelectual aymara Carlos Macusaya evidenciou em suas redes sociais no dia 24 de janeiro um documento do MITKA4 que colocava a possibilidade de um Estado Plurinacional em debate (cf. COPA, 1978), o que desmistifica as leituras de que a Plurinacionalidade é uma proposta proveniente do Movimiento al Socialismo (MAS). Sustentando, em todos estes momentos, o compromisso com a nação aymara e com a luta antirracista e anticolonial, e carregando os símbolos aymaras como a bandeira multiquadriculada Wiphala. Para o filósofo e ex-membro do Grupo Comuna, Raul Prada Alcoreza5, as ideias de Felipe Quispe Huanca foram influenciadas tanto por Tupak Katari, como uma “memória longa vinculada com a memória singular e particular de Felipe”, quanto por Fausto Reinaga (1906-1994, quéchua-aymara e um dos fundadores do movimento indianista) que, segundo Prada, é um “filósofo descolonizador adjacente e coincidente com Frantz Fanon”. A influência de Reinaga se expressou na fundação do Partido Índio e nas ideias de textos como La Revolución India (1971) que lê o país dividido em dois: A Bolívia dos q’aras6(brancos) e a Bolívia dos índios.

Em 1986, El Mallku criou a Ofensiva Roja de los Ayllus Tupakataristas, mais conhecida como Ayllus Rojos, movimento que defendia uma revolução indígena por meio da revolta armada. O livro que seria lançado anos depois (“Tupak Katari vive y vuelve… carajo”, 1988)traz alguns elementos referenciais que explicam o vínculo de Felipe com a luta armada, especialmente com a figura de Diego Quispe, militante aymara das frentes de Tupak Katari no século XVIII, que propôs a Guerra Comunaria de Ayllus, mais tarde capturado, esquartejado e incinerado pelas tropas espanholas. Nas palavras de Felipe Quispe Huanca:

Mas, com esquartejar e incinerar os corpos de nossos avós, a única coisa que fizeram foi espalhar ainda mais a rebelião índia. Por isso, com valor e coragem, o devotado combatente Diego Quispe homenageou com seu malfadado corpo e brindou a Pachamama cósmica com seu sangue vermelho vivo, para que servisse de fertilizante e se tornasse a semente da Insurreição Vermelha de Ayllus “Tupakataristas” (2007 [1988], p.13. Tradução minha)

As análises de Felipe Quispe Huanca demonstram a inter-relação entre luta política e espiritualidade aymara, o vínculo com a Pachamama, o respeito aos achachilas e às awichas (respectivamente em aymara: avôs e avós. São montanhas que fazem parte do parentesco aymara e recebem atribuições antropomórficas) fizeram parte de seus discursos até o fim de sua vida.

No fim dos anos 1980 e começo dos anos 1990, Felipe Quispe Huanca foi parte do conhecido Ejército Guerrillero Tupak Katari (EGTK), movimento de guerrilha armada urbana e rural (inspirada nos movimentos de Tupak Katari em 1781), ao lado de “celebridades políticas” como o ex-vice-presidente Álvaro García Linera (com quem Felipe teve conflitos posteriores), o irmão de Álvaro, Raúl Linera, e a intelectual mexicana Raquel Gutiérrez. Devido a uma falha estratégica, em 1992 os dirigentes foram capturados e Felipe foi preso acusado de levantamento armado contra o Estado Boliviano. Durante uma entrevista feita pelos meios de comunicação bolivianos antes de sua prisão ele respondeu à pergunta “Por que vocês fazem isto?”, feita pela jornalista branca-mestiça Amalia Pando, ele levantou os olhos e exclamou: “Eu não gosto que minha filha seja a sua empregada”, aquela resposta ressoaria nos olvidos da classe branco-mestiça boliviana por décadas e, ressoaria também, na mente dos jovens aymaras rurais e urbanos que viram aquele personagem responder com tanta segurança, utilizando um chullo (touca andina colorida de duas pontas), com a cabeça erguida e olhando fixamente nos olhos dos entrevistadores brancos.


Felipe Quispe Huanca (1992) respondendo à pergunta de Amalia Pando (do vídeo publicado pelo Colectivo Jichha

Esta e algumas outras frases de Felipe foram analisadas por Raul Prada Alcoreza (cf. nota 5) como uma “inteligência que alcança estabelecer frases sintéticas, figuras sintéticas, que expressam todo o conteúdo político interpelador do movimento indígena”, esta inteligência de comunicação estruturada por Felipe Quispe Huanca possibilitava diálogos entre setores intelectuais aymaras e a população aymara rural e urbana que não tinha acesso à história escrita.

El Mallku permaneceu por cinco anos na prisão e, ainda encarcerado, foi eleito secretário-geral da Confederação Sindical Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB), organização sobretudo dos movimentos indígenas camponeses do planalto boliviano. Foi como responsável da CSUTCB que Felipe Quispe Huanca atuou em 2000 nos bloqueios de caminhos e na interrupção do abastecimento de produtos agropecuários à cidade de La Paz (em especial os provenientes de Omasuyos, como explica Ximena Vásquez, 2021), tais movimentos criticavam o processo de privatização dos recursos hídricos na Bolívia proposto durante o governo de Hugo Banzer. Mais tarde, em 2003, Felipe Quispe Huanca participou das revoltas contra o governo de Gonzálo Sanchez de Lozada, escrevendo um diário que seria publicado posteriormente com o título “La caída de Goni: Diario de una ‘huelga de hambre’”7, texto que apresenta categoricamente em datas a organização dos movimentos indígenas naquele período e da greve de fome da qual ele participou na Rádio San Gabriel, El Alto. Durante estes movimentos ele usou sua inteligência dialógica para associar elementos da vida rural indígena nas comunidades com a construção de estratégias políticas, um exemplo foi o “plano pulga” que consistia em atuar como as pulgas, com o objetivo de asfixiar o governo com diferentes pontos de bloqueio e não apenas nas rodovias principais. Foi, também, eleito deputado nacional em 2002 pelo Movimiento Indígena Pachakuti (MIP) criado por ele em 2000. Em 2004 Felipe Quispe Huanca renunciou à Câmara Legislativa, acusando-a de corrupção e desacreditado da via eleitoral como instrumento de mudança.

Em 2004, Felipe Quispe Huanca fundou, junto à CSUTCB, o time de futebol Club Deportivo Pachakuti, composto por aymaras camponeses o que, para ele, reafirmava a importância de que os aymaras ocupassem todos os espaços possíveis. Foi, também, professor da Universidad Pública de El Alto (UPEA) no curso de História, onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa.

***

A última vez que o vi foi durante as mobilizações de agosto de 2020 que tomaram as ruas da cidade de El Alto contra o governo provisório de Jeanine Añez e em favor de novas eleições8. Como autoridade indígena da comunidade de Ajllat’a, assumiu as determinações dos Ponchos Rojos e marchou com eles até a cidade de El Alto, visitando e fortalecendo todos os pontos de bloqueio sendo, posteriormente, eleito como comandante maior dos bloqueios. Felipe Quispe Huanca, com seus 77 anos, caminhou pelas ruas de El Alto com seu poncho vermelho e o chicote de autoridade, apoiando a luta do povo aymara contra o racismo propagado pelo governo provisório, reavivando a chama tupakatarista dos Ayllus Rojos.

Apoiou, sobretudo, a candidatura de David Choquehuanca (atual vice-presidente da Bolívia pelo Movimiento al Socialismo), ainda que sustentasse uma perspectiva crítica ao MAS desde as primeiras eleições em que Evo Morales foi candidato. O apoio a Choquehuanca vem de uma relação de anos, que pode ser representada, entre outras coisas, nos agradecimentos do livro “El indio en escena” (1999) ao apoio econômico de David Choquehuanca para a publicação da obra.

Felipe Quispe Huanca assumiu a candidatura para as eleições subnacionais para a governação de La Paz, pelo partido Jallalla La Paz, eleições que acontecerão em março de 2021. Obteve o apoio de Eva Copa9, ex senadora do Movimiento al Socialismo que deixou o partido MAS por não obter aprovação em sua candidatura para a prefeitura da cidade de El Alto. Diversos movimentos indianistas-kataristas de jovens aymaras auxiliavam na campanha eleitoral de Felipe e Eva quando souberam a triste notícia do falecimento de Felipe Quispe Huanca, no dia 19 de janeiro. A família informou que o motivo da morte foi uma parada cardíaca, no entanto algumas fontes próximas a Felipe disseram que ele foi infectado pelo novo coronavírus; independente do motivo, esta foi uma perda irreparável. O corpo de Felipe Quispe Huanca, El Mallku, foi velado na cidade de El Alto no cholet (salão de festa que representa uma arquitetura moderna aymara com influência Tiwanakota) Felicidad da zona 16 de Julio. Milhares de pessoas foram dar o último adeus ao Mallku e choraram sua partida deste plano, entre músicas de sikureadas e prantos Eva Copa se abraçou com David Choquehuanca, demonstrando a responsabilidade com a luta aymara que ambos compartilham, ainda que em partidos diferentes.

O cortejo fúnebre que levou o corpo de Felipe Quispe Huanca até a comunidade em Omasuyos foi acompanhado por muitas pessoas: intelectuais, camponeses, indígenas urbanos, militantes, todos compartilhando o sofrimento daquela partida. As wiphalas tremulando nas ruas, das janelas das casas alteñas, como sinal de respeito ao cóndor dos Andes que se despedia. O corpo de Felipe Quispe Huanca será semente de luta, florescerá nos jovens aymaras que se inspiraram na trajetória dele, na herança que ele deixou para o Coletivo Curva de jovens aymaras, para o Coletivo Jichha e para o Movimento do Nacionalismo Aymara, representado, dentre muitas pessoas, por Briseida Nina Quispe, mulher aymara, combativa. Felipe Quispe Huanca fará o caminho até o Wiñaymarka (comunidade eterna), lá encontrará com os avôs que o guiaram em vida, e de lá será sendero para os que ainda lutam neste plano. Jallalla Jach’a Mallku! (Que viva o grande condor!)

Túmulo de Felipe Quispe Huanca em Omasuyos. Foto: Roger Adan Chambi Mayta

Notas:

1 Movimento político que uniu as preocupações das lutas indianistas dos anos 1970 e das lutas kataristas mais campesinistas dos anos 1980, ambas linhas políticas que criticam o racismo histórico da sociedade boliviana contra os povos racializados (indígenas).

2 Segundo a apresentação do autor Felipe Quispe Huanca na primeira edição do livro “El indio en escena” (1999), Ajllat’a foi a comunidade onde ele nasceu no dia 22 de agosto de 1942, filho de Gavino Quispe Cayllante e Alejandra Huanca Macías.

3 Nos Ayllus andinos (comunidades indígenas que contemplam territórios, pessoas, animais, seres sagrados e tudo o que faz parte da paisagem) a passagem das responsabilidades como autoridade acontece anualmente, a partir de uma lógica de rotatividade (conhecida como muyu) que abarca todas as famílias que são parte daquele território, cada ano uma família fica responsável pelos cargos políticos, estas não recebem remuneração e ficam à disposição das necessidades coletivas. Esta é uma responsabilidade inevitável para as pessoas que procuram ser parte do coletivo.

4 Felipe Quispe Huanca se desvinculou do MITKA quando este movimento assumiu uma via mais eleitoral durante as eleições gerais de 1978-1980.

5 Conferir entrevista em: https://www.facebook.com/rosario.aquim/videos/10158976168441552/

6 A palavra q’ara foi utilizada pelos indígenas no processo de colonização para se referir aos brancos que chegavam, significando especificamente “pelados”, uma vez que eles chegaram nos territórios do Tawantinsuyo (conhecido como Império Inca) com as mãos vazias.

7 Neste livro, Felipe Quispe Huanca evidencia a importância de colocar o corpo na luta a partir do mapuche-huilliche Héctor Llaitul: “A eficácia das greves de fome pode ser maior ou menor, dependendo das circunstâncias. Mas, devemos primeiro considerar que, em nossa situação, o corpo é um instrumento de luta que devemos usar. Em segundo lugar, o que é inegável é que essas ações transformam a cadeia e a prisão política também em um espaço de luta pela libertação mapuche” (QUISPE, 2013. tradução minha)

8Sobre isto ver Gonçalves e Chambi (2020), disponível em: https://iela.ufsc.br/noticia/emergencia-social-na-bolivia-durante-pandemia-o-que-querem-os-manifestantes-e-bloqueadores

9 Eva Copa tem um histórico interessante como mulher aymara alteña, ex representante discente da Universidad Pública de El Alto. Sobre isso ver o texto de Maria Galindo sobre Eva Copa, disponível em: https://www.lavaca.org/notas/eva-por-maria-galindo/


Referências:

COPA, Isidoro. Movimiento Indio Tupaj Katari – Blog Carlos Macusaya. Disponível em: https://carlosmacusaya.blogspot.com/2017/04/expone-movimiento-indio-tupaj-katari.html?fbclid=IwAR1dMxBL3WzkOls-ML7nfVploAgRQrIociL_vOl1TLhzVIkbeuKCdYdymSA

MACHACA NINA, J. L. Luces y sombras de Felipe Quispe Huanca. Las peculiaridades del Mallku. Periódico Pukara, n. 174, febrero de 2021, pp. 3-7.

QUISPE, Felipe. Tupak katari vive y vuelve… carajo. Ediciones Pachakuti: La Paz, Bolivia, 2007 [1988].

VÁSQUEZ, Ximena. Felipe Quispe Huanca: Uma vida plena. Periódico Pukara, n. 174, febrero de 2021, pp. 10-12.

Deixamos aqui alguns links para acesso aos trabalhos de Felipe Quispe Huanca:

El indio en escena (1999): http://jichha.blogspot.com/2014/11/el-indio-en-escenade-felipe-quispe.html

La caída de Goni: Diario de una “huelga de hambre” (2013): http://jichha.blogspot.com/2021/01/la-caida-de-goni-diario-de-una-huelga.html

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