Diário: grande ato pela educação

Os estudantes realizam grandes manifestações em todo o país no 30 de maio 2019. Em São Paulo, uma das maiores.

Foto: Alice Vergueiro

Cheguei no Largo da Batata pela estação Faria Lima do metrô. Eram 14h e o ato estava chamado para as 16h-17h. Segui até o ateliê de A, para ajudar a montar o pedalão.

O Largo estava bem vazio ainda, só vendedores armando suas barracas. Muitos tiozões e tiazinhas com adereços Lula Livre. Temi que fosse ser um fracasso: as chamadas não pareciam ter sido intensas e não chegaram muito à minha bolha ou do meu entorno, especialmente professores. Seria muito frustrante, por exemplo, ter menos gente que os bolsonaristas na Paulista. Cidades como Salvador já davam presença boa, mas não ainda decisiva, pela manhã.

O MEC tinha soltado nota de manhã proibindo atividade em favor da defesa do orçamento da educação: “Com isso, professores, servidores, funcionários, alunos, pais e responsáveis não são autorizados a divulgar e estimular protestos durante o horário escolar. Caso a população identifique a promoção de eventos desse cunho, basta fazer a denúncia pela ouvidoria do MEC por meio do sistema e-Ouv.” Além disso, o ministro Weintraub divulgou bizarro vídeo onde aparece, ao som da canção “Dançando na Chuva”, com um guarda-chuva ao lado de uma bandeira do Brasil. Referiu-se à “chuva de fake news” sobre as verbas destinadas à reconstrução do Museu Nacional.

Foto: Marcos Muzi

O pedalão é um veículo com 10 lugares para 10 ciclistas que pedalam juntos e impulsionam o veículo. Instalamos umas fitas luminosas de LED, um gerador com caixa de som e canhão de fumaça. Pintamos uns 10 cartazes com frases relativas à educação para acompanhar ao lado ou pendurar no pedalão.

R chegou fantasiado de O Mundo de Beakman, mas no contexto atual do Terraplanismo!

Trabalhamos até umas 17h e montamos tudo, inclusive o lugar do DJ, que foi o C. Umas cachaças ajudaram o processo.

Saímos pelas 17h e entramos na Paes Leme, o pessoal vibrou muito na manifestação. O pedalão faz sempre bela presença e traz muita alegria aos manifestantes. Deu para ver que o Largo tinha enchido muito e fiquei aliviado que não ia ser um fiasco.

Foto: Marcos Muzi

Quando seguíamos pelo asfalto na Paes Leme, o ato escorreu para a rua e tomou todas as vias. Conseguimos seguir até a avenida Faria Lima e a ideia era virar à esquerda e seguir por ela sentido Alto de Pinheiros e contornar o ato por trás, interagindo com as pessoas. Mas rolou que tinha um faixão gigante da UNE (O Brasil se une pela educação) no chão e não podíamos avançar. Viramos 180 graus para escapar do obstáculo, e acabamos na frente do ato, na mesma Faria Lima mas na esquina da Rua Pinheiros e a rua Teodoro Sampaio.

Rolou que a frente do ato era uma zona em disputa, como é comum ser: quem estende a faixa na frente em geral passa sua mensagem mais claramente e aparece na foto com o povo grandão atrás. Quem tinha ocupado esse lugar agora eram secundaristas e outros autonomistas. Mas a polícia estava bloqueando a saída, e segundo me chegou, exigiam que a UNE abrisse o ato, pois fora ela a “responsável” pelo ato. A UNE tinha trazido um carro de som, o detestável carro de som, e tentava chegar à frente. Depreendi que o pessoal da frente não estava deixando o carro chegar e liderar, e esta era a disputa.

O pedalão não era nem um nem outro, mas aumentamos a tensão com nossa presença, pois ninguém sabia bem quem éramos. Tentamos retornar para a igreja da Batata, mas não queriam deixar a gente passar pelas faixas e desfazer o arranjo tático deles. Acabou que negociamos ficar de lado, saindo da frente, ficando a esperar o ato sair e escoar. Do outro lado da rua, a “Casa de Carnes Chega Mais”, ainda aberta.

Foto: MArcos Muzi

A luz geral estava muito bonita, escurecendo mas como nuvens dramáticas. A iluminação do pedalão estava ótima e destacava o veículo na luz local. A ameaça de chuva não se concretizou e a noite ficou amena e agradável.

Tudo isso demorou mais ou menos uma hora, mas pelo menos baixou a tensão. A UNE acabou passando com umas faixas menores para a frente e conseguiu pelo menos nominalmente estar à frente da passeata. Mas o carro de som ficou atrás e não passou.

Foto: Marcos Muzi

Eu caminhei para seguir com a passeata, mas o pedalão ficou – é impossível pedalar até a Paulista. Contaram-me depois que foi muito bacana, foi possível não apenas ver toda a multidão passar em passeata mas também circular e interagir com a meninada. O DJ C mandou bem e muitos me relataram da emoção de estar rodeado de gente jovem, cantando e pedalando e seguindo a canção… “Amanhã vai ser outro dia”, do Chico, rolou também. Um dos cartazes trazia a excelente frase “A educação destrói mitos”, que A pegou e sentou ao lado do canhão de fumaça. Enquanto isso, a companheira A acionava o circense canhão, assim ensaiando com tiros de fumaça a destruição do Mito!

Saí com a frente do ato pela avenida Brigadeiro Faria Lima. Eram mais de 18h30 e estava cercado dos secundaristas, com bandeiras vermelhas e negras e antifas. Mas havia certo mix de tribos naquele ponto, vi mais de uma camiseta Lula Livre, e cartazes mais petistas. Tinha bandeiras da CUT e vários balões de sindicatos. Achei que as mensagens partidárias não eram muito aparentes. Vi várias mensagens contra a Reforma da Previdência, mas no geral o tema era a educação. Lula pareceu em muitas mensagens e suportes, mas não dominou.

Foto: Ronaldo Miranda

A faixa que estava perto de mim era preta e trazia “Menos cortes, mais educação”, ao lado de outra “É melhor já ir se acostumando com a gente. Prazer, somos Antifa”. Vi a senhora que estava na manifestação dos secundaristas, com o mesmo cartaz: “O impeachment da Dilma abriu as portas do inferno no BR”. Vi um cartaz “Eu sou gota, juntos somos tsunami”.

No asfalto, os secundaristas cantavam: “Greve geral, não é palanque eleitoral”,

Íamos avançando pela avenida Faria Lima em direção à avenida Rebouças, que tomaríamos à esquerda para subir à avenida Paulista.

Vi um cartaz “A favor do porte de verbas”, uma bandeira LGBT, uma “Criado por pais imigrantes. Refugiados são bem-vindos”, uma outra do Coringão Antifa” e outra “Refugees Welcome”.

Vi um cartaz “O Brazil está matando o Brasil. Do Brasil: SOS ao Brazil” – que fez recordar Elis, outro afirmando que “A Terra é redonda” e outro ainda “A educação é a maior arma contra a corrupção”.

Foto: Rogério de Sanctis

Vi poucas bandeiras do Brasil e pouco verdeamarelo. Há uma discussão na esquerda se devemos reapropriar as cores nacionais ou se marcamos a diferença com o vermelho, esperando que a direita se desgrace publicamente com as cores nacionais. A questão mais estratégia é se diluímos a presença de organizações associadas ao PT e ao antigo governo para permitir a aproximação de pessoas de “centro”, que estão meio perdidas mas se ressentem ainda de ser associadas à esquerda “louca-corrupta”. Eleitoralmente este é certamente o caminho, mas por outro lado talvez seja o caso de radicalizar e já emendar numa transformação estrutural. Depois de toda a dor Temer-Bolsonaro, restaurar uma normalidade tipo Dilma seria muito frustrante.

Vi um moço que distribuía um impresso do Território Livre, um cartaz “Cadê o Queiroz?” e outro “A Marielle vai pegar você, Bolsonaro”. Vi uma bandeira do MEPR.

Encontrei o fotógrafo R.

A faixa da UNE que vinha à frente trazia “Balbúrdia é cortar dinheiro da educação. UNE, UPES, UEE, UMES, ANPG”. Mais atrás vinha a outra faixa “Combater o capital, abolir as opressões, destruir o fascismo. Ação Antifascista São Paulo”, e outra ainda “Contra os cortes na educação. Greve Geral”. Vi bandeiras roxas e negras.

Foto: Rogério de Sanctis

Encontrei E e R. Um par de PMs filmavam tudo muito intensamente.

Vi uma lousinha “Hoje a aula é na rua”. No verso, “Vou te dar uma aula, Bolsonaro”.

Tinha umas 100 pessoas caminhando à frente do ato, antes da faixa de abertura – eram principalmente fotógrafos. Este é um lugar confortável, mais vazio e mais seguro no caso de corre-corre. Mas ficar lá também acaba bloqueando a visão da faixa. É comum a organização destacar gente para ficar livrando o espaço, garantindo a visibilidade da mensagem.

“Tirem as mãos de meu futuro, canalhas!” trazia um cartaz. Outro informava: “Preso – R$1.500. Aluno – R$510 por mês”.

Vim conversando com R e estávamos muito felizes com a manifestação. Depois de reclamarmos muito da economia estagnada e da falta de trabalho – ele professor autônomo e músico – falamos de como era bom ver moças e moços muito jovens, alguns adolescente mesmo, levando a luta. O céu relampejava nesta hora, abrindo súbitos clarões, e pensei: “somos o trovão!”

Foto: Rogério de Sanctis

“Ele não, ele nunca, ele jamais!” cantava a meninada da UNE. Já os autononistas preferiam “Não é ciranda, nem caminhão, é o povo quem vai fazer revolução!”.

Vi um cartaz “Presidente Miliciano, inimigo da Educação. Fora Ratos”.

Encontrei N e conversamos um pouco.

Chegamos à esquina da avenida Brasil e decidi parar e ver toda a passeata passar. Dava para ver que estava muito grande, era um torrente humana muito espessa. Quis arriscar contar mais ou menos quantas pessoas, mas acabou que não consegui. Fiquei uns 40 minutos mais ou menos parado e nem chegou o final. Achei que mais de 150 mil certamente. A organização falou em 300 mil, e as fotos aéreas mostram bastante gente. A repercussão na imprensa é de que foi menos do que o 15M, mas achei muito significativo os números obtidos e foi um sucesso, total resposta ao ato do Bozo no domingo. E, frente às incertezas da manhã, êxito completo!

Foto: Rogério de Sanctis

Mas insisti em anotar tantas faixas e cartazes quanto pudesse. Um homem me viu e riu muito, dizendo-me “Poesia numa hora dessas, amigo?”, achando que eu compunha versos no caderninho!

Acaba também que é difícil ler depois os garranchos que resultam no caderno, então o recenseamento é sempre incompleto.

Eram 19h15 e deixei o fluxo passar. Muita alegria e energia da moçada. Certa tensão nos cruzamentos com as travessas, muito motorista de carro irado com a interrupção no tráfego. Puxei um palavra de ordem que tinha criado durante o impeachment, o “Bateu panela, vai esperar, bateu panela, vai ter que buzinar!”, mas ninguém acompanhou e deixei quieto.

Motociclistas também ficaram irritados. Um deles me disse “Eu até sou a favor, mas…”.

Foto: Rogério de Sanctis

Uma galera passou cantando “A UNE é gigante, Bolsonaro é um farsante!”.

Vi o cartaz “Ser professor e não lutar é uma contradição pedagógica”, Vi um moço que tinha um livro na mão, como muitos outros jovens que vi hoje. O título era “O teatro e seu duplo”, de Artaud. Outro moço tinha um DVD na mão: o filme “Deus e o diabo na terra do sol”, de Glauber Rocha.

Passou um pixuleco do Bolsonaro, que tinha uma faixa presidencial com “Laranjal do PSL”.

Um carro parado no trânsito da via oposta buzinava muito em apoio.

Passou M, mais HP, FB e MC. Caminhamos juntos um pouco. MC estava, como eu, eufórica.

Foto: Rogério de Sanctis

Passou o pessoal da Educação Física da USP, um balãozão da APEOSP e outro dos Bancários de São Paulo, outro do SINPEEM, bandeiras da UMES, UPES, UJS, DCE FATEC, MUTIRÃO, do Sindicato dos Metroviários, várias LGBT, várias com Marielle. Vi uma faixa “Estudantes contra Bolsonaro. UJS”, um cartaz “Precisamos construir, e não destruir”, e “Em defesa da universidade pública”, outro simplesmente “Democracia”.

Ouvi a palavra de ordem: “Trabalhador, vem apoiar, a nossa luta é pro seu filho estudar!”.

Passaram J e R, conversamos um pouco. Estavam felizes.

Foto: Rogério de Sanctis

Vi o estandarte do “Pompéia Sem Medo” e fui lá gritar “Tucuna, Diana, Bovero, venceremos!”, que são ruas do bairro que conheci de outros tempos, quando morei na região. Eles acharam engraçado e sorriram.

Vi um cartaz “Um país cheio de livros tem educação, um país cheio de armas está em guerra”, outro “Sem educação não tem solução”, ainda “Resistir para existir!”, “Não se constrói uma nação destruindo a educação”, “Lute como uma estudante”.

Vi passar o pessoal da Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da USP, cuja sigla é uma das mais deliciosas: FOFITO. Traziam um caixão de papelão com “educação” escrito a pincel.

Palavra de ordem aos PMS: “Ô seu polícia, seu filho estuda, a nossa luta também é sua”.

Foto: Alice Vergueiro

Vi uma camiseta “The future is female”, uma bandeira do Brasil, uma camiseta da União Soviética CCCP,

Vi passar o pessoal do Levante Popular da Juventude, com suas faixas e batuque. O pessoal da Escola de Música do Estado de São Paulo, o faixão vermelho “Fora Bolsonaro. Liberdade e Luta”,

Vi as bandeiras “Esquerda Marxista”, “IF”, “SINASEFE-SP”, Intersindical, Unidade Popular, da UJR.

Vi um homem com uma camisa da CBF, mas com LULA em vermelho.

Foto: Rogério de Sanctis

Vi uma faixa com “Tira a tesoura da mão, investir em educação!”.

A bolinha de luz que um pessoal projeta nas fachadas voltou, e dessa vez trazia a imagem de Paulo Freire, que víamos agora numa empena cega. O pessoal vibrou e aplaudiu muito.

Na frente da churrascaria Vento Haragano, o canto “Ei, burguês, a culpa é de vocês!”. Mas só tinha funcionário dentro e fora, e as caras fechadas não deixaram entrever emoção.

Passou a G, da UNIFESP, que estava muito bem representada por um grande número de estudantes de várias faculdades. Vi passar a galera da EACH, a Ciência Ambiental com sua faixa, e outra “Obstetrizes feministas em luta”. Vi outra faixa “Não aos banqueiros e à capitalização. Em defesa da aposentadoria e da educação”.

Foto: Rogério de Sanctis

Passou o V e nos cumprimentamos.

Vi o grupo do UNEAFRO também, com suas bandeiras e faixa.

Outra faixa: “Cortem a cabeça do ministro!”,

Vi a bandeira do MLB [moradia], do DALC, do POR4, do PCB e PCdoB, da UJC.

Vi o talvez o cartaz mais belo de toda a manifestação: “Paulo Freire não estudou em Harvard, mas Harvard estuda Paulo Freire”, e outros “Conhecimento destrói o mito”, “Governo idiota e inútil”, “Hoje minha educação, amanhã minha saúde”, “Weintraub não representa a UNIFESP” (ele é professor lá), “Esqueçam as princesas, eu quero ser cientista”,

Foto: Alice Vergueiro

Palavra de ordem: Puta que o pariu, é a maior balbúrdia do Brasil”, e “Demarcação Já!” – uma pauta indígena.

Passei por um vendedor de bandeiras, que trazia sua mercadoria presa a um fio – só LGBT. Perguntei se tinha vendido muito, e ele disse que não. “É, a meninada está muito sem dinheiro”, comentei.

Passou um segundo carro de som, menor do que o da UNE. Era do CONLUTAS-CSP, ligado ao PSTU. Não escutei muito as falas. Reparei que não tinha retido nada do que ouvi no carro da UNE.

Foto: Marcos Muzi

Passaram bandeiras do PSOL, uma camisa do Corinthians, uma bandeira do JUNTOS!, com batuque e rostos de Marielle.

Vi um faixão com um brasão do Corinthians e a mensagem “The favela is here”.

Vi os cartazes “Mais pesquisa, menos milícia”, “Atenção, a reforma é racista”, “Contra a demolição do Brasil”,

Passou o MTST com um bandeirão horizontal. Vi o estandarte do “Lapa Sem Medo”, o do AFRONTE, o do “Santa Cecília Sem Medo”, do RUA.

Passou o pessoal da POLI-USP, LETRAS-USP, HISTÓRIA-USP, o pessoal do CA Lupe Cotrim, da ECA. Um outro pessoal cantou “Lula Livre!”.

Atrás de todo mundo, na rabeira da passeata, estava o pessoal do PDT, com um bandeirão do partido – e também os trabalhadores do SUS, com sua faixa.

Atrás de todos, 10 viaturas da PMs, com luzes piscando.

Foto: Alice Vergueiro

Estávamos quase na altura do viaduto que corta a avenida por cima, em frente ao Hospital das Clínicas, quando comecei a fazer o caminho de volta, buscando a frente do ato. O viaduto trazia um faixão “Médicos residentes da USP defendem a educação”.

Passei em frente a um hostel onde uns 4 jovens de uns 30 anos estavam de pé, do lado de fora. Gritei qualquer coisa militante em inglês, mas ninguém nem sorriu. Saí fora.

Um pessoal cantava “Alerta, alerta, alerta antifascista: a América Latina será toda socialista!”, e “Ô Bolsonaro, seu fascistinha, o estudante vai por você na linha!”.

Foto: Alice Vergueiro

Eram 20h50 quando entrei na alameda Santos para logo entrar na primeira à esquerda a pegar o povo um pouco na frente na avenida Paulista.

A avenida estava toda fechada ao trânsito. A frente do ato já tinha chegado faz tempo, e os grupos já iam se dispersando. Alguns batuques pelo asfalto, falas e palavras de ordem finais. Caminhei até o MASP num clima de liberdade e confiança: a rua é nossa! Achei uma vitória muito expressiva ter mobilizado tanta gente, dá confiança para a Greve Geral do dia 14 de junho. Parece que os motoristas de ônibus e os metroviários já aprovaram paralisação.

Foto: Rogério de Sanctis

Manter a rua como sinal visível de resistência e elaboração ajuda muito a tirar a pauta do teatro de Brasília e seus palhaços sinistros. Ainda falta talvez escorrer mais para fora das bolhas, mas a firmeza de hoje mostrada pela meninada é de extrema importância nos dias de hoje.

Na frente do MASP, havia muita polícia, uns 300 soldados, incluindo os BAEP, que levavam seus rostos escondidos por gorros. A postura era de “tudo acaba aqui”, um teatro institucional.

Tomei o metrô na estação Trianon-MASP para retornar a Pinheiros e buscar minhas coisas. Na catraca, havia um funcionário metroviário, e duas senhoras na minha frente festejaram “metroviários em luta, hein? Apoiamos”. Ele sorriu.

Desci na estação Faria Lima e retornei ao ateliê, onde os amigos estavam tomando uma e outras, com mesa e cadeiras na calçada. Conversamos e eles me contaram como tinha seguido o pedalão depois que a passeata saiu. Estávamos muito contentes com a mobilização de hoje.

O clima está muito melhor agora, dá para ver que não estamos sozinhos. A juventude vai saber.

Corri e consegui entrar no metrô com L e A. Tomei o trem e fui para casa.

Contato: [email protected]

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