Um passo rumo ao jornalismo colaborativo

Outras Palavras prepara grande reportagem sobre transportes metropolitanos em SP. Site adiantará, passo a passo, o que for apurando — e pede a leitores que colaborem com informações

O Blog Coletivo Outras Palavras começa um experimento. Demos início a uma investigação jornalística que, em breve, culminará numa grande reportagem sobre os transportes metropolitanos em São Paulo. A publicação do resultado final, porém, levará algum tempo. Para amenizar a demora, faremos algo inédito por aqui: disponibilizaremos, em rápidas postagens informativas, cada passo da apuração.

A experiência funcionará melhor se nossos leitores e leitoras aceitarem firmar um pacto. Vocês devem saber de antemão que o conteúdo dos pequenos textos que iremos publicar neste espaço não estarão completos e acabados. Serão pedaços de informação e pontos de vista que, pouco a pouco, por meio de pesquisas e entrevistas, iremos acumulando. Juntos, mais tarde, formarão uma narrativa. Por enquanto, devem ser consideradas peças soltas de um quebra-cabeças em construção. 

Isso é diferente do que sempre fizemos. Até agora, esses fragmentos de reportagem ficavam guardados em nossos gravadores ou cadernos de anotações. Ou seja, estavam escondidos do público. O experimento é lançar o conteúdo na rede à medida que for sendo caçado pelas nossas investigações. A vantagem disso? Criar espaços de colaboração com os leitores e leitoras durante o processo — e não apenas quando a reportagem já estiver finalizada.

O espaço para comentários está à disposição. Aceita palpites, críticas, sugestões e indicações. Todos e todas podem participar. Aliás, devem. Se vocês souberem de uma pessoa interessante para ser entrevistada sobre, por exemplo, as inovações tecnológicas do Metrô ou um banco de dados sobre o número e a natureza dos acidentes na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), não hesitem em dizer-nos. Se você tem informações relevantes para a reportagem, avise-nos. Se acha que estamos indo por um caminho irrelevante, puxe nossa orelha. Estórias, relatos e causos também são bem-vindos.

Assim, poderemos utilizar a inteligência coletiva que só a internet propicia para complementar nossa produção jornalística. Por que não? É um teste. Estamos ansiosos para ver os resultados — e esperançosos para que funcione. Nossa parte já estamos fazendo. E começamos pelo trem. Esperamos sua participação.

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5 comentários para "Um passo rumo ao jornalismo colaborativo"

  1. Sandro disse:

    Uma pauta interessante é a situação do Campus Guarulhos da UNIFESP, na periferia de Guarulhos, longe até das linhas de trem que alcançam os extremos da Região Metropolitana, a que dois mil estudantes têm de se dirigir diariamente, enfrentando de ônibus e lotações inadequados o imenso trânsito da Dutra e mesmo a precária estrutura viária do Bairro dos Pimentas.

  2. elisabet gomes do nascimento disse:

    Acho que vcs deveriam consultar o site http://www.ciclocidade.org.br e falar com o Gabriel Di Pierro Siqueira. Ele tem uns dados muito interessantes sobre a bicicleta como meio de transporte na cidade de São Paulo e outros modais, também.

  3. A garantia de ir e vir de [email protected] só será possível quebrando oligopólio privado do transporte coletivo implantando a tarifa zero.

  4. SIFERP disse:

    Bem, editorialistas e jornalistas de Outras Palavras sabem que podem contar com nosso apoio e ajuda no que se fizer necessário, em especial em transporte de pessoas sobre trilhos.

  5. Caio César disse:

    Como você deseja receber as participações? Aqui mesmo, nos comentários?
    A CPTM não tem somente acidentes para mostrar, olhando todo o contexto histórico, ela saiu da precariedade para um sistema pelo menos razoável. Da mesma forma que Nova Iorque também teve um sistema de metrô degradado, São Paulo também sofreu com o mesmo problema com o que então era chamado de “trem urbano”, sobretudo nas linhas da Zona Leste que eram da CBTU.
    Se eu fosse destacar as inovações tecnológicas do Metrô, pensaria no pioneirismo em implantar CBTC e na aposta pesada que está sendo feita no monotrilho (o da Zona Leste terá alta capacidade, provavelmente ultrapassaremos o case de Tóquio), por exemplo.
    Na CPTM, eu destacaria a construção da Linha 5 do Metrô, feita por ela, a construção do Expresso Leste, a requalificação da Linha 12, a dinamização da Linha 9, as aquisições de trens que vêm sendo feitas, o Projeto Integração Centro, que nunca foi concluído e até hoje temos prejuízos, entre outras coisas. Ela também vai implantar CBTC.
    Aliás, quando você diz “comecemos pelo trem”, está falando da CPTM, do Metrô ou dos dois? Pois aqui em São Paulo, a CPTM pode muito bem ser considerada metrô, não temos trens comutadores aos moldes europeus e o Metrô também tem linhas com perfil suburbano (3 e 5), os impeditivos maiores ficam em algumas linhas, devido à presença de trens de carga e falta de segregação total (embora a prioridade seja sempre dos trens). Em tempo, a CPTM opera trens metropolitanos (ela é a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e o Metrô é operado pela Companhia do Metropolitano de São Paulo. Temos duas empresas que operam sistemas de metrô, uma começou do zero e a outra surgiu depois quando o Estado repassou a parte relevante da Fepasa para RFFSA, que foi privatizada, o que restou foram as linhas da Fepasa DRM (Oeste e Sul, hoje 8 e 9) e as linhas da CBTU (Leste Tronco, Leste Variante e Noroeste-Sudeste, hoje 11, 12, 7 e 10).
    Os trens da CPTM nem mesmo possuem um perfil exatamente ideal em termos de conforto… por isso, não cabe muita diferenciação ao material rodante para o passageiro. Os assentos revestidos não dizem muita coisa nos trens novos e o Metrô também possui linhas com assentos revestidos (5 e 4), ou seja, qual a diferença real para o passageiro? A proximidade das estações, o que ainda assim é questionável.
    Com o Ferroanel pronto e a sinalização nova, a CPTM não terá motivo algum para ser considerada outra coisa senão um sistema de metrô. Aliás, deveriam pensar definitivamente em fundi-la com o Metrô de uma vez por todas, deve facilitar os investimentos, o maior cuidado com a malha da CPTM (que é muito mais extensa e ninguém vê) e permitir de uma vez por todas uma valorização da categoria, já que a CPTM geralmente paga menos do que o Metrô, quando claramente deveria pagar no mínimo o mesmo.

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