O Estado Brasileiro no Banco dos Réus

Tribunal Popular da Terra organiza evento para debater a violação de Diretos Humanos pelos estados

Por Joseh Silva

Acontece durante os dias 20, 21 e 22 de abril o seminário O Estado Brasileiro no Banco dos Réus, organizado pelo Tribunal Popular da Terra. Nele serão debatidas questões importantes, como a desocupação e militarização no Pinheirinho, a disputa por terras no território Guarani Kaiowá, megaeventos — remoções em Fortaleza por conta da Copa —, a ação da Cutrale em Iaras, Belo Monte e os militantes sociais ameaçados de morte.

O evento também tem como objetivo aproximar as pessoas [não envolvidas no assunto] do tema e problematizá-lo, uma vez que a banalização e a abordagem superficial — da mídia de massa — não potencializa a importância das questões, proporcionando o reconhecimento das violações ocorridas nos grupos, estimulando o rompimento e o olhar fragmentado sobre a opressão, criando uma rede de solidariedade das diversas lutas existentes contra as opressões. Para Givanildo Manoel, militante do Tribunal Popular da Terra, “compreender é a melhor forma de enfrentar e unir as organizações e lutadores das causas do povo”.

Para o encontro está prevista a participação de militantes de diversos estados: Minas Gerais, Pará, Acre, Amazonas, Distrito Federal, Paraná, Rio de Janeiro e todos os estados da região Nordeste. Também está confirmada a participação de Osmarindo Amâncio, companheiro de Chico Mendes e herdeiro do seu legado de lutas contra o desastre e destruição das florestas. O Tribunal atua, nestes e outros estados, por meio de uma rede articulada de organizações contra os casos de violação de direitos humanos e crimes praticados pelo estado, principalmente contra o povo pobre.

Histórico

Esta não é a primeira atuação do Tribunal. O primeiro encontro aconteceu em 2008, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Na época, a Declaração Universal dos Direitos Humanos completava 60 anos. O movimento se articula junto a uma série de entidades, movimentos sociais, sindicatos, familiares de vítimas de violência policial e estatal, com o intuito de discutir e refletir sobre as constantes violações de direitos cometidos pelo estado, que reforça seu modelo de opressão atingindo diretamente a população pobre, negra e indígena.

Entre 2009 e 2010, o Tribunal organizou atividades de grande porte, como o que discutiu o estado penal, por exemplo. Em 2011, o foco foi “a situação das populações no campo e na cidade, na perspectiva da terra e territorialidade, as opressões que aumentavam no campo em decorrência do neodesenvolvimentismo, que tinha nas obras do PAC o carro chefe, o que provocava enorme opressão e deslocamento dos diversos grupos que tinha sua vida baseada no campo (Indígenas, Quilombolas, Caiçaras , Ribeirinhos, Lutadores pela Reforma Agrária) e pescadores.”

Em 2012, o evento apontará muitas demandas urgentes para serem discutidas. O governo vem produzindo muitas ações em nome do desenvolvimento, o trator capitalista que, atendendo a ordens desenfreadas, passa por cima de direitos humanos. Por questões tão emergenciais, esses três dias são de extrema importância para que o povo se reúna, se informe e busque, em conjunto, saídas de emergência para um país que continua a praticar a política de higienização.

O encontro será no Sacolão das Artes: Avenida Cândido Xavier, 577, Parque Santo Antônio – São Paulo. Mais informações [email protected].

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2 comentários para "O Estado Brasileiro no Banco dos Réus"

  1. A REPÚBLICA É RÉ PÚBLICA.
    Ação permanente contra saqueadores do povo, cofres públicos, bens comuns de brasileiras e brasileiros e em defesa de movimentos e ativistas de cultura ambiental, arte, educação e justiça social.
    Escravocratas, racistas, latifundiários, monocultores, biocidas, homófobos, necrófagos, madeireiros, mineradores, banqueiros, executivo, legislativo, judiciário, autoritários, truculentos, prepotentes e covardes, saquearam povo e cofres públicos, expropriaram mais valia humana, material e financeira, privatizaram lucros, democratizaram, socializaram, comunizaram prejuízos, deixando mortos por enterrar, vítimas, feridos, doentes e enfermos por cuidar, estragos por consertar, ESTADO MERDOCRÁTICO DE DIREITA NO BRASIL inserido na SIFILIZAÇÃO MERDOCRÁTICA PLANETÁRIA.
    E assim depois dos Anos Dourados, Anos Rebeldes, chegamos aos Anos Hemorróidicos, neoplasia de cólon, metástases intestinais,ovarianas, uterinas, prostáticas, pulmonares, cerebrais, rádio/quimio/fisio/cirurgias…
    terra, mar, ar tudo fede sem parar…

  2. Paulo disse:

    Os Estados (por meio de seus agentes) são, via de regra, os maiores violadores de direitos humanos. Para mudar isso, não basta mudar as leis, mas a mentalidade de todos, em particular daqueles que fazem as leis.

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