Para saber mais sobre o papel das ferrovias

Trem tipo "pendolino": eficiente e rápido (200 km/h), poderia oferecer mobilidade barata em todo o país.

Em Osasco (SP), no início de março, um curso gratuito sobre opção de transporte que Brasil abandonou por décadas — e precisa voltar à pauta dos grandes temas nacionais

Em 6 e 8 de março, o Sindicato dos Ferroviários de Trens de Passageiros da Zona Sorocabana oferecerá em sua sede, em Osasco, um curso breve sobre a História da Ferrovia em São Paulo. As duas sessões ocorrerão das 19 às 22h.

O planejamento e a condução do curso estarão aos cuidados do engenheiro de telecomunicações Paulo Roberto Filomeno. Ele é também ferroviarista e historiador, mas seus olhos estão voltados para o futuro. Ao expor o papel dos trens, no longo processo de industrialização de São Paulo; e o súbito fim da expansão ferroviária, no final dos anos 1950, Filomeno quer lançar algumas questões provocadoras. Que interesses teriam levado ao declínio uma malha de transportes limpa, eficiente e acessível? Por que não considerar, agora, sua reabilitação — inclusive para a mobilidade de passageiros? Quais os caminhos para iniciá-la: um trem-bala obscuro e elitista, ou a modernização de milhares de quilômetros de trilhos, que poderia beneficiar um público muito mais vasto, com investimentos comparáveis?
Quem está em São Paulo tem, como opção de transporte para chegar ao sindicato, o próprio trem de subúrbio. A entidade fica a menos de 500 metros da estação Osasco da CPTM, acessível pelas linhas 8 (diamante) e 9 (esmeralda). O serviço é bem menos rápido e confortável do que a metrópole requer e merece — porém, ainda assim, uma alternativa preferível ao automóvel.
Os presentes às duas sessões receberão certificado de participação. Dada a limitação do espaço (que abriga 80 pessoas), as vagas são limitadas. O curso é gratuito. [email protected] podem inscrever-se por internet ([email protected]) ou telefone (11-4620.0721). O sindicato fica na Rua Reverendo João Euclides Pereira, 29, no bairro de Presidente Altino, em Osasco. O mapa está aqui.

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8 comentários para "Para saber mais sobre o papel das ferrovias"

  1. Sou um entusiasta das ferrovias e lastimo de ter assistido -, ainda jovem, o sucateamento da malha ferroviária no Brasil. Eu não sei quais foram as decisões políticas que levaram o país a essa situação. Sei entretanto, que atualmente, deve existir inúmeros interesses da FETRANSPORTE para impedir ou dificultar a retomada do transporte ferroviário que, além de mais barato, sobretudo para a carga, seria bem melhor por uma série de fatores inclusive menos poluente.
    Moro no Rio de Janeiro e, infelizmente, não poderei assistir ao curso que será realizado pelo Sindicato Ferrdoviário de Trens de Passageiros de Sorocaba.
    Nesse sentido, gostaria de soblicitar se é possivel enviar-me por e-mail um resumo dos assuntos tratados durante o curso e se existe alguma luz, no final do tunel, para que o Brasil possa retomar o transporte ferroviário, tanto para carga como para passageiros. Acho que o TAV ou TGV (na França) representa o topo da pirâmide, para países que já têm sua malha ferroviária bem resolvida e em pleno funcionamento, e não uma proposta marqueteira que serveria somente para tampar o sol com a peneira. Obrigado pela sua atenção e fico no aguardo de uma resposta sobre o assunto em apreço.
    Atenciosamente,
    Almyr de Almeida

  2. Paulo Roberto Filomeno disse:

    Caro Almyr, tomei conhecimento dos seus comentários ao visitar agora o site Outras Palavras, para ver a chamada ao curso de História das Ferrovias de São Paulo, ao qual agradeço o apoio.
    Não temos ainda nenhum material para enviar, pois ainda encontra-se em fase de preparação, porém, após o curso o disponibilizaremos, provavelmente através de um link para ser baixado.
    Concordo com sua colocação acerca do trem de alta velocidade, nós (o Brasil) já perdeu sua cultura ferroviária de trens de passageiros e principalmente não sabe mais como operar trens e ferrovias de passageiros. Esse é um processo que tem que ser retomado e não é importando um TAV pronto que isso vai ser possível, ao contrário, creio até que, no estado atual de nosso conhecimento ferroviário, a mão de obra para a sua operação também terá que vir do país de onde a tecnologia virá. Sou de opinião que temos que recomeçar com trens regionais, que são muito mais úteis à maioria da população e que nos permitirá resgatar essa cultura perdida. Um TAV, nos moldes em que está sendo propagandeado, poderá ser um fracasso total, pois nada mais é que um projeto político. Acerca desse assunto, convido-o para ler um artigo publicado no São Paulo TREM Jeito, blog do Sindicato dos Ferroviários dos Trens de Passageiros da Sorocabana, cujo link segue abaixo. Um abraço.
    http://saopaulotremjeito.blogspot.com/2011/09/trem-de-alta-velocidade-no-brasil-um.html

  3. Arthur Araujo disse:

    Parabens pela iniciativa. Vamos torcer para que iniciativas como essa contribuam para despertar na população a idéia da importância do transporte ferroviário de passageiros, e , a partir de então ocorram pressões sobre os governantes no sentido de darem prioridade à reativação desse sistema, mais limpo,eficiente, econômico e, que acima de tudo seja público e não alvo da cobiça do setor privado.

  4. Paulo Lima disse:

    Meu pensamento é bastante semelhante ao do Almyr. Entretanto, se me for permitido, quero acrescentar que além da interferência positiva na mobilidade urbana o trem, tem papel fundamental namanutenção da vida de inúmeros municípios Brasil afora e que hoje são órfãos de transporte Municipios que mudaram seus modelos econômicos para pior, regrediram no tempo e são verdadeiras cidades fantasmas provocado pela ausência do elo forte com as cidades maiores, o trem que inteligava o Brasil de forma eficiente.
    Paulo Lima.

  5. Pietro Mignozzetti disse:

    Prezados Engº Filomeno e Almyr,
    Avalio como muito excelente a iniciativa da organização e produção desse curso sobre História da Ferrovia em São Paulo, pelo título, creio que se restrinja ao sistema ferroviário instalado no Estado de São Paulo, desde quando se executou a primeira ferrovia, creio pelos inglêses, a Santos-Jundiaí, se não estou enganado e a seguir as demais.
    Tal sistema ferroviário promoveu toda o desenvolvimento agrícola e industrial de nosso estado, desde fins do século 19 e durante a primeira metade do século passado, garantindo com isso o acúmulo e criação capitalista do Estado, que aliás proporcionou-nos o desenvolvimento e progresso econômico e em grande parte social do mesmo, tendo sido considerado como a “locomotiva do Brasil”.
    Sou muito simpatizante do sistema ferroviário, mas também do sistema de transportes urbanos sobre trilhos, os antigos bondes, hoje denominados VLTs, o que vendo-se as cidades médias e grandes européias, como também em algumas nos EUA, estão retomando e incrementando o retorno a esse meio de trânsporte, o que em nosso País, nos anos 60 do século passado, chegaram a acusá-lo como provocador de grandes congestionamentos devido a sua condição de estar apoiado nos trilhos e portanto preso a êles, o que “travava” o fluxo dos automóveis e ônibus de rodas de pneus.
    Uma verdadeira barbaridade.
    Um minha juventude, recordo, que a convocação de meu pai para que realizasse uma viagem de cobranças de clientes que viviam em Presidente Prudente, a qual realizei pela Forrovia Sorocabana, tendo partido da Estação Julio Prestes e viajado, em 2ª classe, pois os recursos somente permitiam essa condição, até aquela cidade, viagem inesquecível para mim em meus 17/18 anos, acontecida em 1964/65.
    De todo modo, conte com minha presença ao curso, informando que sou Arqº e Urb., e sugeriria, caso possível, uma abordagem sobre o transporte de trilhos urbanos, os VLTs, como um seistema complementar a ser integrado como intermodal, ou seja capacidades baixa, média e alta, vale dizer: veiculo particular, ônibus, microônibus, vans, como baixa capacidade, VLTs, como média capacidade e Trens metropolitanos e Metrô, como alta capacidade.
    O que a meu ver é perfeitamente factível com viabilidade econômica, social e ambiental, iclusive com mudança para outra matriz energética o que proporciona sustentabilidade ambiental.
    Desculpe-me se fui muito longo em meu comentário.
    Pietro Mignozzetti

  6. Prezado Paulo Filomeno
    Permita-me também, tecer um breve comentário sobre o “Pendolino”, TAV em funcionamento na Itália, cujo conceito pendular deve-se ao fato que sua geometria pende conforme o desenvolvimento das curvas da linha de trem em que está passando a composição, garantindo com isso a utilização da malha de trilhos existente, sem necessitar a sustituição por outras malhas específicas aos trêns de alta velocidade, para velocidades superiores a 280, 350 km/h.
    Consitindo em um sistema de alta velocidade, digamos intermediário, que não necessita a substituição plena da malha existente.
    Tal sistema foi apresentado na mostra “ITALIA VIVA”, desenvolvida em São Paulo, no Ibirapuera, em 1989, em que o Sistema Itália esteve sendo apresentado, integrando o “Pendolino”, os sistemas de Metro, das cidades de Gênova, Roma, etc., os aviões de caças leves, desenvolvidos em parceria entre a AerMacchi com a Embraer e Força Aérea Brasileira, não sei se você a frequentou.
    Muito interessante o conceito “pendolino”, pois a composição do trem é “pendular”, osciula lateralmente conforme o desenvolvimento da curva da ferrovia, possibilitando inclinação conforme a relação curva e velocidade da composição, similar a inclinação de um motociclista nas curvas de estradas, o qual inclina-se segundo sua velocidade e raio de curva da estrada. Interessante.
    Pietro.

  7. A estrada de ferro tritura ilusões, come planícies, bebe descampado e leva dentro dos seus vagões os homens e o gado.
    Um dia, sem discursos nem sermões, tudo foi confiscado e leiloado, descampado, planícies e vagões, planícies, vagões e descampado.
    Tudo como laranjas ou limões nas banquetas de um mercado.
    Tudo pra aumentar confusões, tudo com nevoeiro misturado
    – e quem comprou os vagões comprou os homens e o gado.
    A ESTRADA DE FERRO, poema de Sidônio Muralha
    in Os Olhos das crianças, São Paulo, 1963.
    …e assim foram saqueados o povo e os cofres públicos.

  8. Caro Pietro. O Pendolino não é mesmo cogitado em nosso país. Motivo? Não é fabricado por nenhuma das indústrias ferroviárias transnacionais instaladas no Brasil. Nessa medida, estudos de trens regionais estão sendo feitos tomando por base os trens que elas – indústrias – fabricam, e não os que podem aproveitar boa parte de nossas linhas, como é o caso do Pendolino.
    Caro Almyr, o blog São Paulo TREM Jeito publica muitas matérias sobre transporte sobre trilhos no Rio de Janeiro, em especial os escândalos da SuperVia.

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