Crise: há alternativas, além dos partidos?

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Rede de organizações da sociedade civil prepara, em agosto, grande seminário sobre a construção de um novo projeto de país

Por Inês Castilho

Um momento de reflexão coletiva sobre as crises, as resistências e as alternativas para o Brasil, na visão de organizações populares do campo e da cidade. Esse é o objetivo do seminário nacional “A agenda das resistências e as alternativas para o Brasil: Um olhar desde a sociedade civil”, que acontece em São Paulo de 16 a 18 de agosto. A organização é da Abong – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais, Iser Assessoria,  Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Centro de Assessoria Multiprofissional (Camp),  Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil e Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese).

“Será uma oportunidade para reunir movimentos e diversidade. Esta atividade está articulada com todos os processos que as frentes [Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo e Frente pelas Diretas Já] vêm fazendo. Pretendemos reconstruir uma estratégia de enfrentamento”, afirma Mauri Cruz, diretor executivo da Abong.

Entre os temas sobre as resistências estão, entre outros, a agricultura urbana e o Bem Viver (pela FASE Amazônia, Instituto Polis e RUA/BH), práticas agroecológicas e bens comuns (pela Articulação Nacional de Agroecologia — ANA), os corpos políticos das mulheres nas cidades (pela Frente Nacional contra a criminalização das Mulheres e pela legalização do aborto), a luta contra o extermínio das juventudes (pela Coalizão Nacional das Juventudes) e a diáspora dos povos de matriz africana (pela Frente de Defesa dos Povos de Matriz Africana). Continuar lendo

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Assim se resiste à ofensiva conservadora

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Surge em Guarulhos (SP), após ocupação da Câmara Municipal, exemplo inspirador de articulação política entre movimentos de mulheres, negros, secundaristas, artistas, skatistas e comunidade LGBT

Por Camila Sposito | Imagem: João Vitor Reis

Após 11 dias de ocupação da Câmara Municipal em protesto contra a PEC 241, os manifestantes de Guarulhos decidiram desocupá-la nesta segunda-feira (31.10), de modo pacífico, consciente e vitorioso. Pela primeira vez na história da segunda cidade mais populosa de São Paulo, representantes de várias frentes de esquerda unificaram-se em torno de uma pauta comum e enfrentaram o poder institucionalizado pela mídia local e nacional e pelos coronéis da política de sua cidade para fazerem valer a sua voz.

Conforme a avaliação dos ocupantes, o movimento atingiu uma maturidade tal nesta ocupação que precisa seguir para outras formas de atuação. Planejam uma assembleia para os próximos dias, com a possibilidade de criação de um coletivo suprapartidário capaz de atuar em âmbito municipal e federal. Além da luta contra o governo Temer e a PEC 241, está no horizonte acompanhar de perto a atuação do novo prefeito eleito, Gustavo Henric Costa, o Guti (PSB). Continuar lendo

Para repensar a política, em tempos áridos

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Suely Rolnik e Tatiana Roque convidam a debater novos movimentos, choque com as forças reacionárias e atualidade – e ou reinvenção – da ideia de esquerda


URGÊNCIAS – Para pensar as forças políticas em jogo no Brasil
Uma proposição de Suely Rolnik e Tatiana Roque
Organização: Programa de Ações Culturais Autônomas (P.A.C.A)
Apoio: Instituto Goethe
Sábado 4 de junho, das 10h às 17h (confirme presença aqui)
Local: Rua Lisboa, nº 974, Pinheiros — Metrô Clínicas – S.Paulo (mapa)

A paisagem da sociedade brasileira vem sendo agitada por práticas de invenção que não param de proliferar, em diferentes setores da vida social, colocando em movimento e desestabilizando seus contornos. Essas ações tensionam a atmosfera criada pelas forças reacionárias e reativas que nos assombram desde a fundação do país, mas que parecem ter ganho um novo fôlego.

Como dar conta das experiências e das múltiplas ações que promovem transformações concretas em diversos campos da sociedade brasileira? Os termos e as práticas da esquerda, ou até mesmo a noção de esquerda, ainda são suficientes para descrever a variedade e a singularidade desses vetores de criação? A tradicional oposição entre direita e esquerda ainda nos serve para pensar a relação entre as várias forças em jogo no país? Ou será necessário pensar numa escala que vai de diferentes graus de identificação com o estado de coisas a diferentes graus de reconhecimento de seus pontos de asfixia? De diferentes graus de desejo de conservá-lo e de seu poder de agir a diferentes graus de desejo de criar desvios e de sua potência de agir?

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Parque Augusta: é possível desapropriar a custo zero

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Em SP, movimento pelo Direito à Cidade está a um passo. Para que área da Mata Atlântica torne-se pública, falta decisão final da prefeitura. Ela virá?

Pelo Organismo Parque Augusta

A polêmica em torno do Parque Augusta promete ser reacendida nas próximas semanas com a desapropriação do local pela Prefeitura de São Paulo. Há dois anos (no dia 23 de dezembro de 2013) o prefeito Fernando Haddad decretou a lei de criação do parque, porém sem indicar como isso seria viabilizado. Logo depois anunciaria que o parque não era prioridade pra cidade e na sequencia o parque foi lacrado ilegalmente pelas atuais proprietárias do terreno, as construtoras Setin e Cyrela, situação nunca ocorrida em 45 anos e que permanece até hoje.

Nesse período houve intensificação das mobilizações de ativistas e da sociedade – que incluíram festivais, ocupações, debates na Câmara Municipal, reuniões com Secretarias e Executivo, diversos relatórios técnicos ambientais, urbanísticos e jurídicos  –   finalmente estamos chegando a um final. Hoje a disputa gira em torno da questão: “quanto custa o Parque Augusta?”.

Nos últimos meses a estratégia do Organismo Parque Augusta (OPA) foi focada na atuação de pressão do poder público. Logo após a ocupação do Verão 2015 do Parque Augusta, o laboratório biopolítico conhecido como “vigília criativa”, o movimento enfatizou na pressão interna na Prefeitura com o objetivo de informar a real situação do terreno: suas restrições de ocupação, as tentativas ilegais de aprovação de projetos e sua correta valoração para a desapropriação – que para o OPA é de custo zero. Continuar lendo

Cúpula do Clima pode terminar sem medidas efetivas

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Na Zona de Ação Climática, evento paralelo à COP, movimentos sociais debatem caminhos

Em Paris, governos e corporações recusam-se a debater mudança nos padrões de produção e consumo, e polemizam sobre questão irrelevante. Sociedade civil busca articulação paralela

Por Iara Pietricovsky de Oliveira, da Agência Jovem de Notícias/Inesc*

Quase finda a última semana da COP21, em Paris. Do ponto de vista da negociação oficial, a novidade foi a oferta de dobrar o financiamento para adaptação por parte dos norte-americanos, anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, expressando o desejo de ver um acordo em Paris.

Uma das questões importantes nestas negociações é manter os EUA “no barco” junto de todos os outros países. Isso acaba fazendo com que eles definam as regras e os limites do jogo. E assim será: se eles oferecem mais dinheiro e demonstram aparente flexibilidade, acabam dando o tom e os termos do acordo. É claro que o papel da Europa também conta, em especial dos chamados “países guarda-chuva”, dos quais os próprios norte-americanos fazem parte, além da Nova Zelândia, Austrália e Noruega, entre outros. Continuar lendo

Um domingo contra Alckmin

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Em Outras Palavras, dia 31/8, um iniciativa para afastar de São Paulo o conservadorismo e a repressão

A nova casa de Outras Palavras pode ser também um local para tramar futuros. Neste domingo (31/8), convidamos grupos e pessoas espantados com o alto risco de mais quatro anos de um governo autoritário em São Paulo a buscar saídas. Nâo se trata de apoiar candidatos, mas de afastar a pasmaceira. Que podemos fazer para mudar o rumo das eleições estaduais? São Paulo está fadado a ser apático, individualista e segregador? Ou podemos fortalecer gente disposta a fazer fluir a liberdade e projetos de justiça, compartilhamento e nova democracia?

A partir das 17h, traga seus desejos, ideias e abertura para ouvir e debater. Se der vontade, acrescente algo de beber ou comer. São Paulo não pode reduzir-se a volume morto. Que os vivos apareçam!

Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – a 50m. da Brigadeiro Luís Antonio e um quilômetro do Metrô São Joaquim (mapa)

 

Por que o MTST volta às ruas esta tarde

Sem-teto manifestam-se na Praça da Sé, em junto de 2014

Sem-teto manifestam-se na Praça da Sé, em junto de 2014

Manifestação em São Paulo denuncia perseguições da mídia e Ministério Público contra sem-teto. Movimento articula ações com jornalistas independentes. “Outras Palavras” participa e convida leitores

Por Antonio Martins

Cada vez mais conhecido, desde o fim do ano passado, pela intensa mobilização que promove nas periferias das metrópoles, em favor do Direito à Cidade, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) promete lançar mais uma inovação política esta tarde. A partir das 17h, sem-teto de São Paulo (fala-se em milhares…) irão se concentrar no vão livre do MASP — Avenida Paulista. Desta vez, não protestarão contra um governante, nem apresentarão uma pauta de reivindicações específica. Promoverão um “ato-debate”. Querem tornar explícita sua indignação diante da velha mídia e do Ministério Público — que os tratam com preconceitos e tentam criminalizá-los. Estarão presentes, entre muitos outros, a arquiteta Ermínia Maricato, o juiz Jorge Souto Maior, o professor de filosofia Paulo Arantes, a Associação dos Juízes pela Democracia, a candidata à Presidência Luciana Genro (PSOL) e os deputados Renato Simões e Adriano Diogo (PT).

Como o MTST tornou-se capaz de mobilizar os sem-teto para temas políticos sofisticados — como a crítica à mídia e aos promotores? É algo que merece ser examinado em profundidade, mas algumas pistas parecem claras. O movimento tira forças de um ânimo novo nas periferias. Segundo Guilherme Boulos, um dos coordenadores da organização, as franjas das metrópoles passaram a reagiram com força, após junho de 2013, à especulação imobiliária e suas consequências. Disseminaram-se as ocupações de terrenos vazios (veja entrevista abaixo). O movimento parece ter desenvolvido tecnologias sociais que dão organicidade a estas iniciativas e, em especial, sentido de pertencimento aos que nelas se envolvem. Isso cria um ambienta favorável à politização. Durante a votação do Plano Diretor de São Paulo, no primeiro semestre deste anos, os sem-teto mobilizaram-se muito mais que a parcela culturalmente avançada da classe média. Exigiram da Câmara Municial a aprovação e avanços reais na lei (1 2) Continuar lendo

Os gritos de gol e as cidades-mercadoria

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Encontro dos Atingidos pela Copa aponta efeitos destrutivos do esporte quando reduzido a espetáculo e convoca novos protestos

Texto coletivo | Imagem Mídia Ninja

Cerca de 400 representantes de comunidades atingidas pelas obras da Copa e outros movimentos sociais participaram do Encontro dos Atingidos – Quem perde com os megaeventos e megaempreendimentos, que aconteceu de 1º a 3 de maio em Belo Horizonte. Organizado pela Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop), o evento mostrou as dificuldades e conquistas da resistência às obras da Copa do Mundo, das Olimpíadas e também de outros processos vividos por negros, índios, pescadores, trabalhadores informais e estrangeiros que estão trabalhando no Brasil.

“A Copa evidenciou problemas que não eram percebidos claramente pelas próprias pessoas atingidas”, disse Ângela Rissi, do Fórum Nacional dos Ambulantes. Para Ângela, em meio à desgraça trazida pelas obras, houve o fortalecimento da luta contra a higienização das cidades, que vem sendo promovida com a desculpa do Mundial. Continuar lendo

Por mais parques — e menos cinzentos

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Surgem, em S.Paulo, coletivos dispostos a lutar pelos espaços públicos e a geri-los de modo não burocrático. Mídia, enquanto isso, torce por espigões 

Por Breno Castro Alves

Em tempos de voracidade do capital imobiliário, o Parque Augusta — última área livre de mata atlântica no centro de SP — sofre a ameaça real de ser transformado em duas torres de 100 metros. A Folha de São Paulo atuou, esses dias, como porta voz das incorporadoras Setin e Cyrella.

Apesar de o jornal afirmar que ali haverá torres, o prefeito Fernando Haddad sancionou, em dezembro de 2013 a a Lei 345/2006, que determina a criação do parque público na área disputada. Há resistência engravatada. Dois dias depois da aprovação dessa lei, as incorporadoras Setin e Cyrella, sócias do proprietário e ex-banqueiro Armando Conde, fecharam ilegalmente os portões de acesso ao parque, que se mantém assim há 90 dias.

Em resposta a essa restrição ilegal à circulação de pessoas em espaço público, um movimento social — o Organismo Parque Augusta — articulou-se e iniciou diálogo formal com a prefeitura, em 25 de março. Publicamos aqui uma carta pública com nosso posicionamento a partir deste encontro. Continuar lendo

SP: Seminário debate democracia na América Latina

CARTAZ final

Pensadores, jornalistas e economistas latino-americanos refletem sobre avanços e desafios nas relações entre sociedade, setor privado e governos para transformação social

Por Redação

Acontece no próximo dia 12 de novembro, terça-feira, o seminário internacional “A Sociedade Civil Organizada e o Processo Democrático na América Latina”, com objetivo de promover debate sobre o papel das organizações e movimentos sociais na luta por ampliação da democracia e defesa dos direitos humanos, nos países latino-americanos.

Também serão pensadas medidas para tornar o ambiente mais favorável ao enfrentamento do processo de criminalização que os movimentos sociais vêm sofrendo por parte de governos e meios de comunicação, no contexto mais amplo da crise internacional.

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