Energias limpas: Austrália ensina a baratear

 

Grandes parques eólicos em alto-mar, a novidade tecnológica mais recente no caminho para ultrapassar era do petróleo

Grandes parques eólicos em alto-mar, a novidade tecnológica mais recente no caminho para ultrapassar era do petróleo

Graças a política fiscal ativa, energia eólica já é mais barata que a gerada em termelétricas. Quais os caminhos para seguir este exemplo no Brasil?

Por Antonio Martins

Num país de vasto território e insolação, como o Brasil, o principal obstáculo a um grande desenvolvimento das fontes limpas de energia é, à primeira vista, o preço. Embora os números sejam variáveis, a eletricidade de fonte eólica é, ainda, pelo menos 15% mais cara que a gerada nas hidrelétricas. A energia solar custa três ou quatro vezes mais. Embora exista, desde 2004, um programa de incentivo às fontes alternativas — o Proinfa –, suas metas são limitadas. Mesmo nas hipóteses mais otimistas, os ventos deverão suprir, em 2021, menos de 10% do consumo. Por isso, talvez seja interessante observar a experiência recente da Austrália na construção de uma matriz energética mais adequada.

O país parte de uma situação muito pior que a do Brasil. Até há pouco, era a nação industrializada que dependia mais pesadamente do carvão — talvez a fonte mais suja — para produzir eletricidade. Nos últimos anos, contudo, decisões ousadas de política fiscal começaram a transformar este panorama. A mudança está relatada num texto de Thom Hartmann, para o site Alternet.

O princípio essencial é simples. Institui-se uma taxa de carbono, imposta sobre toda a energia gerada a partir de materiais que produzem o efeito-estufa. Com ela, o megawatt (Mw) gerado a partir do carvão subiu para 143 dólares australianos (R$ 291); e o proveniente do gás, para 116 dólares (R$ 236), enquanto o Mw eólico permanece em 80 dólares (R$ 163). Com o tempo, as usinas de vento ganharam escala e evoluíram tecnologicamente. Hoje, produziriam energia mais barata mesmo sem vantagens fiscais. O próximo passo é adotar políticas que tornem gradualmente mais barata a energia solar.

Os incentivos são decisivos, porque tem havido intensa evolução tecnológica tanto no uso dos ventos quanto no do sol — mas tirar proveito deles exige investimentos. Nos últimos dez anos, a geração de energia eólica tornou-se cerca de 66% mais barata. A queda abrupta deu-se graças, inclusive, ao uso de cataventos cujas pás estão situadas mais de cem metros acima do solo — o dobro da altura que prevalecia na década passada. Os equipamentos mais modernos são capazes de ajustar seu próprio ângulo em relação aos ventos, para captar mais eficazmente sua força. Novas formas de conexão entre a turbina eólica e a rede elétrica estão reduzindo perdas de energia. A novidade mais recente, ainda em desenvolvimento, são aerogeradores flutuantes, que poderão ser instalados em alto mar, em profundidades de até 700 metros (como na foto deste post).

O Brasil precisa — e pode — capacitar-se tecnologicamente para participar deste movimento. É preciso vontade política e criatividade. O economista Ignacy Sachs sugeriu, há cerca de dois anos, um caminho prático. Ele sugeriu usar os recursos do pré-sal brasileiro para construir a transição para uma economia pós-petróleo. Quis lembrar  que a imensa riqueza gerada pelos novos campos de petróleo permitirá ao país financiar, entre outros projetos, um vasto investimento em fontes limpas de energia. Haverá pressão social suficiente para tanto?

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4 ideias sobre “Energias limpas: Austrália ensina a baratear

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