⏯️ Seria o Emprego Digno uma utopia inviável?

Surgem, no Brasil, propostas na contramão das “reformas” trabalhistas. O deputado Glauber Braga defende que o Estado ofereça ocupação a todos que desejem. E sustenta que fazê-lo, poderá desencadear uma Virada Sócio-Ambiental

Se preferir, escute na versão podcast:

Entrevista a Antonio Martins, no OP Entrevista

Como construir, no pós-pandemia, uma sociedade mais justa e democrática? Do ponto de vista teórico, multiplicam-se as visões. Elas inspiram-se nos gestos de solidariedade que emergem, durante a quarentena; e nos protestos sociais, que começam a se espalhar por distintas partes do mundo. Estas propostas incluem a Renda Universal; os Bancos Públicos; a expansão do Comum – expressa na garantia, pelo Estado, de serviços de excelência: Educação, Saúde, Transportes e Moradia, entre outros.

Mas, para que despertem mobilização, estas visões de um futuro com traços pós-capitalistas precisam se materializar em mudanças concretas. O deputado Glauber Braga (PSOL-RS) tem uma contribuição neste rumo. Ele empenha-se em debater um projeto que apresentou em outubro do ano passado, em favor da Garantia de Emprego. A proposta é o avesso das ideias de “Reforma” Trabalhista que têm sido impostas, sem debate, desde 2016. Implica assegurar pleno emprego no país – sempre com postos de trabalho dignos. Envolve, para tanto, ação do Estado – que oferecerá ocupações a todos os que as desejarem. Produzirá, se aprovada, uma revolução no mercado de trabalho – pois, ao eliminar o desemprego, impedirá que os empregadores rebaixem os salários e direitos sociais recorrendo ao chamado “exército de reserva”. E, mais importante: está ligada a uma espécie de Virada Sócioecológica. As ocupações criadas visam requalificar os serviços públicos, transformar a infraestrutura do país e iniciar a conversão ambiental da Economia.

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A proposta de Glauber Braga dialoga com a ideia de Green New Deal – sustentada por novos movimentos pós-capitalistas em diversas partes do mundo. Como executá-la, num país de orçamento reduzido, de “teto de gastos” imposto desde 2016 e de pressão ideológica, já visível, por uma rodada ainda mais radical de privatizações e corte de gastos públicos, a partir de 2021?

A resposta de Glauber é clara: nada se fará de avançado, no Brasil, sem romper os limites da ortodoxia econômica. Enquanto os parlamentares – inclusive da esquerda – limitarem-se a buscar centavos no Orçamento, para amenizar os efeitos da crise, colherão mesquinharia e frustrações. É preciso mostrar que, numa única penada, o Banco Central permitiu que a oligarquia financeira criasse, em seu próprio favor, R$ 1,2 trilhão, em 23 de março. É preciso recuperar estes instrumentos para as maiorias.

Na última quarta-feira, Glauber Braga concedeu a Outras Palavras a entrevista cujo vídeo está acima. Além da Garantia de Emprego Digno, ele falou sobre a Renda Universal da Cidadania, a luta para ampliar e estender o Auxílio Emergencial contra a covid-19 (sabotado de múltiplas maneiras pelo governo Bolsonaro) e os sinais de que o cenário atual de nuvens escuras, marcado pela confluência entre protofascismo e ultracapitalismo, pode estar se transformando.

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