Polêmica: tapar o sol com peneiras?

A esquerda crítica não tem motivo algum para negar a insatisfação popular contra o governo – muito menos, para desqualificá-la…

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Por Tadeu Breda | Imagem: Pieter BruegelA Parábola dos Cegos (1568)

Em dois meses e meio de segundo mandato, Dilma e PT parecem bastante encrencados. As manifestações de 15 de março são provas cabais de que as tentativas de conciliação nacional fracassaram rotundamente.

O desespero deve estar espesso feito neblina nos corredores do Planalto. Com razão. O governo parece não saber o que fazer diante de ativistas virtuais que se mostraram surpreendentemente reais. São pessoas que não se destacam pela formação política, não dispõem de discursos articulados ou argumentos sólidos, mas que gritam bem alto e mobilizam com inquestionável eficácia.

Claro que estão sendo ajudados material ou simbolicamente pelos partidos da oposição. Alguns desses novos líderes dividem seu tempo entre a militância nas redes e o trabalho no governo paulista, por exemplo. Também se fala em assistência internacional de atores sociais e econômicos norte-americanos. Nada disso deveria surpreender nem alarmar.

Se movimentos de esquerda brasileiros trocam experiências com seus pares latino-americanos, europeus, africanos, por que os ativistas de direita não fariam o mesmo? Recursos estrangeiros para financiar a defesa e intensificação do status quo jorram desde sempre. Basta acenar com a mão para recebê-los. A ligação com partidos tradicionais tampouco deveria escandalizar. Sabe-se (e não se deveria criminalizar, como se costuma fazer à direita) da ligação entre partidos de esquerda e organizações populares, estudantis, sindicais.

Temos visto um debate bastante pobre, em que parte da esquerda, perplexa, reproduz alguns discursos deslegitimadores da mobilização social que até então ficavam restritos à direita. Governistas e antigovernistas, com petistas e antipetistas à frente, têm se limitado a apontar os dedos uns para os outros, numa disputa insana que alimenta a espiral do ódio e da incompreensão. Mas a esquerda crítica pode se salvar caso consiga desvencilhar-se do debate rasteiro e tente compreender – em vez de apenas rechaçar – o que está acontecendo na sociedade brasileira.

É preciso deixar de ridicularizar instantaneamente os recentes protestos e panelaços. Os comentários que reinaram nas redes esquerdistas após as vaias recebidas por Dilma no discurso do Dia Internacional da Mulher erraram o alvo. Preferiram deslegitimar os reclames residenciais em vários aspectos: porque chamaram a presidenta de “vaca” e “vadia”; porque os ruídos teriam emanado das exclusivíssimas panelas Le Creuset; porque os descontentes jamais haviam pegado na caçarola para cozinhar o próprio feijão; porque sequer deixaram o conforto de suas varandas-gourmet para xingar a presidenta; porque os desagradáveis barulhos foram ouvidos apenas nos bairros mais chiques.

Quando os autores do panelaço desceram pra rua, uma semana depois, começou-se a dizer que eram apenas brancos loiros da elite; que não havia negros nem gente da periferia pedindo impeachment; que bonecos do Lula e da Dilma degolados, cartazes reivindicando intervenção militar e abraços calorosos na polícia revelavam os motivos inconfessáveis da massa ignara; que as contagens do Datafolha, até então braço estatístico da tal “imprensa golpista”, desmentiram a PM e expressaram a verdade sobre o número de manifestantes reacionários; que vestir-se com a camisa da Confederação Brasileira de Futebol e reclamar de corrupção era prova de que essas pessoas não sabem o que estão fazendo.

Mais ou menos verdadeiras, mais ou menos relevantes, o fato é que nenhuma dessas críticas alcança o nervo. Tampouco rompem com a lógica que alimenta o confronto PT x Anti-PT que estamos vendo e vivendo com cada vez mais intensidade. Serve para produzir memes e viralizar entre os amiguinhos nas redes sociais. Serve também pra arrancar boas risadas – e os deuses atestam a importância do riso. Mas só. A tentativa de compreensão passa longe.

O que muita gente de esquerda tentou fazer depois dos panelaços e protestos foi se agarrar em alguns casos isolados e acreditar – ou fazer acreditar – que representavam o todo. Nada mais falso, nada mais direitoso. Parece a Veja tentando destruir lutas sociais inteiras porque um integrante do movimento quebrou vidraças ou xingou o repórter da Globo. Pode ser que alguém tenha batido frigideiras francesas durante o discurso da Dilma, o pronunciamento de seus ministros e sua aparição no Jornal Nacional. Mas é óbvio que nem todos os paneleiros fizeram o mesmo. Caso contrário, a Le Creuset seria uma das empresas mais lucrativas no país. O mesmo com as especulações sobre varandas-gourmet: não há tantas assim em São Paulo, há?

Quanto ao machismo, presidenta ou não, é indiscutível que chamar uma mulher de “vaca” ou “vadia” é uma atitude detestável. Mas não tem a ver essencialmente com machismo os palavrões cuspidos contra Dilma. Numa sociedade como a nossa, que submete, tolera e por vezes incentiva inúmeras formas de violência contra a mulher, deve indignar, claro, mas não deveria ser inesperado que uma chefa de Estado padecesse o mesmo mal que tantas brasileiras todos os dias. Num acesso de raiva, a ofensa sexista é a primeira que vem à língua. Odioso, mas hemos de convir que machismo, no caso do panelaço, é apenas um ramo da querela, não seu caule – e muito menos suas raízes. Não há porque deslegitimar o protesto por causa disso, mesmo que, com isso, a grita se empobreça ainda mais. Até porque não implodimos reivindicações de amplos setores da esquerda, que são justas, apenas porque seus representantes são machistas.

O buraco também é mais profundo do que sugerem as avaliações de que a rebeldia vem apenas da elite. As pesquisas indicam que a popularidade do governo está ruim em todos os níveis sociais, mas ninguém pode negar que os opositores mais ferrenhos de Dilma estão concentrados nas classes média, média alta e alta. Pode-se considerar que, num país desigual, como o Brasil, quem está localizado nestes estratos faz parte de uma certa elite. Sim. Mas a imagem de madames oxigenadas e coxinhas de camisa polo babando impropérios carece de fundamento. Acontecem, claro, mas são demonstrações marginais frente a um mar de descontentamento.

A multidão que foi à Avenida Paulista no domingo era essencialmente a mesma gente comum que caminha pelos centros da cidade, indo e voltando do trabalho todos os dias. Estão nos shoppings, nas academias, nas universidades públicas e privadas. Pobres e miseráveis? Talvez alguns poucos, quase imperceptíveis. Majoritariamente brancos? Sem dúvida. Podres de rico? Certamente não, quiçá uns quantos aqui e ali. Mas a esquerda também possui membros cheios da grana – e que não devem ser menosprezados apenas por isso, como costuma ocorrer.

Do lado de cá, tampouco temos conseguido mobilizar massivamente as periferias. Nem por isso nos apressamos em dizer que nossas demandas são injustas. Recentemente, o próprio PT tentou desmoralizar os protestos contra o aumento das tarifas de transporte público em São Paulo dizendo que os manifestantes não passavam de riquinhos revoltados sem causa. Um belo argumento, não? A direita faz o mesmo quando convém – e já passou da hora de jogar no lixo os argumentos de conveniência. As críticas sobre ausência de negros ou moradores dos bairros mais pobres nas manifestações de domingo, por mais que sejam parcialmente verdadeiras, são inócuas para a causa que está sendo defendida nas ruas.

Ao reclamar do excessivo poderio de alguns aristocráticos empresários de rádio, jornal e TV, o governo parece esquecer que teve doze anos para reduzi-lo e distribui-lo, com vistas à construção de uma comunicação mais justa e condizente com a realidade do país. Sequer tentou. Reclamar é sempre mais fácil que lutar, mesmo quando se tem consigo uma parcela significativa da população disposta a vestir vermelho e tomar as ruas em prol de mudanças reais. Ou tinha.

Nestes dois meses e meio de mandato, Dilma se afastou ainda mais dos eleitores que a elegeram esperando uma fantasiosa guinada à esquerda. A nomeação de ministros em nada identificados com as lutas sociais e as políticas de ajuste fiscal que penalizam os penalizados de sempre enquanto aliviam a barra dos mais beneficiados acabaram por divorciar o governo da esquerda. Apenas setores mais fanáticos recusam-se a enxergá-lo. E ainda acreditam que, convocado, o povo vai pra rua defender seus líderes. É um governo que agrada os dirigentes da burocracia social, vira as costas para as bases e afaga adversários, enquanto intensifica injustiças contra camponeses e indígenas com obras de “desenvolvimento” nos rincões do país. Não há como defendê-lo à esquerda.

Por isso, não devemos entrar no teatrinho encenado por petistas e antipetistas. É um jogo de fantoches que serve ao poder e não ao empoderamento. Se é verdade que toda crise guarda também sua dose de oportunidade, ei-la. Nós sabemos que a corrupção não é culpa exclusivamente dos partidos que ora ocupam o Planalto, a Esplanada e as empresas públicas da União. Nós sabemos que o sistema está corrompido há décadas. Nós sabemos a quem serve o Estado. Por isso, não devemos santificar o resultado das eleições como alguns setores progressistas vêm fazendo de maneira inédita. Se a esquerda sempre defendeu que política se faz todos os dias, que as urnas são pequenas demais para comportar nossos sonhos, por que esse fetiche agora com o resultado do pleito?

Demonstrar insatisfação com um determinado governo e pedir sua saída pelas vias constitucionais não é mero golpismo. Assim sendo, fomos e somos golpistas convictos quando pedimos Fora FHC, Fora Collor, Fora Alckmin, Fora Maluf, fora tantos outros governantes corruptos, irresponsáveis e assassinos que já ocuparam palácios de norte a sul do país. Não acredito que os senhores em questão se comparem à figura de Dilma, que os supera largamente em dignidade, mas compreendo que os eleitores da direita façam juízo semelhante à presidenta de turno. Por mais que discorde dos motivos que os fazem gritar pelo impeachment, não posso desmerecê-los porque sim. Seria tremenda hipocrisia.

Os golpistas convictos existem e também estavam nas ruas no domingo. Portavam desavergonhadamente cartazes reivindicando intervenção militar. Aliás, ninguém naquela multidão aparentava constrangimento. Estavam todos muito à vontade – o que também deve ser sinal de alguma coisa que não esse nazifascismo monstruoso de que tanto se fala nas redes esquerdistas. Sabe aquele familiar com quem sempre acabamos discutindo na ceia de Natal? Aquele pai, aquela mãe, aquele irmão, tio ou primo que é gente fina, trabalhador, engraçado, mas que não compartilha absolutamente nada de suas convicções políticas? Ele poderia perfeitamente haver marchado na Paulista dia 15 de março. Se é que não marchou. É triste que estivesse ombro a ombro com verdadeiros tresloucados ideológicos. Mas talvez nem tenha percebido – e isso é ainda mais triste.

Toda a formação política que temos ou julgamos ter, as horas intermináveis de leituras, reflexões e discussões, as causas em que nos metemos e as mobilizações de que participamos não parecem haver resultado no mesmo poder de convocação e persuasão de que goza, hoje, um grupinho de rapazes com a ajuda da internet e um corolário de lugares-comuns que colam bem nos telejornais da noite. Que há algo muito errado com o PT, já sabemos faz bastante tempo. Mas agora percebemos que também há algo muito errado com a esquerda em geral. Perder a lucidez diante da adversidade e deixar-se levar pelo que dizem piadas engraçadinhas de internet pode nos conduzir a um lugar ainda pior que a perplexidade.

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13 comentários para "Polêmica: tapar o sol com peneiras?"

  1. Peterson disse:

    Nesses últimos dias venho tendo dificuldade em explanar minha visão e sentimento em relação ao que está acontecendo em nosso país…Estava preocupado em dizer algo que não representa o momento atual…O artigo acima simplesmente expôs de forma clara, objetiva e ponderada o que penso e vejo mas que não conseguia descrever. Parabéns!!!

  2. Emerson Heringer disse:

    Tudo que o autor quer é uma esquerda boazinha prá ser comida na janta. Que todos os eleitores de Dilma sejam como ela, perfeita e politicamente correta e sendo espinafrada diariamente pelos meios de comunicação. Incomparável o que a direita (VEJA, GLOBO e quadrilha) fazem com distorção dos fatos e o que a esquerda faz, o autor mesmo, por diversas vezes, reconhece que o que mostramos É FATO!

  3. Lúcia Medeiros disse:

    Vc é Muito Ingênuo na melhor das hipóteses….

  4. Elias disse:

    Faço minhas as palavras do Peterson

  5. José Carlos disse:

    Creio que a leitura da Lúcia Medeiros foi de precisão cirúrgica. Ingenuidade resume a coluna do Breda. Fiquei imaginando uma coluna como essa logo após a Marcha da Família que antecedeu o Golpe de 64. Não se trata apenas daquele cunhado chato com o qual discutimos em jantares. Definitivamente não se trata disso, infelizmente a coisa é bem mais séria.

  6. Bruno disse:

    O Temer não tem um MST armado, treinado e fanático… Nem militontos cegos. É claro que Termer roubaria menos que o PT pq não tem uma massa (sindicalistas corporativistas) defensora de seus erros apaixonadamente. Engraçado os PTistas votam em Temer para vice e depois dizem que este não presta… PTistas… Tampa o sol com a peneira. Reza pra sua cortininha de fumaça cobrir o sol. A retirada do financiamento privado e proibição do financiamento público de campanha é só para entregar a eleição para os sindicalistas e sindicalizados obrigados a pagar imposto sindical pela própria Constituição. O PT já está morto e sem renovação. O sindicalismo vitimista e coitadista vai viver muito ainda. Amanhã vai ser maior

  7. Antônio Campos disse:

    Parabéns ao autor. Após dezenas, talvez centenas de textos, este é sem dúvidas o mais lúcido para o momento.

  8. Considero seu texto um grande favor à esquerda brasileira, mas não acredito que eles estejam dispostos a refletir sobre a raiz, como mencionou.

  9. marcio ramos disse:

    Legal este texto.
    Dois meses de Recife e Olinda onde transitei na periferia – Tabajara, Casa Amarela, Brasilia Teimosa, etc… – nunca vi tanta gente meter o pau no PT. Ulisses, capoeirista mora em uma rua de asfalto esburacado, esgoto a ceu aberto, transporte publico ridiculo, demorou 15 anos pra terminar o sobrado onde ministra aulas para a comunidade DE GRAÇA, tem estudio onde registra o maracatu, o coco, as cantigas de roda etc. Estava P da vida, pois tentou regularizar a situação e recebeu uma enxurrada de impostos, ao que me disse, vou sair fora, nao pago IPTU nem fodendo, nao quero alvara de funcionamento, foda-se a burocracia bandida, olha o bairro que eu vivo. “Comprei terreninho na roça, vou levar a minha vida longe dos burocratas, ate quando der, não nasci pra ser escravo….”.
    Acompanhei algumas reuniões – do Movimento dos pescadores artesanais – do povo que esta perdendo suas terras para os portos, as cidades, os “ricos”. Nada de criticas ao PT, ou, as criticas são do tipo chororo muito parecidas com a tal midia “progressista da net” ou do povo que luta por moradia criminalizando sempre forças ocultas que eu tenho dificuldade em entender – nunca fui de estudar e sempre achei que a vadiagem e o melhor remedio – por que o Pt é lindo? ou, alguem ta ganhando uma grana neste balaio.
    Amigas classe media em SP – todas com negocio proprio – foram pra rua no domingão, voltaram tristes, não queriam dar pulinho na rua mesmo nao sendo “comunistas”. Acharam a manifestação “meio besta”mas sabem muito bem o preço do aluguel, quanto custa a farmacia e como fede a cidade….
    Camarada jornalista, este conhece tudo de tudo de dentro da redação – indignado com os “revoltosos” de direita achando que so a esquerda sabe das coisas. Camarada jornalista – tem frases prontas pra tudo – vive a servidão voluntaria sem se acanhar, tem dificuldades em administrar a propria casa, ninguem está imune da ignorancia, nao acredito em ingenuidade…
    Primo fazendeiro, comprou a primeira fazenda depois de ser campeao de vendas de agrotoxico – trabalha a vida inteira que nem um cavalo – do tipo não ostenta, come calado, ta de boa, votou no PT – é votou no Pt ou pensa que fazendeiro e tudo igual??? – mas quer mudanças e detesta agrotoxico tanto quanto o povo da Sala Crisantempo ( existe ainda???) tanto quanto os indigenas que tomam banho de veneno jogado por aviaozinho do latifundio, e ninguem liga…
    Eu vejo preonceito e discurso violento pra todo lado, a ignorancia é coisa nossa, a natureza não se importa.
    Tanto a direita quanto a esquerda é moralista, cada um puxando a sardinha pra sua brasa, ninguem quer ser uma ilha, a manada não para de crescer.
    A estadista Roussef dá dim dim pra Globo todo santo dia, a presidenta nao gosta de apanhar e sabe o que faz. Mister Lula começou de briga com a industria automobilistica vendeu carro que nem água, fez o que o empresariado queria: melhorou o rendimento do “baixa renda”, deu um tapa no “estudo” pra ver se a mão de obra se ajeita e fica dizendo que a classe media nao gosta de pobre -acho que a classe média vive o pesadelo constante de deixar de ter o que ainda nem conseguiu – e este papo acaba em porrada ou alimentando os facistazinhos de ocasião. O Aécim adora!!!
    As pessoas tem uma necessidade imensa de serem escravas. Algumas estudaram muito pra isso. E conseguem com muito esforço, outros são talentosos em serem escravos com pouco esforço. O trabalho ainda acaba com o mundão, mundão velho e bão…
    Um outro mundo é impossivel, mas vamos la – so nao sei pra onde, talvez o paraiso no além…

  10. Concordo com o artigo. Não aguento mais tanta contradição do pessoal que se diz esquerda. Fui uma militante do PT e hoje sinto-me um grande desconforto com o partido

  11. Reinaldo Miti disse:

    Apos 2013 e agora em marco de 2015, uma otima oportunidade para todos nos que desejamos uma evolucao na sociedade para algo um pouco mais justo, mais coerente e mais humanizado, redesenhar o esboco e refletir nos possiveis erros e acertos, pois destas dependem nossos proximos passos…

  12. Luciana disse:

    Continuo não entendendo direito o panorama social. O político é mais claro, partidário, mas não me interessa. O econômico é óbvio. Mas o social ainda não está claro. Por um lado , pobres que puderam mobiliar melhor a casa, mas que ainda são pobres, e recebem serviços pobres, muito aquém dos que existem. De outro os não pobres, mas que , por pensarem merecer coisa melhor, pagam caro pelos serviços ( escola, médico, conforto). Porque pagamos muito caro, trabalhamos muito mais, somos escravos da vida que queremos. Ninguém está feliz. E não tem governo no mundo que irá convencer uma grande parcela da população que ela precisa se sacrificar pela outra parcela. Estamos em uma encruzilhada social. Me explica isso….

  13. Luiz Eduardo Oliva disse:

    O autor nada, nada para morrer na praia. Ou seja, de forma inteligente faz a critica aparentemente apontando o que poderia ser virtudes da prática da esquerda que agora estaria a criticar na direita (as ligações internacionais por exemplo) utiliza dos argumentos da critica de esquerdistas nas redes sociais às manifestações para elegante e dissimuladamente desconstrui-los e o faz, ao longo do texto, com aparente viés de isenção. Até que…até que trai. E lá coloca: “Do lado de cá, tampouco temos conseguido mobilizar massivamente as periferias. Nem por isso nos apressamos em dizer que nossas demandas são injustas.”. Ou seja, cai a máscara e revela-se arauto bem articulado da direita. E encerra o texto sem propor patavina. Minha conclusão sobre o texto? Assemelha-se às panelas Le Creuset no momento que foram usadas no panelaço: bonitas, barulhentas mas vazias.

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