O vagão para mulheres só anda para trás

Segregar transporte público é sugerir, como outrora, que mulheres são culpadas pela própria sexualidade – e pela dos homens…

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Por Marília Moschkovich, na coluna Mulher Alternativa

No Rio de Janeiro já funciona há 7 anos, no metrô, um vagão exclusivo para mulheres. Desde o meio deste ano, o metrô do DF adotou a mesma medida e um projeto de lei tramita no estado de São Paulo para que o mesmo seja feito. O “vagão rosa”, como é conhecido em alguns lugares, já foi implementado no Japão, Egito, Índia, Irã, Indonésia, Filipinas, México, Malásia e em Dubai. Geralmente funcionam assim: nos horários de pico apenas ou prioritariamente mulheres podem ocupar o espaço do vagão. Isso garantiria, a princípio, que não fossem assediadas nos trens.

O fato de apenas países de cultura sabidamente machista terem implementado esse tipo de política pública não é uma coincidência. Observando um pouco mais de perto a questão, fica claro que além de não resolver nada e reforçar a heteronormatividade e o próprio machismo, os vagões exclusivos ainda fomentam uma outra forma de opressão de gênero. Acompanhem meu raciocínio.

Assédio, em todos os níveis

Quem nunca viveu ou viu uma situação de assédio em transporte público lotado? Em geral os assediadores aproveitam-se da superlotação dos trens para agir. Na cabeça dessas criaturas bizarras, as mulheres são corpos disponíveis, que existem no mundo para agradá-los. Essa é a faceta mais perversa do machismo estrutural, reproduzida e reforçada por homens que muitas vezes, na melhor das intenções, se dizem feministas: a ideia de que eles podem pautar o corpo e o comportamento das mulheres de alguma forma. Esse princípio está por trás de textos machistas do escritor Xico Sá, de versos de Vinicius de Moraes, mas também orienta ações como a de estupradores e assediadores (físicos e verbais) em todos os dias de nossas vidas.

Recentemente a força que esse princípio tem na cultura brasileira ficou evidente, quando os resultados da campanha “Chega de Fiu-Fiu”, do blog ThinkOlga, foram divulgados. Houve muita resistência de diversos homens em aceitar que aquela cantadinha que parece inofensiva acaba limitando a liberdade das mulheres de andarem como quiserem, por onde quiserem, na hora que quiserem. A grande maioria se recusa ainda a entender que nós mulheres não queremos sua opinião sobre como nos vestimos, sobre nossa aparência física, exceto em alguns contextos muito específicos. Quer dizer: novamente, as mulheres existem para os homens, na cabeça de tais espíritos sem luz.

O assédio é frequente, em diversos níveis. Qualquer mulher sabe disso, na pele. Então por que uma medida que (em tese) visa combater o assédio é mal-vista por tantas feministas? As feministas endoidaram de vez?

Os problemas da política dos vagões exclusivos

Para o azar de quem nos odeia, nós feministas ainda não perdemos de vez o bom senso. Vejam só: ao propor a separação de homens e mulheres como solução para o assédio, a política dos vagões exclusivos pressupõe três coisas – e é nessas três coisas que reside a opressão de gênero da questão.

Em primeiro lugar, os vagões exclusivos culpabilizam as mulheres pelo próprio assédio. A questão é abordada como se elas fossem o problema da coisa toda. Essa pressuposição fica clara na ideia de que as mulheres devem ser separadas da “população normal” (ou seja: homens; vejam lá Simone de Beauvoir com seu Segundo Sexo). Separar as mulheres – que são em geral as vítimas da agressão – significa dar liberdade aos algozes.

Quer dizer, os homens que assediam podem continuar assediando em outros espaços, sem que isso tenha nenhum tipo de punição. São comuns os relatos de recusa da segurança do metrô – e das polícias civil e militar – em tomar providências em casos de assédio. Muito comuns. Não é preciso ser nenhum gênio para encontrá-los no bom e velho Google (fica a dica).

Ao mesmo tempo as mulheres, que sofrem as agressões, são confinadas a um espaço limitado. Quer dizer: além dos assédios que limitam nossa liberdade, as políticas públicas que deveriam combatê-los fazem o mesmo. Não faz o menor sentido, não tem a menor lógica. Para sermos livres precisamos ser menos livres – é isso, mesmo?

Esse tipo de inversão cruel e bizarra acontece em várias outras situações de culpabilização das mulheres. Nas sociedades de cultura machista como a nossa, as mulheres são culpadas pela própria sexualidade – e pela sexualidade dos homens também. Assim, quando sofrem agressões, a solução é limitar, fiscalizar e controlar o corpo e as atitudes delas. Jamais o comportamento dos homens.

Daqui derivamos mais uma pressuposição problemática das políticas de vagões exclusivos: a de que seria natural dos homens não se controlarem sexualmente. Essa pressuposição é problemática em todos os níveis possíveis. Pra começo de conversa, porque trata o assédio e o estupro como se fossem parte do sexo, como se estivessem relacionados a desejo sexual e não a uma opressão e a uma questão de poder (três textos excelentes sobre isso, se você ainda não leu: no Biscate Social Club, na revista Fórum e no Bidê Brasil).

Além desse problemão, a proposta de segregar vagões nos diz que o fato de alguém “ser homem” (o que quer que isso queira dizer – falo brevemente disso em seguida) faz com que necessariamente vá assediar e estuprar mulheres. Não preciso dizer o quão irreal é essa suposição, certo? Há muitos homens que não estupram e um bom tanto que não assediam, nem o farão ao longo de sua vida. Só não arrisco dizer que são maioria ou minoria porque, de fato, não há dados estatística e sociologicamente confiáveis sobre isso (lembrando que ser condenado criminalmente por algo não significa que a pessoa realmente fez, nem que quem não foi condenado deixou de fazer).

Ainda mais fora da realidade do que isso, é a terceira suposição implícita nas políticas de vagões exclusivos para mulheres: a de que homens necessariamente têm desejo sexual por mulheres, e vice-versa. Chamamos essa pressuposição de “heteronormatividade”, e ela aparece também em vários outros contextos em nossa sociedade.

Separar as mulheres dos homens no transporte público, além de tudo que já mencionei, ainda reforça essa ideia retrógrada e surreal de que a heterossexualidade e heteroafetividade são o “normal”, o “natural”, e de que relacionamentos gays e lésbicos são exceção, aberração, etc. Ou seja, no fim das contas, políticas como essa do vagão exclusivo estão muito mais para Marco Feliciano do que para Simone de Beauvoir. Sacaram?

Ao criar esse vagões, assumimos que não haverá “desejo sexual” (ainda supondo que seja essa a questão do assédio – que, sabemos, não é) entre mulheres. Nem entre homens. Fingimos que também não existem vários tipos de assédio contra outras minorias no transporte público e no resto da sociedade brasileira (quem lembra de um adolescente que foi jogado de um trem por skinheads que encasquetaram que ele era gay, há uns anos atrás, em São Paulo?). Não vou nem me atrever a tocar na questão dos estupros corretivos a gays e lésbicas.

Dentro dessas minorias outras, talvez a que mais de ferre com essa separação dos vagões sejam os homens e mulheres trans*. Além dessas três suposições problemáticas das políticas de vagões exclusivos, então, temos mais um problema grave que elas alimentam: como definir quem é mulher e quem não é? Quem tem esse poder?

Na semana passada, uma mulher foi expulsa do vagão exclusivo no metrô do DF porque os seguranças do metrô “decidiram” que ela não era mulher. A definição dessa categoria – “mulher” – não é nada simples, e filósofas, antropólogas e militantes feministas de diversas áreas e profissões debatem exaustivamente a questão há décadas. Certamente na legislação dos vagões não há uma definição sequer sobre o que qualifica alguém de “mulher” e portanto dá acesso ao tal vagão exclusivo.

A classificação acaba sendo feita arbitrariamente pela aparência, portanto. Mas é a aparência que define se alguém é ou não é mulher? Definitivamente, não. O que define o gênero das pessoas é a identidade que cada um constrói para si com o passar dos anos. Dar aos seguranças do metrô o poder de definir quem é mulher, é retirar de cada um a possibilidade de viver sua identidade e sua expressão de gênero. É uma forma de dominação das mais abusivas e cruéis.

Sem nem entrar na discussão de que a identidade de gênero não precisa ser binária (homem ou mulher), e nem fixa para a vida toda, já temos bastante motivo ver que os vagões exclusivos são uma violência contra quaisquer pessoas que não sejam homens cissexuais, de aparência e comportamento lidos como suficientemente “masculinos”.

O vagão exclusivo para mulheres é, portanto, um retrocesso para as relações e opressões de gênero de todos os tipos, já tão consolidadas na cultura brasileira. Tudo o que não precisamos agora, enquanto tramitam o estatuto do nascituro e outros absurdos no Congresso, é de retrocesso.

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26 comentários para "O vagão para mulheres só anda para trás"

  1. Raphael Faria disse:

    Marília, eu gostaria de ler um texto seu sobre o machismo na música atual, principalmente no funk, hip hop e sertanejo. Estas músicas são as que mais tocam no meu bairro, eu mesmo sou monitor em uma oficina ligada ao hip hop e eh dificil explicar isso para a garotada. Parabéns pelos textos.

  2. Marília disse:

    Eu imagino que o assédio nos outros vagões deva aumentar, afinal, a mulher que não se resguarda no vagão exclusivo está “pedindo”…

  3. Angelica disse:

    eu gostei da sugestão do Raphael Faria aí em cima!

  4. Marianne disse:

    No tempo da minha adolescência e juventude lá na periferia de São Paulo, a melhor resposta a esses assédios indesejáveis era o garfo da marmita. Aposto que continua funcionando.

  5. Carolina Siqueira disse:

    No meu tbm Raphael, são as musicas que mais tocam e eu não gosto, mas Marilia, muitas mulheres que sofrem agressão, simplesmente voltam com o companheiro “por que amam” e isso ajuda pra esse machismo todo que há no Brasil, infelizmente no Brasil há essa coisa e temos que impedir, de qq maneira, esse tal vagão de chegar a SP, mesmo porque, se ele chegar, nossos poucos direitos serão cerceados.

    • Marilia disse:

      Não culpe a vítima pela agressão sofrida. A culpa da agressão é do agressor. Independente de qual seja a reação da vítima…
      Se você fosse assaltada violentamente em sua própria casa e não se mudasse de casa, e na semana seguinte fosse novamente assaltada com a mesma violência: a culpa teria sido sua por não ter se mudado?

  6. Feminismo e a vertente de uma justica bem mais plena-direitos e responsabilidades a todos.

    • joão fernandes lucho melgarejo disse:

      não apenas a segregação no transporte, penso que deva se mencionar o que respeita as delegacias da mulher, fato aceito sem moiores questionamentos. no momento que há separação não é apenas o sentido literal, mas na essência os efeitos, pois ao falar de separação falamos da não aproximação e este é o cerne do problema, aliás o mais importante. e o mais grave neste caso é sem dúvida alguma a violenta masculinização da mulher. o que reaalmente deve importar é que as mulheres andem por todas as partes porque os homens precisam apenas de uma dose maior de convivência e isso não será alcançado estando delas separados, seja na mangueira dos vagões seja no interior das delegacias.

  7. Lucas Veloso disse:

    Acho… ou melhor, tenho certeza! você foi além do aceitável. Os três pontos que defende em relação à contrariedade dos vagões somente para mulheres são muito imaginários e não condiz!

    • Marilia disse:

      aposto que você é homem, cisgênero, heterossexual e provavavelmente branco; acertei?

      • Guilherme disse:

        Contradição engraçada presente em alguns discursos pós-modernos:
        Por um lado, a retórica obriga a pessoa a negar de toda a maneira a rotular, definir, categorizar com precisão a identidade de um indivíduo, com a finalidade de celebrar todos os limiares, ambiguidades, preservando a “complexidade do ser humano”. Por outro, quando a situação argumentativa aperta, a categorização, “a redução da complexidade”, a definição direta é uma operação automática e imediata: ‘você É x, y, z, certo?’. Texto fraco, bobo, com esquema de pensamento que parece mais uma equação matemática do que uma análise realmente complexa da questão. Leitura enviesada de um “feminismo” (sic) muito pobre. Parece até que as mulheres não podem frequentar os outros vagões, que não tem essa liberdade de escolha; parece até que essa medida visa SOLUCIONAR (olha a palavra usada no texto, que pobre) o machismo presente na sociedade. Pseudo engajamento que cola para gente que não pensa. Eu esperava mais de uma socióloga do que a simples repetição de clichês (até a menção a Simone de Beauvoir é patética de tão previsível e marcada, parecendo que a autora do texto estacionou nos escritos dela)… Aliás, chuta aí a definição da minha identidade, Marília!

  8. Lucas Veloso disse:

    É incrível como as pessoas são capazes de encontrar todos os dramas, mas a solução, está todo mundo esperando que caia do céu.
    Não defendo de maneira nenhuma o transporte público e nem aqueles que controlam os trens, mas não vi até hoje, uma medida a curto prazo para evitar infortunio às mulheres? Acho a ideia fantástica e abarca toda uma série de necessidades que as mulheres expõem.
    O problema são os machistas que não se controlam? Pois bem, as mulheres são colocadas em um outro espaço em que pertence somente a elas e isso não é uma atitude criminalizadora. Ninguém está falando que as mesmas são culpadas pelos assédios, muito pelo contrário, a ideia problemática dos homens ém relação às mulheres, são colocadas em xeque toda vez em que se toma uma atitude de divisão/distância entre homens e mulheres.
    Agora um ponto que não me desce: o que tem haver a questão da homossexualidade com o vagão das mulheres? Se o homem não tem atração por mulheres, o problema é dele, menos um! Mas você propondo que o assédio pode partir de uma homossexual, o problema é com ela e deve ser resolvido individualmente. As reclamações até agora se referem aos homens e isso está sendo resolvido, agora, propor problemas que ainda não aconteceram é um defeito, espero que perceba isso!

  9. Larissa disse:

    E outra problemática: se a mulher não usar o vagão exclusivo e for assediada ela estará ‘pedindo’. Lamentável.

  10. Bruno Flores disse:

    Realmente sempre achei que esses vagões eram uma forma de apaziguar o problema, e não resolve-lo. A única coisa que não concordo é sobre a classificação de gênero. Em um caso aberto assim, a aparência conta sim como classificação, mas dentro dessa aparência deveriam estar incluídos homens e mulheres trans. Você não pode esperar que um segurança do metrô faça uma avaliação psicológica do passageiro para saber se ela(o) é ou não trans, ou apenas um espertinho vestido de mulher para entrar no vagão. Existem dois sexos, macho e fêmea (não estou falando de gênero), e partindo desse princípio deveriam criar na lei ramificações aceitáveis que englobassem os gays e trans para coexistirem pacíficamente. Até porque em uma situação hipotética, uma pessoa pode muito bem se vestir, agir e criar uma identidade de que é um pombo e tentar entrar no metrô de graça. Em Botafogo tem vários pombos no metrô. Brincadeiras a parte, sou a favor da liberdade sexual de todos, mas temos que ter o pé no chão e pensar em boas formas de lutar contra o imperialismo machista dessa país. Se falei alguma besteira me corrijam por favor!

  11. Quézia Meira disse:

    A que ponto chegamos para ter que dividir os vagões pelo sexo de cada pessoa que o ocupa. É uma lástima. Machismo deveria ser visto como um problema na saúde pública, já que afeta a todos, até mesmo os homens. Mas diante de tais situações, eu sou forçada a aceitar essa divisão. Acho válida a ideia desde que a conscientização seja mais eficaz, fiscalização. Eu e muitas outras mulheres já fomos vítimas desse tipo de coisa, seja no vagão, no ônibus, na rua… enfim. Que esse seja um meio provisório apenas.

  12. Roger moore disse:

    Nos países muçulmanos, a divisão dos vagões não acontece por conta de assédio: nesses países, a divisão acontece em todo lugar. Há táxis e onibus só para mulheres, por exemplo, por conta das leis religiosas desses lugares – e a lista apresentada quase que só tem paises muçulmanos.
    Nem em todos os lugares a divisão dos vagões femininos é motivada pelo assédio, ou pelos mesmos motivos. No caso do Mexico e do Japão, a medida foi instituida para que grávidas, mães com crianças e idosas tenham mais comodidade para embarcar e não virem vitimas do empurra-empurra, pois nesses lugares a superlotação é constante nos metrôs.

  13. Bruno Bytner disse:

    Se essa lei for aprovada, mulher nenhuma vai poder pegar ônibus normal então ??? Pq se eu vou ser impossibilitado de entrar no ônibus só para mulheres, estando atrasado para ir ao trabalho, também não vou querer ver mulher entrando em ônibus normal. Se é pra dividir que seja feita a divisão então, homem não entra em ônibus pra mulher e mulher não entra em ônibus pra homem…. caso não seja assim.. é um preconceito contra homens mulheres terem mais direitos de transportes. Ou estou errado ?

  14. Bruno Bytner disse:

    Só corrigindo: é um preconceito contra os homens o fato das mulheres terem mais direitos de transportes*

  15. Bruno Bytner disse:

    Transexual não vai poder entrar em ônibus nenhum. vai ser chutado pra fora dos dois.. ? Ridícula essa divisão por gênero.

  16. giovanna disse:

    filha se tu n gosta da ideia a vontade basta nao entrar no vagao exclusivo … 🙁

  17. Diogo Bastos disse:

    Texto interessante para se refletir, mas não concordo com tudo. Os argumentos são bons em alguns pontos, mas possuem inconsistências em outros. Ex: se uma mulher perde a liberdade ao ser confinada a um espaço específico, que pressupõem que ela é o agente potencializador do problema, isso quer dizer que os demais que não podem pertencer à aquele local são mais livres que elas?
    Talvez o ponto a se abordar fosse que sim, os trajes que as mulheres usam devem ser controlados de acordo com o local onde estão , ninguém deve ter o direito de utilizar sua sexualidade de maneira aleatória -independentemente de isso, ser ou não uma restrição dos direitos. Em empresas enquanto as mulheres podem usar no verão sapatos abertos, vestidos, os homens não podem usar shorts, regata ou qualquer coisa que esteja fora do figurino, e ninguém vai ver um homem fazendo escândalo por isso. Viver em uma sociedade democrática é respeitar regras, é entender que a sua liberdade esta restrita a espaços onde você é capaz de controlar a quem, como e onde a exerce e não resume a um lugar onde se usa, se faz e se fala o que quiser.
    Entender que sim a forma de roupa afeta as reações externas não é complexo, mas parece que na maioria das vezes as pessoas esquecem que produtos – no nosso caso roupas e calçados – possuem 3 tipos de Status:
    Status social: Esse status determina quando e até quando um item cumpre com a função de identificar grupos e subgrupos. Ex: (executivos em entrevistas de emprego, se vestem com roupa social; alguns amantes de determinados ritmos musicais também apresentam vestimenta semelhante; subgrupos em faculdades são identificados facilmente por roupas de marcas específicas e etc).
    Status Funcional: Esse status se refere a capacidade de um item consegue satisfazer as suas características funcionais. Ex: sapatos furados deixam água e outras coisas entrarem, podendo até machucar o pé do dono, logo esta deixando a desejar no status funcional (proteção, conforto).
    Status psicológico: Essa status é o mais complexo, mas também o mais simples de se notar, porque ele agride diretamente o que somos mais sensíveis a nossa percepção. Quantas vezes trocou um celular, tênis ou qualquer coisa que cumpria com seus status social (identificava o subgrupo), funcional (não possuía defeitos físicos) mas que por algum motivo já não te agradava mais?
    Por fim a minha opinião é que sim ISSO É UM CONVITE. A mensagem que imagem passa é, eu não tenho nada a esconder, pode olhar, e ver como o que eu tenho é bonito. Eu podia estar vestida de qualquer forma, mas a forma que estou mostra exatamente o que quero que olhem. Não precisa ser nenhum gênio para entender que a vestimenta, tanto de homens como de mulheres, determina sim a mensagem implícita que eles querem passar. Mas a psique humana não se limita a olhar, ela processa os estímulos e irá convertê-los em uma ideia que pode ser agradável ou não.

  18. Mara Machado disse:

    Gostei bastante do texto e concordo com todos os pontos. No entanto vivi no Egito e agora na Índia e não sei o que seria de minha circulação nas cidades sem essa política. Apesar de não resolver o problema do assédio, esses vagões garantem de alguma forma uma tranquilidade maior nas jornadas no transporte público; mas claro que precisamos de muitas outras políticas para mudar a cultura e acabar com necessidade de vagões especiais.

  19. Tarcísio Pacheco disse:

    Concordei com tudo o que foi escrito, é uma análise exaustiva e correta. O que eu acho é difícil resolver o problema. O vagão cor de rosa é execrável e é um retrocesso civilizacional mas faz sentido em alguns países extremamente atrasados em termos de mentalidades e realmente perigosos para as mulheres, como Índia, Paquistão, etc. É uma maneira prática de resolver o problema no imediato e proteger mulheres que estão realmente sob grande risco. A estratégia certa é bem lenta pois reside totalmente no processo educativo e na evolução social daí decorrente. Ajuda muito se houver educação sexual nas escolas e no seu programa estiver claramente inserido o respeito pela outra pessoa, que nunca pode ser vista comop objeto em circunstância alguma. Medidas como aumentar a fiscalização e o policiamento ajudam mas são apenas paliativas, não atuam na origem do problema. Medidas interessantes são aquelas que tentam promover e acelerar a evolução social, dando visibilidade a este tema nos media, abrindo o debate para o grande público, fazendo campanhas diversas, inclusivamente campanhas que tenham como palco precisamente os grandes centros de transporte coletivo, como o metrô. O problema do assédio é real e bem difícil de resolver. A contribuição mais importante para a sua resolução passa sempre por não esconder o problema e dar-lhe toda a visibilidade, nas escolas, nos media, nos lugares onde ele acontece. Eu sei que não adiantei muito mas este problema não tem soluções fáceis nem rápidas. Tarcísio, Açores, Portugal.

  20. Isadora disse:

    Maravilhoso.

  21. Carlos Oliveira disse:

    Excelente reflexão!

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