"Mensalão": por que reabrir o caso

Erro grosseiro do STF aparecerá. E surgirá oportunidade de debater financiamento empresarial dos partidos, principal mecanismo de corrupção no Brasil

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Um erro primário do STF virá à tona. E surgirá oportunidade de debater o financiamento empresarial dos partidos, principal mecanismo de corrupção política no Brasil

Por Antonio Martins | Imagem: Paul ChatemIslan of the Colorblind

Este texto inaugura uma parceria entre “Outras Palavras” e “Carta Capital”. A partir de hoje, parte de nosso conteúdo passará a ser publicada simultaneamente no site da revista, em nova iniciativa para fortalecer os laços entre as mídias contra-hegemônicas.

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Se o voto do ministro Celso de Mello encerrar, nesta quarta-feira (18/9), o julgamento do chamado “Mensalão” pelo Supremo Tribunal Federal (STF), milhões de brasileiros irão sentir-se aliviados e engrandecidos. Tendo acompanhado o episódio, durante oito anos, por meio dos jornais e da TV, eles acreditarão que surgiu, enfim, um caso em que o desvio de verbas públicas não ficará impune. Certas circunstâncias ampliarão seu júbilo. Entre os condenados, haverá “peixes graúdos”. Não será poupado o PT, partido no governo há dez anos. E, glória máxima, parte dos réus irá para a cadeia – o símbolo maior e mais humilhante dos sistemas punitivos modernos. Ficará aberto caminho, pensarão estes milhões, para moralizar a vida política e resgatar a República.

Será um engano trágico, por dois motivos. Do ponto de vista factual, surgiram, nos últimos meses, sinais concretos de que o chamado “Mensalão” não envolveu desvio de recursos públicos. O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo e hoje presidente do STF, ignorou estes sinais; teme que este erro primário torne-se claro; é, também por isso, um opositor ferrenho da reabertura do caso.

Mas o engano principal seria político. O encerramento do processo, no pé em que está, evitará que a sociedade debata a corrupção da vida política por meio do dinheiro oferecido pelas empresas aos partidos e a suas campanhas eleitorais. Este é, de longe, o principal mecanismo para submeter as decisões políticas ao poder econômico, e para promover o enriquecimento ilícito de ocupantes de cargos públicos. Está exposto, em detalhes, no episódio do “Mensalão”. Encarcerar José Dirceu e seus colegas, e não examiná-lo, satisfará o ímpeto punitivo com que alguns julgam possível enfrentar a corrupção. Mas varrerá para debaixo do tapete o motor que a impulsiona.

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A derrubada do mito segundo o qual o “Mensalão” envolveu apropriação e desvio de recursos públicos é obra de um mestre: o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, que dirigiu, nos anos 1970 e 80 algumas das principais publicações da imprensa de resistência à ditadura1. Hoje, toca a revista Retrato do Brasil, Lá, ele e a repórter Lia Imanishi, escrevem, desde fevereiro de 2012, uma série de reportagens investigativas sobre o julgamento, pelo STF, da Ação Penal 470 (AP-470) – a que examina o “Mensalão”. Seu trabalho estende-se por ao menos nove edições regulares da revista [1 2 3 4 5 6 7 8 9], um número especial e um livro. Os textos expõe em detalhes como dois Procuradores-Gerais da República e diversos ministros do Supremo, a começar por Joaquim Barbosa, passaram por cima dos fatos e construíram, para o episódio, a versão que mais interessava à mídia, à opinião pública conservadora e… ao próprio sistema político.

Denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em junho de 2005, o “Mensalão” chegou à Procuradoria-Geral (PGR) e ao STF um mês depois. Alguns fatos muito graves eram conhecidos, mostram as reportagens. No início do governo Lula, a direção nacional do PT repassou, por orientação de seu tesoureiro, Delúbio Soares, e com apoio do publicitário Marcos Valério, cerca de R$ 55,3 milhões a políticos de cinco partidos: o próprio PT, PL, PP, PMDB e PTB. Os pagamentos foram feitos por meio do chamado “valerioduto” – um esquema que incluía os bancos Rural e BMG, mais a agência de publicidade de Valério e empresas de seus sócios. Além disso, desde agosto daquele ano Delúbio admitiu que cometera crimes eleitorais: arrecadação de fundos junto a empresas sem contabilização (“caixa 2”); distribuição de somas a correligionários e aliados, também “por fora”.

 No entanto, mostra o Retrato do Brasil, os procuradores-gerais Antonio Fernando de Souza (que atuou no caso até o final de seu mandato, em junho de 2009) e seu sucessor, Roberto Gurgel, omitiram-se da investigação deste delito. Estavam empenhados em argumentar que a admissão do “caixa 2” era mera estratégia para ocultar outro crime. Os dirigentes PT, no governo federal, teriam abastecido o partido e as agremiações aliadas com recursos desviados do Estado.

Formular hipóteses é parte das atribuições do procurador-geral, responsável por comandar inquéritos. Mas nem Antonio Fernando de Souza, nem Roberto Gurgel preocuparam-se com os passos posteriores indispensáveis: investigar; demonstrar a suposição; reunir provas. Ao denunciar ao STF, em abril de 2006, quarenta pessoas envolvidas no episódio, o primeiro assegurou que houvera desvio de recursos públicos. À falta de provas, serviu-se de um atalho. Henrique Pizzolato, diretor de marketing do Banco do Brasil (BB) à época dos fatos, figurava ao mesmo tempo em duas pontas do inquérito. Ele havia recebido, por meio do valerioduto, R$ 326 mil. E, na condição de dirigente do BB, autorizara o pagamento de R$ 72,8 milhões à DNA, agência de publicidade de Marcos Valério. Isso bastou para que o procurador juntasse as pontas. A origem primeira do dinheiro repassado ao PT e aliados seria o Banco do Brasil. Pizzolato desviara os R$ 72,8 milhões da instituição que ajudava a dirigir; como recompensa, recebera suborno de R$ 326 mil.

A “demonstração” foi aceita e repetida acriticamente (e à exaustão), nos últimos sete anos – a começar pelo sucessor de Souza e pela maioria dos ministros do STF. Num de seus textos, Raimundo Pereira descreve, com humor, o discurso empolado que o ministro Gilmar Mendes proferiu na sessão do tribunal, transmitida ao vivo pela TV, em 29/8/12. Está no YouTube. Voz empostada, gestos teatrais, Mendes indigna-se: “O que fizeram com o Ban-co-do-Bra-sil?” E prossegue: “Em operações singelas, se tiram desta instituição 73 milhões, sabendo que não era para fazer serviço algum. […] Eu fico a imaginar […] como nós descemos na escala das de-gra-da-ções”. Três semanas antes, ao apresentar sua acusação, no plenário do Supremo, o procurar-geral Roberto Gurgel, assegurara: “Foi sem dúvida o mais atrevido e escandaloso caso de corrupção e desvio de dinheiro publico realizado no Brasil”.

Em nenhum momento, Pizzolato admitiu as acusações que lhe foram feitas. Os R$ 326 mil recebidos via valerioduto, sustentou, foram para o PT. Todos os pagamentos do BB à DNA correspondiam a serviços efetivamente prestados pela agência. Conforme reza um princípio elementar do Direito, cabia aos que o acusavam provar sua culpa.

Poucos sabem, mas o princípio básico da presunção de inocência não foi respeitado, no julgamento da AP-470. O STF considerou que, sendo os réus pessoas “muito poderosas”, e tendo eles supostamente formado uma quadrilha para apagar as marcas de seus crimes, era possível condená-los com base em indícios consistentes. Pizzolato, por exemplo, foi condenado por unanimidade, em três das acusações que enfrentou e, por 11 votos contra um, numa quarta. Devido à ampla diferença de votos, não poderá beneficiar-se do direito a apresentar “embargos infringentes”, mesmo que o ministro Celso de Mello considere-os legítimos. Sua pena está fixada em 12 anos e 7 meses de prisão mais multa em torno de R$ 1,3 milhão.

A partir de outubro, no entanto, restou-lhe um alento moral. As reportagens de Retrato do Brasil refizeram a trilha de seus argumentos e comprovaram sua veracidade. O STF não permite a Pizzolato reivindicar sua presunção de inocência, mas Raimundo Pereira e Lia Imanishi estão conseguindo comprovar que ele não é culpado do que lhe atribui o Supremo. A partir dos próprios autos do processo, flagrantemente ignorados por dois procuradores-gerais e diversos ministros do Supremo, levantaram 99 notas fiscais que comprovam: os R$ 72,8 milhões pagos à DNA referem-se a promoções e eventos reais, que ocorreram às vistas de milhares ou milhões de brasileiros e têm documentação fiscal regular.

Se estivessem interessados em cumprir sua função constitucional, e não em condenar de antemão, os procuradores e ministros poderiam ter chegado às mesmas conclusões dos repórteres. Verificariam que os recursos pagos pelo BB à DNA não “tiraram da instituição 73 milhões, sabendo que não era para fazer serviço algum”. Custearam eventos patrocinados pelo cartão de crédito do banco (bandeira Visa), ou promoções para divulgá-lo. Entre elas, o Réveillon do Rio de Janeiro; o Círio de Nazaré, em Belém; o Festival de Inverno de Campos do Jordão; a exposição de cultura africana Projeto África, no Centro Cultural do banco no Rio de Janeiro; a publicidade do BB nos biquínis, sutiãs e bandanas das campeãs mundiais de vôlei de praia, Shelda e Adriana; dezenas de peças publicitárias veiculadas pela Rede Globo…

As descobertas de Raimundo e Lia, que desmentem os vereditos do STF, foram feitas em outubro do ano passado e têm sido apresentadas, desde então, com profundidade e detalhes cada vez maiores, nas sucessivas edições do Retrato do Brasil. Foram tema central de debates e atos de protesto contra a forma como se deu o julgamento do “Mensalão”. Até agora, não foram contestadas por nenhum ministro do Supremo, nenhum dos dos procuradores-gerais da República envolvidos no caso, nenhum dos jornais ou jornalistas que defendem a tese do “desvio de dinheiro público”. Todos usam, como defesa, o silêncio e a inércia.

* * *

 Ao desprezarem a investigação de crime eleitoral e optarem pela tentativa de caracterizar desvio de dinheiro público, ministros e procuradores fizeram uma opção política e de, digamos, marketing pessoal. Desvio atrai manchetes e holofotes, além de evocar cadeia. Afirmar que a AP-470 tratou do “mais atrevido caso de corrupção da História” reforça a tese, sempre repetida pelos jornais e TVs, de que o Brasil seria melhor se jamais tivesse sido governado pela esquerda. Em contraste, caixa dois de campanha parece coisa banal e corriqueira, algo que todos os partidos praticam, assunto desimportante. Será?

O economista Ladislau Dowbor, professor da PUC-SP e consultor de diversas agências da ONU, tem se empenhado em demonstrar o contrário. Numa série de artigos e entrevistas publicados nos últimos meses (inclusive em Outras Palavras), ele sustenta que o modelo empresarial de financiamento dos partidos e dos políticos, no Brasil, é a principal causa do esvaziamento da democracia, do sequestro da política pelo poder econômico e do enriquecimento ilícito dos governantes. Sem desmontar este modelo, diz Ladislau, combater a corrupção será sempre uma caça catártica – porém vã – a bodes expiatórios.

Nas “sociedades de espetáculo”, altamente midiatizadas, explica o professor, eleger um político tornou-se extremamente caro; e possuir recursos para bancar muitos mandatos assegura enorme poder político. Em 1997, o Congresso Nacional modificou a legislação eleitoral e autorizou as empresas a investir em partidos e políticos. Desde então, os gastos globais dos candidatos nas eleições dispararam. Segundo o TSE, saltaram de R$ 827 milhões, em 2002, para R$ 4,09 bilhões, em 2012 – um aumento de 591%, em apenas uma década – isso, sem contar o caixa dois. “Eleger um simples deputado, em qualquer Estado do país, não custa menos de R$ 2,5 milhões”, diz Ladislau.

Quem é capaz de mobilizar estes recursos? Uma pesquisa dos professores Wagner Praion Mancuso (USP) e Bruno Speck (Unicamp) revela que “os recursos empresariais ocupam o primeiro lugar entre as fontes de financiamento de campanhas eleitorais brasileiras. Em 2010, corresponderam a 74,4% de todo dinheiro aplicado nas eleições”. Mais uma vez, sem contar os recursos transferidos “por fora”. Quais os efeitos deste vínculo entre pode econômico e mandatos?

Ladislau retorna: “Os interesses manifestam-se do lado das políticas que serão aprovadas – por exemplo, contratos de construção de viadutos e de pistas para mais carros, ainda que se saiba que as cidades estão ficando paralisadas. As empreiteiras e as montadoras agradecem. Do lado do candidato, apenas assentado, já lhe aparece a preocupação com a dívida de campanha que ficou pendurada, e a necessidade de pensar na reeleição. Quatro anos passam rápido. Entre representar interesses legítimos do povo – por exemplo, mais transporte coletivo, mais saúde preventiva – e assegurar a próxima eleição, ele […] sabe quem manda, está preso numa sinuca”.

As consequências deste controle são claras. Ladislau fornece um exemplo, entre inúmeros. “Existe uma bancada Friboi no Congresso, com 41 deputados federais e sete senadores. Dos 41 deputados financiados pela empresa, só um, o gaúcho Vieira da Cunha, votou contra as mudanças no Código Florestal. O próprio relator do Código, Paulo Piau, recebeu R$ 1,25 milhão de agropecuárias (…) Com o financiamento corporativo, temos bancadas ruralista, da grande mídia, das montadoras, dos grandes bancos, das empreiteiras, e temos de ficar à procura de uma bancada do cidadão”…

De que forma este fenômento se desdobra também em lesão direta aos cofres públicos? “Uma dimensão importante deste círculo vicioso”, arremata Ladislau, “é o sobrefaturamento. Quanto mais se eleva o custo financeiro das campanhas, mais a pressão empresarial sobre os políticos se concentra em grandes empresas. Quando são poucas, e poderosas, e com muitos laços políticos, a tendência é a distribuição organizada dos contratos, que reduz as concorrências públicas a simulacros e permite elevar radicalmente o custo dos grandes contratos. Os lucros assim adquiridos permitirão financiar as campanhas da eleição seguinte”…

* * *

Nas eleições de 2012, o PT foi, segundo o TSE, o partido que mais recebeu financiamento privado para suas campanhas: R$ 255 milhões. As grandes empresas são pragmáticas: investem em quem é mais capaz de reunir votos, eleger-se e defender seus interesses: importa-lhes pouco a cor partidária. A entrada dos petistas no circuito das campanhas sustentadas por empresas é, porém, uma das explicações centrais para o retrocesso político do partido – reconhecido por algumas de suas lideranças, como o governador gaúcho Tarso Genro. Nas eleições para o Executivo, os choques são mais crus. Mas na atuação parlamentar, por exemplo, estão se dissolvendo as diferenças – antes nítidas – entre as bancadas petistas e as dos partidos conservadores.

Também por isso, a conduta dos procuradores-gerais e da maioria dos ministros do STF, no julgamento da AP-470, foi grotesco. Tendo em mãos um caso que poderia revelar alguns dos mecanismos centrais de corrupção da política – desde que investigado a fundo –, eles optaram pela busca fácil e preguiçosa de “culpados” individuais, por “jogar para a plateia”, por buscar sem descanso os holofotes. Ao fazê-lo, cometeram, como se viu, injustiças e erros primários.

Se o ministro Celso de Mello optar, nesta quarta-feira, por reconhecer o direito dos réus aos embargos infringentes, haverá alguma esperança de reparar o estrago. Tecnicamente, o espaço para corrigir as sentenças é exíguo. No plano do debate político, serão outros quinhentos. Reaberto o caso, é provável que as revelações factuais recentes feitas pelo trabalho jornalístico de Raimundo Pereira e Lia Imanishi ganhem novo destaque. E – muito mais importante – talvez surja uma brecha para argumentar que o resgate da democracia começa com uma vastíssima reforma política, não com um espetáculo ritual de encarceramento.

1Raimundo Pereira criou e editou Opinião (1971-1977) e Movimento (1975-1980), sobre o qual há um livro, disponível na Internet. Antes disso, dirigiu, entre outros trabalhos, a edição especial da revista Realidade sobre a Amazônia, considerada por alguns como “a maior de todas as reportagens da imprensa brasileira”.

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29 comentários para ""Mensalão": por que reabrir o caso"

  1. Luiz Geremias disse:

    Ok, a discussão é necessária e pertinente, mas Carta Capital não me parece uma mídia “contra-hegemônica”, até pelo contrário; está mais para uma “Veja no espelho”

  2. Paulo Carioca disse:

    Eu me lembro do Opinião e do Movimento,se não me engano foram contemporâneos do Pasquim e tinham até o formato similar.Marcaram época quando a censura era explicita e atuante.A Realidade era outra coisa.As duas.Mas hoje,quando principalmente no mundo ocidental,as megacorporações controlam os quatro poderes,quem participa direta ou indiretamente deste teatro do absurdo,sabe que no mínimo sairá respingado de lama.Ótimo artigo,como sempre.

  3. wanderci disse:

    me parece excelente a matéria, mas falta algo no final, incompleto, inconcluso

  4. Excelente artigo, Antônio, estou vaidoisa por você!!! Vou divulgar onde puder!

  5. Ignácio disse:

    Carta Capital atende os interesses do PT, portanto, não posso dar 100% de crédito ao escrito e passarei a olhar com um certo cuidado o que Outras Palavras me envia.

  6. ocaruaru disse:

    Uma coisa não entendo: porque que chamam este governo do PT de esquerda. Que quer dizer esquerda, afinal?

    • Não existe mais esquerda, Ocaruau! O que há, é a dita “esquerda”, velha e carcomida por ideias obsoletas e autoritárias e que se agarram a pedaços heroicos do passado para não naufragar na mesmice da prática política brasileira.
      É necessário dizer que seu momento passou, esquerda tradicional, que as velhas ideias, já eram, que o Messias que abraçamos era “um tigre de papel”! Que não há mais esquerda e, assim, estamos órfãos!
      A teoria da conspiração é coisa de masoquista. Este papo de que a mídia é golpista (e até é!), que a burguesia e f.d.p. (e sua quase totalidade é!) não mobiliza, não oferece nenhuma pauta nova ao debate da sociedade.
      As vestais de ontem, já eram, bem se vê. O partido da Ética, já era (e digo isto com uma dor imensa no peito, triste com a morte da esperança, com saudade do tempo da estrela que brilhava…).

  7. Idalvo Toscano disse:

    Com todo respeito ao prof. Ladislaw, que está certo em seu diagnóstico, mas apenas parcialmente certo, pois o problema não se restringe ao financiamento: o fundamental é a estrutura do sistema de representação que vai direto do eleitor ao parlamento, sem nenhuma forma de mediação DIRETA que estreite o gap antidemocrático entre participação e instituições representativa.
    Outro aspecto: Raimundo Pereira é um ícone do jornalismo da resistência brasileiro, mas não tem procedência restringir tudo o que se passou sob o manto do “mensalão” a uma questão de “sobras de campanha”. Asseverar isto é subestimar nossa inteligência.
    Idalvo Toscano

  8. MURILO ZAMBIAZZI DA SILVA disse:

    Concordo com o Sr. Idalvo, na última parte de sua mensagem, sobretudo. Afirmar que todo esse julgamento foi convergido para apenas uma linha mestra de investigação, sob controle da cúpula (dos 4 poderes) deixando de lado o que seria ‘o principal’ do caso, atenta contra a razoabilidade de todos, políticos, ou mesmo operadores do direito. Não é crível que um caso relevante como esse, pelas proporções que tomara, pudesse ser analisado, apenas, pela linha divulgada. De toda forma, ótimo artigo.

  9. Cezar Busatto disse:

    Caro Antônio, estou de acordo e te felicito pelo argumento de que o processo do mensalão da forma como foi conduzido criminalizou pessoas mas deixou ileso o principal, que é o modelo empresarial de financiar as campanhas eleitorais no país, fonte de corrupção e enriquecimento ilicito, de aprisionamento dos políticos pelo interesse do lucro das grandes empresas e de distanciamento crescente dos políticos dos interesses do cidadão e cidadã comuns. Melhor seria que o resultado do processo fosse a proibição do financiamento por empresas, na medida em que todos os partidos praticam seus mensalões. Ganharia muito mais a política, a democracia e o Brasil! Confesso que essa minha posição foi construída pela reflexão dos últimos dias e pelo preciso argumento do teu texto. Seja qual for o resultado de hoje no STF, temos que intensificar a luta pelo financiamento de campanha publico e de pessoas físicas, com limite de doação,proposta do movimento Eleições Limpas.
    Abraços
    Cezar Busatto

  10. Nivaldo Moura disse:

    Ótimo texto Antônio Martins. É mais q necessário para a saúde do país localizar e remover, sobretudo, corruptores e seus esquemas.

  11. andre disse:

    Acho que tem que reabrir também. É bom que assim a gente discute, discute. Aí discute mais um pouco e daqui a 20 anos já não tem mais como punir ninguém.

  12. Lourival Almeida de Aguiar disse:

    Muito bom o artigo sobre a AP 470. Parabéns! Não entendo como quem faz um Outras Palavras vá se juntar a Carta Capital. Isso não é legal! Se fosse a Caros Amigos, seria outra coisa muito diferente. Por que não fazer isso, meu admirável Antônio Martins, não nos decepcione! Pense nisso…

  13. fernando pina disse:

    Magnífico!
    Assim deixo exposto meu sentimento, após a leitura do texto acima. Penso que embora pedregoso, o caminho em direção a democracia cada dia mais se aproxima do possível. Parabéns aos que combatem com as letras e com faro investigativo, na busca insana da verdade. Faço reservas apenas quanto a anunciada parceria com a Carta Capital. Sei não!
    Respeitosamente,
    Fernando Pina
    xx

  14. Ótimo texto, infelizmente a maioria não tem paciência para tentar entender o que realmente aconteceu e qual a origem do problema.

  15. jayme leitão disse:

    Desculpe o mau jeito, mas é muita cupidez engolir o fato de que uma obscura agência de propáganda de Minas começa a engolir contratos milionários com o governo federal, passando a distribuir dinheiro em malas aos companheiros, e o nobre articulista achar que não há conexão entre os dois fatos… Quer dizer então que os serviços contratados foram escrupulosamente realizados? E que as doações eram uma espécie de contribuição cidadã do Marcos Valério? Gosto do blog e sou leitor constante dos temas que me interessam, mas é preciso, caro Antonio Martins, ficar de olho no articulismo aparelhado – de aparelhado basta o estado brasileiro, com gente despreparada às pencas egressas de cargos obscuros em sindicatos se lambuzando na vida mansa de Brasília. Aliás, só uma reforma do estado brasileiro para acabar com essa distribuição periódica de cargos (e as verbas correlatas) e acanalhice desenfreada que somos obrigados a acompanhar. Assim, nota zero para o seu texto, Raimundo, seja pela cupidez, seja pela parcialidade – qualquer um dos pecados o descredenciam.

    • Medeiros disse:

      Meu caro, parece que você não entendeu a ideia central do artigo. Essa ideia é: não houve desvio de dinheiro público da forma como foi apresentada no julgamento. Mas é claro, e o artigo diz isso, que o PT também utiliza grana das empresas para abastecer seu caixa e entre essas empresas estão as do Marcos Valério. Indiretamente isso também é desvio de dinheiro público, pois resulta em contratos superfaturados. Então, que se puna o PT por isso. E por que não se agiu assim? Porque aí seria necessário punir todos os grandes e médios partidos. Isso me lembra aquela frase atribuída a Rui Barbosa: “Instaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos”. O PT acreditou nela!

  16. jean disse:

    reabrir e colocar o ex-presidente como membro da quadrilha.

  17. Nerita Oeiras disse:

    Obrigada, Antonio Martins, finalmente um artigo sério sobre o caso, com todas as suas nuances, levando à refletir sobre a necessidade de concentrar esforços em uma reforma das leis do financiamento de partidos, analisando o que é realmente a democracia. Excelente e esclarecedor.

  18. marcio ramos disse:

    … bom texto em parte Antonio e era de se esperar… o Lula – agora mais que nunca – vive dizendo que todo processo de financiamento deve mudar e era de se esperar… de se esperar também a briga entre as turmas que querem porque querem o poder e suas devidas torcidas a tiracolo… de se esperar que injustiças sejam feitas pelas torcidas, escondendo um fato que não da para esconder o fato que em terra de sapo coaxaram com eles… mas as devidas torcidas torcem para seu time ganhar custe o que custar e foda-se o resto… com o pizzalao e outras eu vi a credibilidade de todo mundo ir para os ares, e assim voam voam voam se arrastando neste universo virtual sem eira nem beira… concordo com o Idalvo que diz e muito bem que “não tem procedência restringir tudo o que se passou sob o manto do “mensalão” a uma questão de “sobras de campanha”.(…).
    … na boa mas Carta Capital e a Veja tem muito em comum a começar pelo Carta… é sempre bom lembrar tambem que muitos que hj querem acabar com o PIG trabalharam ali por anos até, sabendo muito bem para quem trabalhavam… faz parte faz parte do processo como diz os estudados…

  19. Elize Lima disse:

    Excelente, tanto o artigo quanto a parceria com a Carta Capital.
    Essa ação propicia o fortalecimento de mídias que, de uma certa forma,
    privilegiam a discussão em torno de fatos, mesmo com opiniões divergentes
    ou pontuais.
    Privilegiar o que une e não o que divide, será um caminho para a democratização da informação.
    Abraço, Antonio.

  20. Cristiano disse:

    Não sou ligado a partidos nem acredito q exista direita ou esquerda em nosso país agora um pouco q entendo de políticas do q acompanhei não só pela tv afinal tvs são as principais arma de corrupções de políticos e também principais veículos de político tendo em vista o grande número de dinheiro q ganham com políticos e a quantidade de político com tv e radio nesse pais. Acredito no desvio do dinheiro sim porque se eu te dou dinheiro pra depois vc me abrir as portas isso é claramente um forma de desvio ingenuidade achar q uma empresa patrocina políticos por seus ideais ou pelo bem da nação ou por valorização da democracia. Vivemos en uma sociedade altamente voltada pro lucro se existir empresas cujo o objetivo nao seja lucrar o máximo com i mínimo de esforço me
    a presente

  21. Arnaldo Marques disse:

    Está casa vez mais visível que diante da atual realidade da vida humana associada no planeta, o sistema de repartição do poder dos Estados de Direito (Legislativos, Executivo e judiciário) apresenta inconsistências flagrantes. Constitui assim um desafio dos tempos atuais. Tão somente considerando-se essa realidade, são válidas as criticas relativas ao que ocorre no processo do “mensalão”.
    Mas não podemos deixar-nos levar por sentimentos de origem puramente ideológicos e de alta defesa dos mesmos ao criticar o processo em si passando por cima do Estado de Direito. Há leis em vigor desde a Constituição Federal votada livremente, código penal e código processual.
    Os membros do STF são escolhidos conforme determina a Constituição pelos diversos ocupantes do “puder”, bem como o Ministério Público.
    É simplesmente reducionista alegar que as decisões do STF inibem o debate político e as reformas necessárias.
    O fato dos anseios da sociedade não ter resposta do Estado é comparável a um forte arco com uma corda frágil ou uma boa espada nas mãos de um covarde. Somente lideranças com consciência de cidadania e coragem reúnem condições de vencer as resistências.

  22. Fabio Nolasco disse:

    Por que ninguém procura verificar as fontes de dinheiro para compra de votos, a partir dos maiores temas em discussão no congresso? Transgênicos, por exemplo… isso é uma bomba intocável?

  23. francisco uribam disse:

    Me parece que há uma contradição performativa nos argumentos. O texto diz, entre linhas, que os caras cometeram crime de caixa dois. Logo, houve crime. Daí, em diante, outras acusações, mesmo a declaração de Duda Mendonça, de ter recebido dinheiro em paraíso fiscais e outras tantas, são consideradas armação do STF para criminalizar o PT. No mínimo o PT é réu confesso de crime de caixa dois. Logo, sua postura é de dizer que isso muito comum e já não é motivo de punição ou se até agora ninguém foi punido, não se pode punir. No Brasil é muito comum assassinatos, o índice de violência ´´e muito grande e a impunidade também. Será que devemos começar a pregar que não devemos mas punir por crime de assassinato porque é uma coisa banal?

  24. Chega de heróis!
    Acompanhamos com bastante assiduidade o noticiário que brotou da Ação Penal 470. Ficamos ansiosos por ouvir uma peremptória negativa dos envolvidos (ou boa parte deles) de que os fatos relatos não os envolveram. ; não, no máximo que ouvi ou li foi “não existem nos autos nenhuma prova material de minha participação” ou, seu corolário, “quero ser julgado pelo que contém os autos”.
    Pede-se o “batom na cueca” e se impregna os incautos ou apaixonados com argumentos pífios como se o conjunto probatório devesse cingir-se exclusivamente às provas materiais.
    É um insulto à inteligência da sociedade brasileira conduzi-la a acreditar que todos os indiciados, tudo que se falou, tudo que se comprovou, tudo o que foi entranhado nos autos – depoimentos, extratos, provas testemunhais, rastreamento de valores, desnudamento de esquemas financeiros etc. – tratou-se, nada mais, nada menos de uma trama perfeitamente urdida para “sacanear heróis de nosso tempo”, uma trama – diga-se – midiaticamente espetaculosa! Claro, devidamente financiada pelos poderosos desalojados do poder e contrariados em seus interesses pela “eleição do primeiro operário para presidente”.
    Portanto, digo e repito: o buraco é bem mais embaixo!
    Idalvo Toscano, http://politicasideiasdebates.blogspot.com.br/

  25. Boa tarde,
    Sr Martins acredito que faltam dados na matéria que poderiam explicar melhor o pq da Visanet e Versolatto terem entrado na alça de mira da CPI.
    O Pizzolato não autorizou o pagamento à DNA, ele ADIANTOU a verba para a empresa de propaganda. E foram descobrir isso pq a própria DNA usou esta grana pra fazer o fundo que garantiu os contratos que precisavam de avalista com o BMG e com o Rural (os tais contratos de Delúbio e Genoino). (link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0411200503.htm)
    Em 2005, já haviam descoberto que a DNA recebeu dinheiro de diversas empresas e que os serviços prestados foram sem executados SIM (incluíndo a Globo que depositou Bonus por anúncios de clientes). link http://noticias.terra.com.br/brasil/crisenogoverno/interna/0,,OI607106-EI5297,00.html
    Minha conclusão é que não houve nem haverá contestação de que o dinheiro da Visanet não foi desviado, mas que sim ele foi central e essencial para que os contratos que viabilizaram os pagamentos de partidos políticos.
    O centro da acusação é que o adiantamento (que o próprio BB acusou em auditoria que não constava em decisões colegiadas e sim vinham diretamente de decisões da Diretoria de MKT) serviu ao propósito de avalizar os contratos e que o adiantamento nunca foi justificado. Inclusive se provou que este foi feito com notas frias da própria DNA. link: http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/456816/noticia.htm?sequence=1
    Interessante que o próprio Pizzolato em depoimento ASSUME que favoreceu a DNA e acusou o Gushiken de ter mandado.
    “No segundo depoimento à CPI dos Correios, o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil (BB), Henrique Pizzolato, tentou minimizar sua própria importância no banco, transferindo a responsabilidade pelas irregularidades encontradas pela CPI para outros diretores do BB e para o ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Luiz Gushiken. ”
    link:
    http://www12.senado.gov.br/jornal/edicoes/2005/12/12/pizzolato-culpa-gushiken-por-favorecimento-a-dna
    Sei que a grande mídia abusou de errar no caso, e que agiu enganando os brasileiros simplificando o caso como “desvio de dinheiro”. Mas as acusações são mais robustas e críveis. Ninguém evapora 73 milhões assim da noite pro dia.
    Portanto, a acusação nao é de que os serviços não foram prestados. Mas sim que não houve comprovação de que os serviços tinham sido prestados NA ÉPOCA DO ADIANTAMENTO, ainda resta provado depois da CPI que a DNA soltou notas frias para tentar justificar o tal feito.
    link: http://g1.globo.com/politica/mensalao/noticia/2012/08/revisor-vota-pela-condenacao-de-pizzolato-por-corrupcao-passiva.html

  26. Paulo S. disse:

    O ‘mensalão’ vem funcionando bem como manobra diversionista. Fala-se em mensalão do PT. Quando virá o julgamento do mensalão do PSDB (e não mineiro)?

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