Médicos: as falsas polêmicas e o xis do problema

Direito à Saúde exige reforçar SUS e reverter privatização do sistema. Importação de doutores e extensão do curso são firulas

130719-SUS2

Direito à Saúde exige reforçar SUS (que alcançou conquistas importantes) e reverter privatização do sistema. Importação de doutores e extensão do curso são firulas

Por Lilian Terra

O anúncio do programa Mais Médicos pelo governo federal gerou uma forte reação da classe médica, que ainda não foi compreendida pela maioria. A polêmica medida foi adotada pelo governo como resposta a uma das demandas colocadas nas manifestações de junho: saúde pública de qualidade.

O programa consiste basicamente nas seguintes medidas:

• Estende o curso de medicina por mais dois anos de prestação de serviços no Sistema Único de Saúde (SUS) antes que o médico receba a licença definitiva para clinicar . A formação médica, neste caso, passa a ter oito anos de duração.

• Amplia o número de vagas de residência médica.

• Amplia o número de vagas em medicina nas universidades federais até 2017, sendo 1.815 nos cursos já existentes e 1.800 em novos cursos.

• Prevê a contratação de milhares de médicos para suprir a carência destes profissionais em vários municípios do interior do país. Isso se dará via oferta de bolsa, e não contrato de trabalho. Caso as vagas não sejam preenchidas por médicos brasileiros, serão abertas a profissionais estrangeiros sem necessidade de validação do diploma da faculdade de origem.

As entidades representativas da classe médica, como Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira, Federação Nacional dos Médicos e Associação Brasileira de Educação Médica mostraram-se revoltadas com as medidas anunciadas, principalmente quanto à importação de médicos sem validação do diploma e à instituição de dois anos de serviço obrigatório no SUS. Com isto, deu-se início a um embate entre governo e médicos que tomou conta da imprensa e das redes sociais, sem no entanto aprofundar o debate de um tema tão caro à população.

Não há como negar os avanços do SUS nos últimos dez anos. Houve um aumento de 31,89% na cobertura do Programa de Saúde da Família (PSF), isto é, de 35,7% da população coberta em 2003 para 54,12% em 2013. Em 2003, 4.488 municípios brasileiros contavam com equipes de PSF. Hoje são 5.280 municípios, restando apenas 70 para se atingir a totalidade dos municípios do país.

O programa de Agentes Comunitários de Saúde, que nasceu em 1991 e deu origem ao PSF, foi ampliado em 13.2% e hoje atende 65,04% da população.

A mortalidade infantil atingiu as metas dos Objetivos Do Milênio – estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) — cinco anos antes do prazo. Passamos de 23,3 mortes para cada mil crianças nascidas vivas, em 2003, para 16, já em 2010.

Houve o Lançamento do Programa Farmácia Popular, que, entre 2003 e 2005, aumentou em 75% o volume de recursos para compra e distribuição gratuita de medicamentos no SUS. Hoje existem 558 farmácias populares administradas pelo governo federal em funcionamento no país, e mais de 20 mil unidades privadas conveniadas ao programa. Desde a sua criação, o programa já beneficiou mais de 18 milhões de brasileiros. Além disso, o ministério da Saúde elevou os investimentos nos laboratórios oficiais, para produção de medicamentos, de R$ 20,7 milhões no período 2001/2002 para R$ 80 milhões em 2004.

Mas não só de avanços vive a saúde pública do Brasil. Em 2011, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil gastou US$ 477 per capita em saúde. Enquanto isso, o Uruguai investiu US$ 817,8, e a Argentina, US$ 869,4. O Reino Unido cujo sistema de saúde tem sido apresentado como referência pelo governo, gastou quase seis vezes mais: US$ 2.747.

Além disso, segundo dados do IPEA, entre 2003 e 2011 o gasto tributário em saúde cresceu de R$7 bilhões para quase R$16 bi. Ocorre que, entre 2003 e 2011, o equivalente a 26% do gasto público federal em saúde por ano, em média, deixaram de ser investidos no SUS para serem transferidos para o setor privado. Em 2011, por exemplo, metade do que o governo deixou de arrecadar de empresas ligadas à saúde deveu-se a isenções fiscais concedidas a planos de saúde — o equivalente a R$ 7,7 milhões. O crescimento dessa renúncia fiscal superou, entre 2003 e 2009, o gasto do governo em saúde pública, o que demonstra uma tendência de se privatizar a saúde no Brasil nos moldes do sistema estadunidense, considerado caro e ineficiente. Não é a toa que, entre 2003 e 2011, o faturamento do mercado dos planos de saúde quase dobrou e o lucro líquido cresceu mais de duas vezes e meia acima da inflação.

No entanto, não é este o debate que se vê na grande imprensa ou nas redes sociais. O governo sabiamente aproveitou a imagem do médico mercantilista e desumano que grande parte da população tem – e a tem porque de fato existem médicos assim – e passou a explorar o médico como o responsável pela falência do SUS. O que a população não tem enxergado, porque não tem acesso a esse tipo de informação, é que quem trabalha pelo SUS, hoje, o faz mais por idealismo que por dinheiro, porque recebe muito menos que no setor privado (que também explora, diga-se de passagem). Portanto, os médicos mais humanos que o ministro da saúde pretende formar já existem, e já são empregados do governo. O que eles desejam são condições de trabalho dignas. Muito do que uma equipe de saúde do SUS faz hoje em dia, no sistema como está, seria prerrogativa do SUAS – Sistema Único de Assistência Social – que na prática não existe. A equipe de saúde muitas vezes cuida até mesmo de transporte, alimentação e moradia de seus pacientes. Há casos em Centros de Assistência Psico-Social, os CAPS, em que a equipe administra até o dinheiro daqueles que não têm condição de fazê-lo mas não conseguem um curador.

Segundo as palavras do ministro Alexandre Padilha, uma das medidas do programa Mais Médicos, os dois anos de serviço prestado no SUS ao final do curso de medicina, serviriam para formar, “médicos especializados em gente”. Porém, os quatro últimos anos do curso de medicina já são em atendimento direto ao SUS, diariamente. São cursados em hospitais, ambulatórios e centros de saúde do Sistema Público de Saúde, inclusive em pequenas cidades sem infra-estrutura. Portanto, ainda na faculdade aprende-se o que é a vida da maior parte da população brasileira, aquela que não tem condições de pagar por saúde privada. Os estudantes que têm empatia por essa situação há muito tempo pregam mais distribuição de renda e menos desigualdade social. Há sempre os que não têm empatia e se voltam contra a “gente pobre” e contra o SUS. Há todo tipo de excrescência na sociedade e na medicina não seria diferente, infelizmente.

O contato com a realidade do país, dessa gente que precisa mais, não transforma todos. É pouco provável que mais dois anos de tal prática “humanizem” esses médicos. Talvez um acompanhamento psicológico ao longo do curso fosse mais proveitoso nesse sentido. Há quem afirme que os recém-formados precisam acostumar-se com o SUS e aprender a atuar dentro do sistema. É importante, porém, frisar que ninguém deve acostumar-se à realidade precária do SUS, porque não é isso que os brasileiros almejam: medicina de pobre e medicina de rico. A exigência expressa nos cartazes das ruas de junho deve ser mantida. Eles diziam; “Queremos saúde padrão FIFA”. Muitos médicos querem trabalhar em uma unidade básica de saúde que seja bela e equipada como o Hospital Sírio Libanês. E querem que a população tenha acesso a esse tipo de sistema. Afinal, quem vai querer sistema privado de saúde se o público for excelente?

A medida, todavia, não é somente inócua, é danosa. Caso sejam instituídos os dois anos de serviço na atenção básica, as equipes de saúde terão um novo médico a cada dois anos. Em se tratando de Saúde da Família, essa medida é muito prejudicial. Ser médico de família é justamente conhecer a fundo a saúde daquela população, de modo a, mais que atuar de forma curativa, poder aplicar medidas preventivas reais — o objetivo maior da saúde pública. Quando o estudante começar a se familiarizar com a cidade e sua população, seus dois anos de serviços estarão no final e ele voltará a sua cidade para se formar e fazer residência. Será necessário criar, do zero, novo vínculo com o estudante que chegar.

Outro ponto que sempre se discute é que os médicos formados em escolas públicas devem uma contrapartida à sociedade. Mas o que se esquece é que educação também é dever do Estado, como está explícito na Constituição de 1988. Portanto, é o Estado que deve a muitos destes estudantes os anos de ensino privado pelos quais pagaram, e deve a todos os outros que não tiveram acesso ao ensino superior público a culpa pela falta de igualdade de condições na luta pelas poucas vagas em universidade públicas. Se todos tivessem acesso a boas escolas públicas, do ensino básico ao superior, essa discussão sequer seria necessária. Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado em junho deste ano, indica que o investimento em educação no Brasil aumentou de 3,5% para 5,6% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2000 e 2010, alcançando assim a média de investimento dos países da organização, que é de 5,4%. Porém, a forma como têm sido feitos estes gastos mantém a desigualdade no acesso ao ensino. Em 2010, a educação superior recebeu a maior parcela de gastos no Brasil ─ US$ 13.137 por estudante, mais que a média dos países da OCDE, enquanto os investimentos brasileiros em educação primária e secundária foram muito inferiores aos dos países ricos ─ US$ 2.653 por estudante, comparado com US$ 8.412 nos países da OCDE e US$ 11.859 nos EUA. Fica claro que o governo investe mais em educação superior pública, que atende principalmente aos mais abastados, em detrimento do ensino básico. Se a responsabilidade na divisão dos gastos é somente do governo, não faz sentido exigir contra-partida dos egressos das escolas públicas.

Não obstante o mérito inegável de haver médicos estrangeiros ou estudantes supervisionados, onde antes não havia médico algum, o governo considera essa medida a única resposta possível para uma suposta crise da saúde. Não há, porém, crise alguma, uma vez que os indicadores de saúde melhoraram nos últimos anos. O que há é um problema crônico, consequência de anos de subfinanciamento e má-distribuição de gastos. A falta de médicos também já poderia ter sido sanada de forma mais democrática, sem necessidade de obrigatoriedade de serviço para estudantes ou importação de médicos cuja qualidade não será comprovada por meio de exame. Em 2009, as entidades de classe fizeram uma proposta que ainda está em tramitação no Congresso. A categoria sugeriu a instituição da carreira de Estado para médicos, por meio da PEC 454/09. Caso houvesse sido aprovada na ocasião, a falta de médicos sequer estaria em discussão, pois não seria mais realidade no Brasil. Se o governo visasse uma medida mais definitiva, optaria por este meio, ao invés de Medida Provisória enviada às pressas para o Congresso.

Caso o SUS fosse financiado com 10% da arrecadação do Estado, como pedem os médicos, e não se transferisse tanto dinheiro para o sistema privado, tal medida seria perfeitamente possível. Com isto, esse médico e essa equipe de saúde com carreira de Estado lutariam por melhores condições onde trabalham, pois teriam mais vínculo em seu local de atuação. Essa seria a melhor medida que o governo poderia tomar: valorizar o médico, colocá-lo ao lado dos setores financeiramente empobrecidos, para que lutassem juntos por uma saúde de qualidade. Ninguém ganha em uma briga que opõe aqueles que atuam diretamente no atendimento à saúde da população e os que formulam as políticas de saúde pública.

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos

Leia Também:

30 comentários para "Médicos: as falsas polêmicas e o xis do problema"

  1. “É apaixonada pelo projeto do SUS e pela saúde pública e espera que um dia o sistema de saúde brasileiro seja de fato universal e não haja necessidade de se recorrer a Planos de Saúde ou serviços privados”… a quem se quer enganar? É o que me pergunto.
    Argumentou bem em alguns pontos, merece algum mérito por não cair na lógica burra de atribuir toda a culpa ao atual governo, mas mesmo assim pecou ao não fazer uma auto-crítica como pertencente à classe (burguesa) dos médicos.
    Se a população tem essa visão dos médicos brasileiros (e diga-se de passagem que “o apoio do governo a essa visão” não tem nenhum embasamento no texto… apenas se faz uma afirmação), é porque esta visão reflete o modo como estas pessoas são atendidas quando dependem de atendimento gratuito. Essa medida de importação dos médicos estrangeiros (leia-se, cubanos) já foi adotada em Tocantins, e há artigos de jornais daquela região com relatos da população local… e adivinhem… todos eles apoiam a medida do governo.
    Acredito que o texto aponta muito bem os erros dos governos que já passaram pela administração do Estado brasileiro, mas as proposições são todas deturpadas para defender os interesses de sua classe.

  2. Alves disse:

    Uma pergunta simples à médica, que até argumenta bem em alguns pontos: quanto deveriam receber os médicos nesta nova “carreira de estado?” Um salário semelhante a juízes (entre piso e teto, 15 a 25 mil), como chegou a propor o presidente do Cremesp, levaria os 100 mil médicos necessários à rede SUS a fazer o país desembolsar a 40 bilhões de reais, metade do orçamento da saúde. Criar carreira de estado é fácil, Mas temos que discutir mesmo é quanto de salário. Porque os 10 mil do Programa Mais Médicos parece que não está convencendo ninguém a se inscrever.

    • Roro disse:

      O dinheiro ficaria no Brasil, pagaria impostos e entraria para a economia local. Cuba vai receber mais de 500 milhões por alguns meses de envio de pessoas sem qualificação comprovada.
      As pessoas que estudaram mais, tem maior qualificação e assumem maiores responsabilidades recebem melhor em qualquer lugar do democrático do mundo.
      A questão de quanto o outro ganha incomoda a vc?
      Vá estudar, se especializar, fazer concursos e ganhar melhor.
      Por que não reclama dos salários dos deputados, senadores, da aposentadoria do Genuíno de 26 mil?!

  3. Não, Sandra… isso não é recalque.
    A auto-crítica não tem a ver com o fato dela ser burguesa, quis dizer que ela tinha que fazer uma auto-crítica como médica.
    Como o Alves apontou, o fato desses médicos não aderirem ao programa Mais Médicos não tem a ver com o salário (que é muito bom), mas com o estilo de vida que eles levam.(burguesa)… não querem ir para o interior do Estado pq lá não tem cinema, teatro e bons drinks…

    • Amanda disse:

      Lembra que não é um salário, é uma bolsa. E não chega nem a ser um emprego, pois não tem vínculo e não tem garantias trabalhistas (férias, 13º, FGTS…). E a cereja do bolo, é que se o coitado do médico desistir nos primeiros meses ele terá de devolver o que já recebeu. Não acho que seja uma proposta boa para um profissional que estuda em média 10 anos antes de entrar no mercado…
      Ah, se ela fosse burguesa não trabalharia no PSF (você sabe o que é isso? – Google it!).

      • “Não acho que seja uma proposta boa para um profissional que estuda em média 10 anos antes de entrar no mercado”… meritocracia é uma retórica que só serve para liberais, não cola para mim.
        Liberalismo, direita, esquerda, ideologia, cidadania… o problema da minha área (ciências sociais) é que os termos caíram no senso comum, e todos pensam que sabem o que estão falando.
        Burguesia é uma classe social, não tem a ver com o lugar onde trabalha. Só para a sua informação.

    • Roro disse:

      Quanto preconceito.
      Cientista social, mesmo?
      Duvido.
      Dá uma pesquisada quanto paga um concurso para o médico. Concurso, ok.
      As promessas de pagamento das prefeituras nao duram mais de 3 meses. E o médico fica com uma mão na frente e outra atrás sem receber e tendo que mudar-se com sua familia para outra cidade onde haja emprego e a prefeitura honre seus compromissos.
      Ou seja, ele acaba preferindo receber menos em locais com melhor estrutura e que honrem seus pagamentos.
      Sugiro que estude um pouco mais e se informe melhor, antes de destilar frustrações com sua profissão e inveja de uma classe trabalhadora que foi a mesma que te colocou no mundo, caso vc tenha nascido em uma maternidade.

  4. Jaime Balbino disse:

    Este é o primeiro texto que leio de um médico com a crítica correta e proposta consistente. Está de parabéns por não se ater a xingar o governo e fazer uma análise inteligente que já julgava impossível de ver num médico.
    Mas tirando a raiva do João Pedro, sua pergunta é coerente: o salário e carreira de médico seira o de juiz? Isso resolveria o problema ou veríamos o médico fazendo “pé-de-meia” no setor público para migrar para o privado mesmo ganhando menos e tendo mais status? É isso o que acontece hoje no interior. Médicos abandonam os altos salários em alguns anos ou meses, depois que conquistam uma base patrimonial para entrar no mercado privado das capitais.

    • Lilian Terra disse:

      Jaime,
      a respeito da proposta de Carreira de Estado para médicos, sugiro acompanhar o andamento do projeto: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=464909
      Acredito que isso mudaria a situação de “fazer o pé-de-meia”. Primeiro porque na progressão da carreira, um médico bem avaliado poderia ser transferido para os grandes centros se isso for seu desejo. Em segundo lugar, porque existe muito mais possibilidade de atuação no SUS do que no sistema privado, pois a população SUS-dependente é muito maior do que a que paga pelos serviços de saúde. E na minha opinião, mas essa é pessoal mesmo, trabalhar no SUS é muito mais prazeroso e construtivo.

    • Vinícius disse:

      Realmente, geralmente vemos críticas e questionamentos sobre o assunto em Veja, Folha e outras instituições que defendem interesses privados da saúde. Na Veja, por exemplo, um colunistazinho qualquer estava metendo o pau no governo (como geralmente fazem) sobre o assunto aqui discutido, na outra página propaganda da UNIMED!? Alguém sabe o porquê ele falava mal sobre o Mais Médicos?

  5. O debate enriquece…Be or not be…is the question….

  6. É bom ler seu artigo, sabendo que vc luta por um Sus publico e universal. Mas Seus argumentos não são consistentes. Tomando como ponto de partida o artigo de Eliane Brum, publicado pelo CEBES, em http://www.cebes.org.br/verBlog.asp?idConteudo=4702&idSubCategoria=30, vc inverte o argumento e não responde ao fundamental. Onde o programa é pernicioso. Agora: dizer qque o governo joga nas costas dos médicso os problemas do SUS é uma falácia argumentativa. Na sua proprosta, a gente primeiro faz uma revolução social (de gestão the dívida pública, tributária, o pacto federativo, etc; etc; etc; e depois vê se etá faltando médicos ou se dois anos de práica seria uma boa. Ah tá! E olha: isso já tá em discussão a anos. E os coselhos e associações médiocs "abandonam as comissões; o Conselho Nacional de Saúde, etc, como se participação fosse problema de governo. Ah tá bom.

  7. Jones Oliveira de Moraes disse:

    Parabéns pelo texto, contribui muito para a discussão ora em andamento. Penso que é um grande acerto trazer médicos generalistas (principalmente cubanos, que tem uma formação forte em atenção primária) para reforçar o PSF em localidades que ninguém quer ir. Nós médicos devemos reconhecer, até de uma visão corporativa que a não realização do Revalida vai evitar que os médicos estrangeiros venham a abandonar os grotões e inchar ainda mais os grandes centros. Mas com certeza, o mais importante é a luta pelos 10% da arrecadação para a saúde. Trabalho em atenção secundária e terciária em Hospital Universitário 100% SUS e posso afirmar com segurança que historicamente nunca houve tanta verba para a saúde como agora. O Hospital está bem equipado e falta de mat/med é pontual… Falta é pessoal de enfermagem o que leva a que seja necessário reduzir o número de leitos… o que sobrecarrega as Emergências/Pronto Socorros e acaba dando boas reportagens, com pacientes em cadeiras e macas no corredor por falta de leitos. Mas quando os paciente “sobem” para e Enfermaria pelo menos no Hospital onde trabalho o atendimento não deve nada e muitas vezes é melhor do que em muitos hospitais privados.

  8. Ernesto Lima disse:

    Bela análise. Dialética e sem superficialismos. Mostra a clara tendência de privatização da saúde no Brasil. As medidas paliativas e de “melhoramento social”, em várias áreas, já chegaram ao seu teto. Não impedem que o Brasil ainda tenha uma das piores distribuições de renda do mundo. Pena que fazer reformas estruturais e enfrentar interesses econômicos poderosos – nesse caso, os planos de saúde – não parece mesmo ser o caminho do governo. Poderia citar também os conglomerados midiáticos e o agronegócio, que vêm nadando de braçada nos últimos anos. Lilian Terra, aplaudo de pé!

  9. Essa foi a matéria mais lúcida sobre o tema que consegui encontrar, tanto nos jornais, rádios e tvs, como nas redes sociais. É disso que precisamos, esclarecimento. O cidadão esclarecido, não tem dificuldade de entender nada. Sou jornalista e acho que esse é nosso papel, ou seja, o de esclarecer o cidadão. Desta forma o estamos estimulando ao contexto e uma pessoa contextualizada é melhor que uma não.Um exemplo? Este tema simples que gerou tanta proeza

  10. aline disse:

    É um bom texto, pena que as questões que a Lilian coloca não são as questões que motivaram as manifestações dos médicos, ou seja, a leitura dela não é a leitura que leva a classe médica para as ruas. As manifestações são movimentadas por médicos que sentiram seus interesses prejudicados. Pena que a bandeira não é a saúde pública brasileira e os abusos do poder público para com a mesma e sim o bolso.

  11. Ernesto Lima disse:

    Bela análise. Dialética e sem superficialismos. Mostra de modo claro a tendência de privatização da saúde no Brasil. As medidas paliativas e de “melhoramento social” já bateram no teto. O governo parece mesmo incapaz de fazer as reformas estruturais e enfrentar, em várias áreas, o poder econômico – nesse caso, o cartel dos planos de saúde, mas poderia lembrar das corporações midiáticas e do agronegócio. Lilian Terra, aplaudo de pé!

  12. marcio ramos disse:

    … muito bom o texto em parte, mas aqui no Piaui por ando ha um mês depois de passar pelo oeste da Bahia por dois meses e goias por um mês e meio caminhando pela roca com o povo em suas folias, reinados e rezas constatei que ainda não temos atendimento medico decente pois na maioria dos lugares o povo mesmo diz que tem pouco medico e que estes precisam se virar para atender regiões enormes em estradas ruins em lugares de difícil acesso… quando um doutor denuncia a corrupção ou a falta de estrutura do lugar e logo afastado e a grana do salario retida pela prefeitura o que e comum neste mundão… na verdade to de saco cheio de ouvir este povo que fala bem, escreve bem, ganha bem – médicos, engenheiros, jornalistas, etc – e sabe tudo de brasil sem sair de seus guetos confortáveis dos grandes centros…

  13. Reginaldo Toledo Ruiz disse:

    LILIAN
    Em primeiro lugar, gostaria de cumprimenta-la pelo artigo que trás dados e informações úteis para o debate sobre a qualidade do serviço publico de saúde, ou seja, a construção e fortalecimento do SUS. Apesar de minha formação ser em agronomia e de trabalhar no Incra, sou casado com uma psicologa, batalhadora incansável do SUS de Campinas/ SP. Por isto, como cidadão e como servidor publico vou dar meus “pitacos”:
    Na minha opinião, a qualidade do serviço publico de saúde é um tema que merece ser debatido com profundidade. A importância do medico neste debate é significativa mas não pode ser superdimensionada. Que tal, ao invés de apenas carreira de estado para o medico (muito justa a proposito desde que acompanhada de dedicação exclusiva, cursos de aperfeiçoamento,etc), Carreira de Estado para a saúde dentro de um trabalho interdisciplinar. Como você disse existe o corporativismo negativo que só defende os interesses daquela categoria sem levar em conta o restante da sociedade. Por outro lado, é um absurdo que os governos (este e os anteriores)somente reconheçam como carreira de estado funções publicas ligadas aos interesses dos grandes grupos econômicos(Agencias, Banco Central, Receita Federal).
    Mas voltando a saúde, acredito que um dos maiores avanços do SUS foi a constituição do controle social. Os conselhos locais, municipais, estaduais e nacional de saúde. É certo também, que não interessa a muitos gestores e governantes que estes conselhos se fortaleçam e exerçam seu papel de controle social, fiscalização dos gastos, combate a corrupção…. E também é certo que o povo tem dificuldade de participar destes espaços e que as organizações da sociedade civil(sindicatos, partidos, ongs, etc) se enfraqueceram nos últimos anos deixando de participar mais ativamente destes conselhos.
    Outra questão importante que você levanta é com relação aos serviços contratados pelo SUS e também os serviços de saúde privados.
    Por enquanto é isto que tenho a contribuir!

    • Lilian Terra disse:

      Reginaldo,
      concordo plenamente com você quando diz que o ideal é que a carreira de estado fosse para todos os profissionais de saúde. O SUS atual trabalha a idéia de equipe multidisciplinar mas não investe nela. Seria muito bom que toda equipe de saúde pudesse contar com psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta etc, o tratamento certamente seria mais completo e eficaz, e talvez isso acabasse de vez com a rixa que existe entre as profissões de saúde.
      Quanto aos conselhos, são uma excelente ferramenta de construção do sistema mas que infelizmente muito pouca gente sabe que existe. Isso seria um ótimo assunto para se debater e divulgar.
      Obrigada pela contribuição.

  14. martos figueiredo disse:

    Os médicos são mercenários e burqueses, sim, não todos, maioria.

  15. Excelente texto! Sou médica recém formada em universidade federal e estou estarrecida com as medidas previstas pelo programa “Mais médicos”. Infelizmente concordo que o que leva a maioria da categoria às ruas atualmente é uma pauta corporativista, haja vista os problemas existirem há tanto tempo e nenhuma grande mobilização ter ocorrido até então. Entretanto esse contexto abre espaço para que muitos se interessem pela real origem das dificuldades que a categoria enfrenta hoje e os rumos que o ensino médico e saúde pública vem tomando com essa onda de privatizações. Certamente plano de carreira seria uma medida emergencial mais adequada à interiorização dos médicos, mas associada a carreira de outros profissionais da saúde também (como citado no comentário acima), além de financiamento adequado do SUS, abertura de novas universidades públicas e investimentos em outros determinantes como educação, moradia, alimentação, saneamento, transporte, etc.

  16. Raoni Sousa disse:

    Esse texto traça pontes, dialoga, em vez de defender posições com argumentações fechadas, como outros textos que li contra o programa Mais Médicos. Parabenizo a autora por contribuir para a discussão pública de maneira dialógica sobre essa questão tão polêmica!

  17. marcio ramos disse:

    .. voltei so pra lembrar… aqui no maranhão não tem medico suficiente… atravessei o estado, andei pelos lados de alcântara, fiquei em sao luis e agora volto para codo… por onde ando pergunto se tem médicos a maioria diz que falta doutor, são poucos para atender muita gente em lugares distantes e a burguesada so quer abrir consultório na capital… alguma duvida chega ae… internet aqui nem pensar, geração de renda zero, escolas estão caindo, igreja tem, policia nem se ve, na capital prédios históricos caindo tbm… ongueiros e jornalistas tbm nao querem aparecer por aqui… família sarney deita e rola… parece que por aqui governo federal e lenda… muita água, muito verde e o povo definhando… preços absurdos… faltam estradas… abandono geral… triste demais conversar com o povo sem estimulo…

  18. “Importação de doutores é firula” então doutora vamos ver quantos médicos estão dispostos a trabalhar nos rincões do país???
    Não venha me dizer que é devido às condições de trabalho. Só um exemplo: A Camargo Correia paga 8 mil pra um médico em Santa Catarina, para o mesmo serviço com as mesmas condições de trabalho, em Rondônia, paga 25 mil mais aluguel de casa e disponibiliza carro e passagens aéreas. Por que a diferença? Será a cor dos olhos dos médicos que vão pra Rondônia. A classe médica, de modo geral, é elitista e odeia pobre e ama é a grana, ostentação e as colunas sociais. Eu falo isso pois conheço pessoalmente vários médicos…

  19. Renato disse:

    O medo dos médicos é acontecer como em Tocantins… os cubanos serem aclamados como ótimos médicos. Aqui a maioria dos médicos nem olham pra nossa cara, quantas vezes foi consultado e nem o meu nome foi perguntado. Para os médicos se tenho uma dor de cabeça, sou uma cabeça; se tenho dor na coluna, sou uma coluna apenas! E aí doutora, o que acha de sair de Campinas pra o interior do Acre ou Roraima? Já sei a sua resposta e de 99,99% dos médicos brasileiros…

  20. SONIA disse:

    Muita Conversa, pouca Ação. Acho que é preciso Equipar melhor os hospitais e o atendimento pelo SUS ser algo normal, de Qualidade, pois não há o que questionar, isso se mantém com o trabalho do povo, onde está o problema? Quanto aos médicos não há nem porque falarmos em exportar, pois o governo foi eleito para cuidar dos interesses primeiro dos seus, é só oferecer qualidade para nossos profissionais, de que adianta um profissional ir para o interior onde ele tem que assistir pessoas morrerem por falta de recursos? Um Pais como o Brasil, deveria estar muito bem, tem tudo para isso é só Administrar.

  21. Mauro disse:

    Exatamente, o problema é que não se resolve a situação da saúde apenas com médico, também é preciso uma rede de serviços de saúde de qualidade, com disponibilidade de equipe profissional e equipamentos.
    Não endosso discursos xenófobos, racistas e corporativos e qualquer tipo de intolerância e hostilidade aos médicos cubanos. E defendo o direito de pessoas de qualquer nacionalidade de trabalharem no Brasil.
    Mas esse programa não resolve os problemas de saúde do país porque não altera a questão principal, que é o subfinanciamento e a privatização da saúde pública.
    O programa serve como arrecadação de receitas para Cuba, e um mecanismo para responder à carência de médicos no SUS, barateando o custo da mão-de-obra.
    Os médicos serão contratados como bolsistas de “aperfeiçoamento em serviço”. Trabalhadores que têm seu emprego substituído por bolsa de estudo estão submetidos à precarização e a negação de direitos trabalhistas, como regulamenta a Constituição.
    Além disso, o pagamento das bolsas de estudos e de todas as despesas do projeto será realizado pela EBSERH e suas subsidiárias, uma terceirização da gestão pública que o governo tenta implantar em toda a rede de hospitais, institutos e hospitais universitários.
    A solução para a saúde no país é o investimento em infraestrutura, concurso público, e a implementação de planos de carreira, com salários justos, estabilidade e estímulo à qualificação permanente, para todos os profissionais de saúde.
    A viabilidade do SUS depende do financiamento adequado e, para isso, é preciso destinar 10% do PIB para a saúde e acabar com as privatizações e a precarização das condições e relações de trabalho.

  22. Reginaldo Toledo Ruiz disse:

    Mauro
    Excelentes suas informações e opiniões!
    Gostaria de comentar sobre esta emptesa EBSERH cuja existencia eu desconhecia.
    Interessante que a midia não informa com detalhes que é esta empresa segundo a MP do Programa mais Medicos a responsavel pela capacitação , pagamento de bolsas etc,, Interessante saber que esta empresa, criada pela LEI Nº 12.550, DE 15 DE DEZEMBRO DE 2011.em 2011 é definida como “… empresa pública unipessoal, na forma definida no inciso II do art. 5o do Decreto-Lei no 200, de 25 de fevereiro de 1967, e no art. 5o do Decreto-Lei no 900, de 29 de setembro de 1969, denominada Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – EBSERH, com personalidade jurídica de direito privado e patrimônio próprio, vinculada ao Ministério da Educação, com prazo de duração indeterminado”
    “… empresa pública unipessoal com personalidade jurídica de direito privado !!!!!!!!!!!!!!! Que troço é este???
    Outra coisa interessante é que tenho participado de debates sobre a criação da ANATER(Agencia Nacional de Assistencia Tecnica e Extensão Rural) através de Projeto de Lei 5740/2013 em tramitação na câmara dos deputados, do O paragrafo 1artigo 1 diz:
    § 1o O Serviço Social Autônomo de que trata o caput, pessoa jurídica de direito
    privado sem fins lucrativos, de interesse coletivo e de utilidade pública, denomina-se Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural – Anater.
    Que trem é este? Me informaram que os NEOPETISTAS foram buscar o modelo chileno para implantar no Brasil.
    Ao invés de gerir e modernizar o serviço publico este governo criainstituições de natureza privada para terceirizar a gestão e contratação de serviços.
    E a Constituição? E o regime jurídico único? E o respeito a lei de licitações ? e o SUS?
    Quem ou o que vai garantir que estas novas instituições(empresa ou serviço) não vão padecer do mesmo problema do serviço publico: Os governos que fazem o loteamento politico, excesso de cargos indicados por critérios de interesse politico, desrespeito aos princípios da administração publica, assedio moral, corrupção…
    Para refletrir
    Agradeço se alguém tiver mais informaçoes sobre este modelo Chileno.
    Como

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *