Teatro Oficina reabre em celebração de reexistência

Companhia volta a receber o público, encena Paranoia e estreia Esperando Godot, filme inédito de Zé Celso e Monique Gardenberg. Sessões-experimentos visam estremecer a inércia com o fogo da invenção. Atos serão virtuais e presenciais

Um texto do Teatro Oficina

Celebrando 63 anos de reexistência na cena teatral brasileira no dia 28 de outubro, Teatro Oficina programa ritual de retomada marcado por dois grandes acontecimentos: o retorno do público ao teatro para sessões-experimentos de Paranoia, de Roberto Piva, com Marcelo Drummond e a estreia de Esperando Godot, um filme de José Celso Martinez Corrêa e Monique Gardenberg com a parceria de Itáu Cultural e SPCine. Em formato híbrido, confluindo pela primeira vez públicos virtuais e presenciais, a dobradinha de Esperando Godot e Paranoia inaugura uma retomada de fôlego e continuidade.

ESPERANDO GODOT

A peça de Samuel Beckett, escrita pós Segunda Guerra Mundial, nasce para o mundo mais uma vez como sempre surgiu em períodos de abismos e guerras estremecendo nossas inércias e celebra o aniversário do Oficina, uzyna de teatro e cinema, no encontro de criação entre Monique Gardenberg, Zé Celso e a companhia, num precioso filme que promete agitar as telas do streaming.

Esperando Godot é uma peça de forte simbologia para a Companhia – foi o último espetáculo de Cacilda Becker (1969), força motriz de criação para as muitas gerações de artistas do Teatro Oficina.

Estragão (Marcelo Drummond) e Vladimir (Guilherme Calzavara) são dois palhaços vagabundos que se encontram na encruzilhada entre a paralisia e a tomada da ação. Enquanto esperam Godot, embora não saibam quem ou o que é, a dupla se encontra com as personagens que passam pela estrada: Pozzo – O Domador (Pascoal da Conceição), Lucky – A Fera (Danilo Grangheia) e O Menino Mensageiro (Raphael Moreira), que traz notícias inquietantes que podem determinar a perpetuação da inércia ou a libertação total da paralisia. Mas afinal, quem é Godot?

A parceria de Monique e Zé Celso começa nos anos 90, quando a diretora e produtora leva Ham-Let para uma temporada estrondosa no Parque Lage-RJ. Em 2001, a convite de Monique, Zé dirige sua primeira versão do texto de Beckett em montagem no Rio de Janeiro. Em 2021, com o Teatro fechado desde março de 2020, Monique propõe a Zé a realização de uma obra audiovisual dessa peça, filmada no Teatro Oficina virado Estúdio. Esperando Godot é a primeira direção conjunta desses dois grandes artistas.

Com direção de Monique e Zé e direção de fotografia de Gustavo Hadba, o set no Oficina recebeu uma estrutura cinematográfica robusta com 6 câmeras e drone com imagens aéreas impactantes do prédio, obra de Lina Bo Bardi e Edson Elito.

2″Eu abro a porta
Não era nada
Não ee ninguém
Godot não vem

Já esperei
Estou no fim
E enfim
Cheguei”
Trecho de Cacilda!

Dramaturgia de Zé
Celso e Marcelo
Drummond


A CHEGADA DO PÚBLICO

Depois de quase dois anos à espera e à espreita da chegada do público, a companhia se prepara para receber essa grande estrela da comemoração de aniversário.

Paranoia, espetáculo concebido por Marcelo Drummond a partir do livro de Roberto Piva, foi a peça escolhida para essa primeira experiência de abertura para público presencial com transmissão AO VIVO e curtíssima temporada. Os ingressos para a experiência no espaço e para o streaming serão vendidos via sympla. Com apenas um ator em cena (Marcelo Drummond), Paranoia é um poema visual, uma videoarte da presença (Cecília Lucchesi), uma vertigem sonora nas ondas do piano (Chicão), uma força teatral em estado de graça, uma encruzilhada da poesia com o teatro e o Cinema ao Vivo (Igor Marotti) da companhia que retoma suas ações presenciais depois de quase dois anos realizando obras híbridas, OAVNs (objetos audiovisuais não identificados) que amplificaram a potência tecnoritualista da companhia com grande força de invenção. Com público presencial limitado, exigência de cartão de vacinação, uso de máscaras bem vedadas e muita ventilação, proporcionada pelo teto móvel que se abre e pelas amplas janelas e portas de vidro, Paranoia fará 6 sessões seguidas passando por todas as datas de grande força teatral desse período para a companhia (o aniversário, 28 de outubro, o dia das bruxas, 31, o dia de todos os santos, 1 de novembro e o dia dos mortos, 2 de novembro).

Com Esperando Godot e Paranoia o Teatro Oficina liga a máquina do teatro total e chama o público para atuar junto nesse grande rito de retomada – seja no phoder da presença no espaço, seja nas ondas virtuais do streaming.

EXTRAS

Universidade Antropófaga

A companhia se prepara para abrir chamada pública para a Universidade Antropófaga, a última aconteceu em 2015. Prevista para o primeiro semestre de 2022 como parte do projeto desenvolvido para a 37ª Edição da Lei de Fomento ao Teatro, a nova dentição contará com laboratórios de criação coletiva e fomento à imaginação e à invenção a partir da linguagem e dos saberes ancestrais de teatro e multimídias do Teatro Oficina.

CINEMAÇÃO – cineclub uzyna uzona de invenção

Como parte das ações de reabertura e retomada, Teatro Oficina prepara também a abertura do CINEMAÇÃO, cineclub da companhia, com exibições de repertório próprio – como a histórica e atualíssima montagem de O Rei Da Vela, o filme, e outras obras audiovisuais tanto do acervo cinematográfico da Companhia, quanto de artistas/produções aliadas. Ainda sem data definida.

SERVIÇOS

Paranoia
Estreia
28 de outubro – Aniversário de 63 anos da Companhia
Sessões
28, 29, 31/10 e 01 e 02/11 ESGOTADAS
Quinta e Sexta e Domingo, Segunda e Terça
Às 20H
Abertura do Teatro: 19h
Vendas EXCLUSIVAMENTE ONLINE pelo link:
https://bileto.sympla.com.br/event/69500

SESSÕES EXTRAS
30/10 e 5, 7 e 9/11
Sexta e Sexta, Domingo e Segunda
Às 20H
Abertura do Teatro: 19h
Vendas EXCLUSIVAMENTE ONLINE pelo link:
https://bileto.sympla.com.br/event/69500

Será exigido comprovante de vacinação na entrada.

Esperando Godot
ESTREIA 29 de outubro
Abertura de vendas em breve!

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