🎙️ Por que sem Saúde não há Democracia

Nas raízes do SUS, criado em 1988, no pós-ditadura, o entendimento de que o autoritarismo ameaça o público e a Saúde. Com pandemia, é retomado — e mostra que luta para erradicar vírus também passa pela defesa da Constituição

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Alcides Miranda em entrevista a Maíra Mathias, no Tibungo

Não é possível explicar a criação do SUS sem falar sobre a relação entre democracia e saúde. Logo que começou a se articular, o movimento por uma reforma sanitária brasileira tratou de sistematizar os efeitos prejudiciais do autoritarismo sobre a população. Além da hoje famosa ocultação da epidemia de meningite nos anos 1970, a falta de liberdades limitou a capacidade dos trabalhadores lutarem por melhores condições, por exemplo, gerando pioras em indicadores importantes, como a mortalidade infantil.

A compreensão de que ter saúde é muito mais do que a ausência de doenças fez com que o debate sobre uma nova forma de organização de ações e serviços sanitários em sistema público e universal fosse inseparável da luta pela redemocratização do país. E da qualidade da democracia, que deveria ser cada vez mais participativa.

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“Está chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar”. “Ordens absurdas não se cumprem”. “Nós não queremos negociar nada”. Essas são algumas das muitas declarações dadas por Jair Bolsonaro desde que começou a pandemia. A crise sanitária aumentou a voltagem do autoritarismo do presidente, que participa de manifestações populares que pedem o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, não condena ataques concretos de apoiadores a esses outros poderes da República – como o foguetório contra o prédio do STF – e flerta abertamente com uma interpretação golpista do artigo 142 da Constituição Federal, que fala sobre o papel das Forças Armadas. Isso tudo, em meio a diversos inquéritos judiciais que chegam cada vez mais perto do Palácio do Planalto.

Como um recalque, o ódio à democracia retornou de forma evidente no Brasil. O apoio de setores da sociedade e do empresariado à ditadura militar que se iniciou em 1964 é ecoado hoje em uma organização que, das ruas às redes, clama por golpe e um novo AI-5. Como chegamos a esse ponto, tão pouco tempo depois de espantar esses fantasmas? Nessa entrevista, Alcides Miranda reflete sobre esta e outras questões.

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