Petroleiros começam greves em defesa da Petrobras

Paralisação de cinco dias atingirá campos terrestres, que governo Temer quer entregar à iniciativa privada. Categoria mobiliza-se também contra projeto que concede pré-sal a transnacionais

Por Helder Lima, na RBA

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Paralisação de cinco dias atingirá campos terrestres, que governo Temer quer entregar à iniciativa privada. Categoria mobiliza-se também contra projeto que concede pré-sal a transnacionais

Por Helder Lima, na RBA

O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, anunciou em 12/7 que a categoria fará greve no início de agosto nos campos maduros terrestres da Petrobras, definidos para concessão à iniciativa privada no plano de desinvestimentos da empresa. Esses campos estão localizados nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia e Espírito Santo, e produzem 35 mil barris por dia, representando 2% da produção nacional.

Segundo a coordenadora do Sindicato dos Petroleiros Unificados de São Paulo, Cibele Vieira, a greve deverá ser de cinco dias.

Ao todo, são 98 concessões de produção, mais seis blocos de exploração, totalizando 104 concessões. “É por esses campos que começa o desmonte da Petrobras na prática. Os investimentos deles já se pagaram. Vão entregar campos produzindo há mais de 50 anos. A Petrobras não é uma empresa privada, ela tem um caráter social, e por isso a nossa resistência”, afirmou Rangel. Campos maduros são aqueles antigos, mas que ainda produzem.

De acordo com o sindicalista, a venda desses campos se dá em função da alegada necessidade da empresa de investir suas forças na produção do pré-sal. “Essa venda vai causar um problema social porque as empresas privadas não têm preocupação com a população, não têm remuneração mínima para os trabalhadores, vai agravar os problemas sociais”, disse. Ele acredita que a maior presença do setor privado na exploração de petróleo aumenta os impactos sociais. “No fim do mês vamos ter um seminário para avaliar essas questões.”

Além das greves nos campos voltados à concessão, os petroleiros vão realizar atos em solidariedade em diferentes pontos contra o início do processo de desmonte da empresa estatal. Na semana passada, os petroleiros realizaram no Norte Fluminense três dias de debates por meio da 6ª Plenária Nacional da FUP (Plenafup), na qual aprovaram um calendário de lutas para barrar o desmonte da empresa e a entrega do pré-sal.

“Na Plenafup, fizemos uma avaliação profunda sobre a conjuntura, o golpe e os reflexos para o trabalhador, e também analisamos a entrega do pré-sal como ponto central do golpe”, diz Rangel. “Avaliamos ainda a campanha salarial deste ano, porque os nossos acordos são bianuais, e também o plano de luta contra o desmonte da Petrobras. Vamos nos mobilizar em diferentes frentes”, afirma.

O sindicalista destacou que especial atenção no processo de mobilização será dada ao Projeto de Lei 4.567, que muda a Lei de Partilha (número 12.351, de 2010), que estabeleceu a cobrança de royalties e a destinação de recursos do pré-sal para saúde e educação. Já aprovado no Senado, o PL é de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), atual ministro interino das Relações Exteriores, que busca tirar a exclusividade da empresa na operação do pré-sal. O projeto agora tramita na Câmara.

Campos terrestres que a Petrobras quer conceder à iniciativa privada

Ceará

Polo da Fazenda Belém (2 concessões)

Rio Grande do Norte

Polo Riacho da Forquilha (34)

Polo Macau (4)

Sergipe

Polo Siririzinho / Riachuelo (12)

Bahia

Polo Buracica (7)

Polo Miranga (9)

Espírito Santo

Polo São Mateus (14)

Polo Fazenda de São Jorge / Cancã / Fazenda Cedro (9)

Polo Lagoa Parda (3)

Polo Gás (4)

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3 comentários para "Petroleiros começam greves em defesa da Petrobras"

  1. fluminense disse:

    Sempre ouvi falar que a Petrobrás era uma das maiores empresas de petróleo do mundo e que detinha tecnologia de ponta.
    Querer entregar a pesquisa e extração de nosso petróleo para terceiros não atende os interesses de nossa pátria.
    Por outro lado, sabe-se que, após a pesquisa e extração do petróleo do subsolo, leva um grande tempo até que se possa contar com essa riqueza econômica. Portanto, terceirizar não é panaceia para solução de problemas de nossa conjuntura econômica decorrentes de xavecagens políticas e outras. É lei científica: ‘cessando a causa cessam os efeitos’. Acabem com a corrupção e a Petrobrás volta a ser o que sempre foi.
    Abaixo a terceirização. Viva a Petrobrás ? (a verdadeira, aquela pela qual lutou até Monteiro Lobato).

  2. fluminense disse:

    Viva a Petrobrás ! Abaixo aqueles que a entregam a administradores corruptos ou que entendem que seja necessária sua terceirização !

  3. Arthur disse:

    Essa ideia de terceirizar ou privatizar a Petrobras é um velho intento de alguns mafiosos e entreguistas como o atual ‘ ministro das relações exteriores”, que vergonha José Serra. Enquanto essa quadrilha comandada por Temer ficar no (des)governo as coisas só irão de mal a pior.

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