Novas ocupações dos sem-teto paulistanos

Três mil pessoas transformam nove edifícios abandonados pela União em moradia e pedem sua reforma e urbanização. Quatro prédios permanecem ocupados.

Por Gisele Brito, na Rede Brasil Atual

Três mil pessoas transformam nove edifícios abandonados pela União em moradia e pedem sua reforma e urbanização. Quatro prédios permanecem ocupados

Por Gisele Brito, na Rede Brasil Atual

[Título original: “Sem-teto ocupam áreas da União em SP para acelerar projetos de moradia popular”]

São Paulo – Cerca de 3 mil pessoas ligadas a vários movimentos sociais ocuparam na madrugada de hoje (3) nove áreas pertentes à União em São Paulo. O objetivo é cobrar pressa do governo federal na liberação desses e outros imóveis públicos para programas de moradia popular. Os movimentos conseguiram agendar uma reunião para amanhã com representantes do governo.

Cinco áreas já foram desocupadas. Os sem-teto pretendem permanecer nas outras quatro até o fim das negociações. Duas delas ficam na cidade de São Paulo (Cidade Dutra e Bela Vista), uma em Cajamar, na região metropolitana, e outra em Campinas, no interior do estado.

“O objetivo é cobrar agilidade nos repasses das áreas para os movimentos sociais. Queremos que essa questão avance porque a discussão já vem desde o início do governo Lula”, afirmou Gegê, uma das lideranças do Movimento por Moradia do Centro.

Os representantes dos movimentos apontam a burocracia como um dos principais empecilhos para a liberação das áreas. Uma delas, localizada na avenida 9 de Julho, no centro da capital, vem sendo discutida há pelo menos 20 anos. O prédio pertence ao INSS e já foi ocupado quatro vezes pela Frente de Luta por Moradia (FLM). Segundo Osmar Borges, coordenador da entidade, existem projetos para a reforma do local, mas a demora no andamento no processo de desmembramento de uma pequena área de sete metros impede que o prédio seja repassado aos sem-teto.

Outra área ocupada na Barra Funda, na zona oeste, segundo as lideranças dos movimentos, estava sendo explorada como estacionamento. “Se fossemos nós que tivéssemos ocupado lá, já teriam despejado a gente no segundo dia”, disse uma das manifestantes.

As ações de hoje também foram consideradas importantes por reunirem diversos movimentos sociais que lutam por moradia popular. “Nós sabemos que todos os movimentos sofrem em função da burocracia do Estado e essa ação unificada é muito importante”, disse Osmar.

 

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