Fernando Haddad e a autofagia brasileira

Ao tentar crucificar prefeito paulistano, que se destaca em meio à mediocridade da política brasileira, velha mídia expõe seu rancor, ressentimento e pequenez

Por Luis Nassif, no GGN

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Ao tentar crucificar prefeito paulistano, que se destaca em meio à mediocridade da política institucional brasileira, velha mídia expõe seu rancor, ressentimento e pequenez

Por Luis Nassif, no GGN

A campanha encenada contra o prefeito de São Paulo Fernando Haddad é a prova incontestável de como o país gosta de devorar seus principais ativos intelectuais.

Haddad não é apenas prefeito de São Paulo, eleito pelo PT. Provavelmente é o melhor quadro público que o país produziu nas últimas décadas. Seu trabalho técnico e político à frente do MEC (Ministério da Educação) mostra uma visão de futuro e uma capacidade de formulação inédita na administração pública brasileira – federal ou de qualquer estado.

Haddad demonstrou não apenas ser um iluminista, perseguindo as mudanças e antenado com os temas contemporâneos – ao contrário dos retrógrados e conformados que pululam no seu partido e nos demais – como um formulador de primeiríssima, casando visão técnica com política – entendido, aí, a capacidade de identificar resistências e contorná-las.

Graças à sua insistência, conseguiu criar o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que significou um corte na educação brasileira, enfrentando com persistência e argumentos a visão míope-fiscalista do então Ministro da Fazenda Antonio Pallocci.

Sua insistência com o ENEM abriu possibilidades sem precedentes para os jovens de menor poder aquisitivo, uma matrícula única permitindo a 8,5 milhões de candidatos prestar um único exame e ter acesso – de acordo com sua nota – ao universo de faculdades públicas e privadas.

Não existe paralelo em outro país de exame com tal amplitude – e absoluta ausência de problemas. O ENEM só foi notícia na fase inicial de implantação, quando apresentava alguns problemas. Depois que ficou azeitado, deixou de ser notícia.

Há outras revoluções feitas por ele, como a política nacional de inclusão de pessoas com deficiência na rede regular de ensino. São 800 mil crianças, que antes dependiam do modelo de exclusão das APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e que foram incluídas na rede regular com amplo suporte garantido pelo MEC.

O Reuni (Recuperação e Expansão das Universidades Federais) permitiu a abertura de centenas de novos campi, descentralizando o ensino superior.

Em todos esses momentos, Haddad mostrou-se impermeável tanto à pressão do liberalismo educacional inconsequente quanto do corporativismo que existe no meio.

Quando resolveu ampliar o número de vagas nas universidades públicas, enfrentou uma manifestação de professores considerando absurdo salas de aula com mais de 15 alunos. Respondeu que ficaria mais satisfeito se visse cartazes protestando contra salas de aulas com menos de 15 alunos.

O Pronatec, o PROUNI, o FIES foram montados em parceria com o setor privado. E Haddad enfrentou as pressões corporativas, que o acusavam de pretender privatizar a educação.

Em todos os momentos, jamais fugiu da procura e da viabilização das grandes soluções.

Todos esses projetos foram montados sem preconceitos ideológicos, juntando forças já existentes, articulando ações entre agentes públicos e sociedade civil.

E foi esse espírito que levou para a prefeitura de São Paulo, enfrentando problemas seculares que todos seus antecessores recusavam-se a encarar.

Resolveu enfrentar o desafio do transporte coletivo, com os corredores de ônibus; o desafio da desospitalização dos dependentes de drogas, com a Operação Braços Abertos; o desafio de reduzir a segregação social que marca a cidade.

Se a velha mídia quer bater no PT, tenho uma infinidade de dicas. No Ministério de Dilma tem meia dúzia de ministros acomodados, sem espírito público, jogando apenas para a plateia.

Mas deixem Haddad trabalhar. Não privem a vida pública brasileira de alguém do seu quilate. É algo tão atrasado quanto seria as esquerdas crucificando Prestes Maia ou Olavo Setubal, devido à sua origem política.

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3 comentários para "Fernando Haddad e a autofagia brasileira"

  1. Cesar Lobo disse:

    Esse senhor foi pior coisa que poderia ter acontecido a cidade de São Paulo, omisso, incompetente. A cidade esta suja, cheia de buracos, sem iluminação publica, escolas municipais com alunos sem uniformes, sem material escolar. Aliás quando se trata de administração petista, seja a nível federal, estadual ou municipal, deixa muito a desejar.

    • Aproveite a deixa, Cesar Lobo, e cite uma lista de Administradores de outros partidos que fizeram mais pela Cidade de SP e que atuaram melhor na Presidência da República!

    • Cesar, agora diga-me qual foi a última vez que a cidade não esteve suja. Diga-me também qual foi a última vez que não esteve esburacada. Aproveite e diga-me quando foi a última vez que as escolas municipais estavam com um funcionamento impecável. Talvez há 200 anos essas condições fossem minimamente atendidas (embora eu duvide que havia a preocipação com ruas esburacadas, ou que havia tanto lixo quanto há hoje para ser jogado nas ruas). Veja bem, aprenda a apreciar o que fez a diferença. Bolsa família, ENEM, faixas de ônibus, ciclovias etc. são todas pautas petistas muito bem sucedidas, que caminham num sentido de “bem estar europeu”. Nenhum outro partido apresenta tais pautas. Cada administração tem seus prós e contras – e, acredite, a do PT tem muitos contras, mas não dá pra ignorar os prós.

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