Educação: a hora das alternativas

“Mudar a Escola, Melhorar a Educação: Transformar um País”, escrito colaborativamente pela rede Românticos Conspiradores, coloca pontos essenciais para uma real mudança nos espaços e relações de aprendizagem e ensino

Por Davi Lira, no Porvir

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Rede Românticos Conspiradores lança manifesto, articula conferência nacional e prepara-se para abrir debate amplo sobre saídas educacionais, diante de modelo esgotado

Por Davi Lira, no Porvir

Para serem perenes, “os projetos inovadores de educação precisam se encontrar e conversar mais entre si”. Foi com essa mensagem, enviada pela internet para uma série de educadores brasileiros em 2008, que o fundador da Escola da Ponte de Portugal, José Pacheco, deu início à construção dos Românticos Conspiradores, uma rede colaborativa de militantes que luta pela transformação da educação no Brasil. Depois de longos cinco anos, a rede conseguiu não apenas aproximar as pessoas e entidades que desenvolvem projetos inovadores – geralmente relacionados à educação integral -, como se articulou a ponto de criar um manifesto público. O documento, que detalha as principais “transformações” sugeridas pelo grupo (mais informações abaixo), vai ser entregue ao Ministério da Educação (MEC) no dia 19 de novembro em Brasília, durante a abertura da I Conane (Conferência Nacional de Alternativas para uma nova Educação).

Vai ser na conferência, que vai se estender até o dia 21 de novembro, que representantes de projetos bem sucedidos de educação integral e inovadora buscarão estreitar mais os laços e detalharão suas realizações. Entre os projetos a serem apresentados no encontro estão os bens sucedidos: Gente, uma escola do Rio de Janeiro que não tem paredes; o Projeto Âncora, uma comunidade de aprendizagem em Cotia (SP); e as iniciativas pedagógicas voltadas à autonomia do aluno desenvolvidas pela escola municipal Amorim Lima, em São Paulo. Dessa forma, os organizadores esperam que com o manifesto em mãos e as boas práticas à vista, eles possam sensibilizar o MEC, a sociedade brasileira e outros educadores simpáticos à causa.

“Trata-se de um movimento articulado pela sociedade civil. Queremos com o encontro, trocar conhecimentos e congregar uma força mais consistente em prol da inovação da educação no país. Nossa intenção prática é começarmos uma conversa com o Ministério da Educação com vistas a efetivar mudanças na educação pública. Por isso, que destacaremos casos consistentes que podem servir de inspiração para esse movimento de mudanças que defendemos”, afirma Talita Porto, do coletivo Gaia Brasília, e uma das organizadoras do Conane.

Para garantir a presença do ministro da educação Aloisio Mercadante, a comitiva do Conante, incluindo o educador José Pacheco, conseguiu se reunir na última semana com ele. Na ocasião, segundo os organizadores, o ministro se prontificou a participar da solenidade de abertura do encontro. Lá, eles esperam que ele dê uma indicação sobre alguma ação concreta que o MEC pode fazer no sentido de estimular a adoção dessas novas práticas inovadoras no âmbito das escolas formais. Como o evento não contará com transmissão on-line das palestras, é preciso ir pessoalmente conferir os debates. A boa notícia é que ainda existem vagas abertas. Para participar, é preciso pagar R$ 100. O valor não inclui hospedagem nem alimentação. (veja a programação completa)

Ainda durante o I Conane, está previsto o lançamento do documentário Quando sinto que já sei, realizado com recursos arrecadados via crowndfunding. O doc questiona a educação formal tradicional e traz uma série de entrevistas com educadores que propõem uma abordagem mais inovadora nas práticas de ensino e aprendizagem. Assista ao teaser feito pelos realizadores Antonio Lovato, Raul Perez e Anderson Lima:

 

Manifesto

Elaborado de forma colaborativa durante cinco anos de discussões virtuais e presenciais, o manifesto pela educação intitulado Mudar a Escola, Melhorar a Educação: Transformar um País teve a contribuição de cerca de 2 mil pessoas que compõe o grupo Românticos Conspiradores além de outros participantes. Depois da triagem de sugestões, o grupo conseguiu condensar os desejos dos militantes em oito páginas. Todo o documento está disponível para consulta pública desde o final de setembro. Simpatizantes à causa ainda podem apoiar virtualmente o movimento, assinando a petição on-line a favor do manifesto através da comunidade do Avaaz.

Buscando detalhar todos os pontos que são levantados pelo documento que propõe colocar em prática mudanças significativas na educação brasileira, o Porvir repassa um resumo dos 19 pontos levantados pelo manifesto. Confira, reflita e deixe o seu comentário:

“Mudar a Escola, Melhorar a Educação: Transformar um País

1. Políticas Públicas em Educação previamente discutidas, aprovadas e supervisionadas pela comunidade;

2. Assegurar às escolas a dignidade de um estatuto de autonomia;

3. Revisão do tipo de gestão das escolas, passando de uma tradição hierárquica e burocrática para decisões colegiadas, coletivas, colaborativas e horizontais, envolvendo a participação da comunidade;

4. Implantação de comunidades de aprendizagem concebidas por um projeto educativo coletivo, baseado num projeto local de desenvolvimento, consubstanciado numa lógica comunitária;

5. Uma educação integral em tempo integral para todos os estudantes;

6. Que a instituição escolar ressignifique seu papel, passando a atuar comolocus de construção de conhecimentos e vivências;

7. Que se garanta aos profissionais da Educação, que assim o desejem, prevenção, assistência e apoio terapêutico, gratuito e constante;

8. A formação de uma rede colaborativa de comunicação, onde participem família, educadores, educandos, membros de comunidades de aprendizagem, mídia, etc;

9. Considerar que não se pode ser desconsiderado o desenvolvimento afetivo e emocional do educando;

10. A universalização do ensino e a garantia da matrícula em todos os níveis da educação;

11. Que a universidade se distancie de práticas de formação incompatíveis com necessidades educacionais do nosso século;

12. Reelaboração da cultura pessoal e profissional do educador através da vivência de práticas inovadoras em educação;

13. Reconhecimento público aos profissionais da educação, traduzido também em salários dignos;

14. Fim do desperdício decorrente de más políticas públicas em educação;

15. Erradicação da evasão escolar;

16. Implantação efetiva de uma política da juventude que contemple o espírito empreendedor, o protagonismo juvenil e o desenvolvimento dos valores humanos;

17. Que a educação domiciliar e outros modos de desenvolver aprendizagem sejam permitidos às famílias que assim o desejarem, desde que garantida a coerência e a qualidade dos percursos de aprendizagem do educando à luz de um projeto educativo;

18. Substituição de reprovação, da aprovação automática e da recuperação, paralela ou ao final de um período, pela prática de uma avaliação formativa, contínua e sistemática capaz de permitir que o aprendizado caminhe junto com o desenvolvimento do pensar;

19. Ampliação do uso da mediação escolar, da justiça restaurativa e de técnicas similares, para que os conflitos sejam resolvidos pela própria escola dentro da proposta de Cultura de Paz (Unesco)”.

Confira o documento na íntegra

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Um comentario para "Educação: a hora das alternativas"

  1. Maria Inez Salgado de Souza disse:

    Meu comentário vai justamente no sentido de ampliar, expandir e divulgar inovações realizações e políticas produtivas para melhorar a educação; Uma vez educadora, sempre educadora, não podemos desistir.

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