Oito filmes para compreender Guerra Civil Espanhola

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Há 80 anos, um golpe de Estado mergulhava a Espanha num conflito sangrento. Cinema ajuda a compreender as nuances da revolução democrática que facismo sufocou

No Brasil de Fato

Neste mês de julho, completam 80 anos do golpe de Estado encabeçado pelo general Francisco Franco contra a Segunda República espanhola, que deu início à Guerra Civil Espanhola.

Franco foi apoiado imediatamente por Hitler e Mussolini mas no processo de luta, que se estendeu até 1939, foram propostos e desenvolvidos elementos de uma profunda revolução social, com avançadas experiências coletivas e democráticas. Em fevereiro de 1936, uma coalizão de esquerda (socialistas, anarquistas, comunistas e diferentes partidos regionais) se impôs nas terceiras eleições da segunda República espanhola. Desde o início do pleito, os golpistas começaram a planejar a traição ao voto democrático.

A grave situação nacional, com greves e mobilizações que eram fruto da polarização social em que se vivia na Espanha de então, foi usada como desculpa para o golpe militar. Finalmente, as forças reacionárias do Exército começaram uma rebelião nos destacamentos de Marrecos e das Ilhas Canárias, em 17 e 18 de julho.

Após a derrota republicana, em 1939, o regime franquista se manteve no poder até a morte do Generalíssimo, em 1975, quando se planejou uma transição para a democracia. No entanto, ainda há graves problemas a serem investigados, como os crimes da ditadura que não foram devidamente julgados.

Para entender melhor essa história, recomendamos uma lista com oito filmes de diferentes épocas. Confira a lista:

1) Terra e Liberdade  (Ken Loach, 1995)

O grande filme do diretor inglês se baseia livremente na Homenagem a Catalunha, uma novela autobiográfica de George Orwell sobre a sua experiência como brigadista voluntário na guerra civil espanhola, nas filas do POUM anarco-trotskista. Um filme muito sólido historicamente, que mostra o avanço dos processos de socialização e evidencia as contradições nas filas revolucionárias.

2) ¡Ay, Carmela! (Carlos Saura, 1990)

No contexto da crucial Batalha do Ebro, um trio de comediantes que fazem apresentações para os republicanos se veem obrigados a atuar para os franquistas. Eles irão se adaptar e fazer humor contra os republicanos ou defender suas convicções, colocando em risco sua vida?  Além da história, a produção oferece um amplo cancioneiro revolucionário.

3) Libertarias (Vicente Aranda, 1996)

Baseada em uma novela homónima de Antonio Rabinad, a partir da história de uma freira que foge de um convento e se acaba unindo ao movimento feminista libertário conhecido como Mulheres Livres, o filme apresenta a atriz Ana Belen, Victoria Abril e Ariadna Gil, que mostra que as mulheres na revolução podem ir muito além dos papéis de mães e esposas ao quais, muitas vezes, seus companheiros revolucionários pretendiam delegá-las.

4) Por Quem os Sinos Dobram?  (Sam Wood, 1945)

Recupera a novela autobiográfica de Ernest Hemingway sobre suas experiências pessoais durante a Guerra Civil. Numa história plena de testosterona, que muitas vezes aposta mais no épico que na análise. Ainda assim, um clássico que vale assistir.

5) Nós somos assim! (Valentín R. González, 1937)

A central sindical anarquista CNT produz mais de 60 filmes durante os três anos da Guerra Civil, a maioria de documentários. Nesta oportunidade, trata-se de um comovente e ingênuo filme gravado em plena ofensiva das forças reacionárias contra Madri, que culmina com uma assembleia de crianças, entre as quais uma menina chamada Pasionaria.

6) La vaquilla (Luis García Berlanga, 1985)

Luis García Berlinda foi um dos maiores e mais divertidos diretores de cinema espanhol, idolatrado por Alex de la Iglesia e Santiago Segura. Provavelmente, era o único capaz de imaginar essa comédia a partir das peripécias de um batalhão republicano que tenta raptar um bezerro que os franquistas querem usar pra uma tourada. Com Alfredo Landa e grande atuação de José Sacristán como tenente republicano.

7) A espinha do diabo (Guillermo Del Toro, 2001)

O mexicano Guillermo del Toro protagoniza o filme sobre os meses finais da guerra, em um orfanato em que crianças republicanas tratam de sobreviver ao horror, com ajuda de um bondoso diretor, protagonizado pelo Federico Luppi. Os elementos fantásticos e de terror irão aparecendo sutilmente na historia até torná-la quase insuportável.

8) Serra de Terkel (Andre Malraux, 1945)

O escritor francês André Malraux, que também cambaleou com o piloto voluntário pela República, começou a rodar este filme bélico na Espanha em 1937, num cenário natural e com atores não profissionais. Por conta da guerra, teve retornar à França, em 1939, para terminá-lo. Lá, o filme estreou em circuitos muito pequenos, em 1945. Na Espanha, só pode ser visto dois anos após a morte de Franco, em 1977.

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Redação

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