“A troika já não consegue dizer que Portugal vai no bom caminho”

Em visita à Assembleia da República de Portugal, credores mudam o discurso. Parlamentar do Bloco de Esquerda afirma: “a culpa não pode morrer solteira; partidos que provocaram crise precisam assumi-la”.

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Em visita à Assembleia da República de Portugal, credores mudam o discurso. Parlamentar do Bloco de Esquerda afirma: “a culpa não pode morrer solteira; partidos que provocaram crise precisam assumi-la”

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A reunião dos elementos da troika com os deputados foi a menor de sempre, tendo durado pouco mais de uma hora. Nos escassos minutos em que “prestaram contas” aos deputados da comissão parlamentar eventual para o acompanhamento do programa, o representante do FMI nem chegou a tomar a palavra.

João Semedo adianta um motivo para a celeridade do encontro. “A grande novidade nesta reunião é que também a troika já não consegue dizer que Portugal vai no bom caminho”. O deputado do Bloco entende, no entanto, que “a questão política essencial é saber se se muda a receita ou se se insiste na receita. O que nós hoje ouvimos da troika foi praticamente nada. O que ouvimos foi os partidos do Governo, o PSD e o CDS-PP, particularmente o CDS-PP, a pedir mais prazo e mais dinheiro à troika”.

Os técnicos da troika reuniram-se hoje no Parlamento num cenário marcado pela recente divulgação de números que põem em causa a aplicação do memorando. O défice do primeiro semestre atingiu os 6,9%, bem longe dos 4,6% fixados para 2012, e fontes do ministério das finanças já admitem publicamente que as metas para 2012 não vão ser cumpridas sem medidas adicionais de austeridade.

“A culpa não pode morrer solteira. Há culpados e sabemos quem eles são: os partidos que assinaram o memorando com a troika, a troika que o impôs e o governo que, como bom aluno, o aplica”, afirmou João Semedo à saída da reunião com a troika.

“PSD e CDS são os responsáveis pela austeridade que esmaga quem vive do seu trabalho, pelo corte nos salários e nas pensões, pelo aumento dos impostos, pelo crescimento dos preços, pelo desemprego de mais de um milhão de trabalhadores, pela falência de empresas, pelo colapso da economia portuguesa, como resultado inevitável de um programa incapaz de tirar Portugal da crise”, resumiu o deputado do Bloco.

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