A crise hídrica paulista e o grande pacto da mídia

Omissão prolongada do desastre revela partidarização e “linha única”. Agora, velha mídia tenta sufocar, na Justiça, jornalismo cidadão que desmontou a farsa

Por Luis Nassif, no GGN

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Omissão prolongada do desastre revela partidarização e “linha única”. Agora, velha mídia tenta sufocar, na Justiça, jornalismo cidadão que desmontou a farsa

Por Luis Nassif, no GGN

Em 2005 houve o grande pacto dos grupos de mídia nacionais, seguindo o modelo do australiano Rupert Murdoch, trazido para o Brasil pelo presidente do grupo Abril, Roberto Civita.

Interrompeu-se a competição e definiu-se uma linha única de ação para todos os grupos, que consistia em uma luta sem quartel visando empalmar o poder político para facilitar a travessia para o novo padrão tecnológico que surgia.

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O capítulo mais ridículo foi o da criminalização de um ministro que se valeu do cartão funcional para adquirir uma tapioca.

O capítulo mais comprometedor foi a tremenda campanha negativa contra as obras da Copa, que acabou desmentida pelos fatos.

O país foi prejudicado de duas maneiras.

A primeira, pelo prejuízo às críticas fundamentadas que deveriam ser feitas às práticas do governo e acabaram trocadas por tapiocas e outras bobagens; a segunda, por ter desarmado totalmente a fiscalização sobre governos aliados.

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Essa perda de foco jornalístico foi em parte responsável por dois dos maiores desastres da história de São Paulo: as enchentes no governo José Serra e a grande crise de água que se prenuncia no governo Geraldo Alckmin.

As enchentes destruíram cidades, alagaram São Paulo e, não fosse o trabalho dos blogs e das redes sociais, as causas jamais teriam sido divulgadas. A razão principal foi o fato de Serra ter cortado as verbas de desassoreamento do rio Tietê  ao mesmo tempo em que inflava as verbas publicitárias e as compras de livros didáticos da editora Abril.

A suspensão dos trabalhos reduziu em 30% a 40% a vazão do rio. Os compromissos políticos espúrios dos grupos de mídia barraram os alertas provenientes de técnicos e especialistas.

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O mesmo ocorreu em relação ao problema da Sabesp. Durante todo 2014, os únicos alertas consistentes partiram dos blogs, porque os grupos de mídia se eximiram de sua responsabilidade.

Um dos momentos mais desmoralizadores desse neojornalismo foi a cobertura dada pela mídia ao uso do volume morto de água do sistema Cantareira. Uma medida de desespero, prenúncio dos problemas maiores que viriam pela frente, foi tratada como uma inauguração solene. “Foram distribuídos convites para convidados VIP, convidando para o início do bombeamento da reserva estratégica de água para o sistema Cantareira. Os telejornais deram espaço nobre às palavras de Alckmin, à sua postura grave, mostrando como, graças à eficiência do governo do estado, o paulistano terá mais seis meses rezando para que as chuvas venham. Se não vierem, nem todos os caminhões pipa do país darão conta da tragédia”.

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Se depender da maioria dos blogs militantes, não serão divulgadas críticas ao governo Dilma; se depender da atuação maciça dos grupos de mídia, não será veiculada nenhuma crítica ou denúncia contra governos e políticos aliados.

Ao pretender esmagar a blogosfera, sufocando-a com ações judiciais os grupos de mídia penalizam gravemente o direito à informação por parte do público.

O Judiciário precisa desinterditar o debate e ter coragem de discutir esse tema.

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2 comentários para "A crise hídrica paulista e o grande pacto da mídia"

  1. Estamos entrando numa guerra, em que cada um dos morador será um soldado e um general. Pra começar a luta, duas ações imediatas: ECONOMIZAR ÁGUA AO LIMITE e ESPALHAR ESSA CONSCIÊNCIA! No curtíssimo prazo essa é a missão. Depois conversamos sobre os próximos passos, porque essa lição terá que ser tatuada em cada um de nós!

  2. Ralph Panzutti disse:

    Uma das práticas que os deputados federais e também os senadores do PT é exigir que os senadores da oposição ( Serra e outros) esclareçam todas essas irregularidades que levaram ao colapso da água e também toda as irregularidades da privataria tucana. Todos os dias na tribuna

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