Violência, mulheres e saúde

Crédito: Mídia Ninja

A relação entre violência e saúde nem sempre é feita, apesar de estar bem na cara. Violências, de vários tipos, ferem e matam. É para isso que Fernando Carneiro, especialista em Vigilância em Saúde Ambiental, chama a atenção…

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VIOLÊNCIA, MULHERES E SAÚDE

A relação entre violência e saúde nem sempre é feita, apesar de estar bem na cara. Violências, de vários tipos, ferem e matam. É para isso que Fernando Carneiro, especialista em Vigilância em Saúde Ambiental, chama a atenção nesta entrevista ao IHU On-line. “Na década de 1980 o grande desafio da área de saúde pública era reduzir a mortalidade infantil, mas hoje o grande desafio é reduzir a mortalidade entre jovens e adolescentes que estão sendo assassinados. O número de mortes hoje no Brasil é igual ao número de mortes na Síria, que está em guerra, e 80% dos assassinados são negros” diz ele, que estuda especialmente a violência nas zonas rurais, ribeirinhas e de florestas. Carneiro também julga importante atentar para a questão de gênero, “porque as mulheres têm sido as maiores vítimas de violência”.

E a Guatemala é o terceiro país com maior taxa de feminicídio. O Guardian mostra a tentativa – e as dificuldades – de profissionais de saúde ajudarem mulheres que sofrem violência doméstica na cidade de San Carlos Sija, única no estado em que há algum esforço nesse sentido. “As histórias abundam, mas as pessoas não vêem como os serviços de saúde podem ajudar. Eu consigo convencer algumas mulheres de conversarem comigo enquanto profissional, mas quando eu explico o processo de denunciar o crime, muitas não querem continuar. Eu tenho que encaminhá-las para a polícia e depois elas devem passar pelo sistema de justiça local, devem devem comparecer perante um juiz que muitas vezes pede que considerem a reconciliação com seus parceiros”, relata uma psicóloga da região.

Um recorte bem específico e pouco debatido da violência é destaque no Intercept:  o assassinato de lésbicas, tendo a orientação sexual como motivação. O Núcleo de Inclusão Social da UFRJ acaba de lançar um Dossiê Sobre Lesbocídio (e inaugurou também o termo).

Outro recorte: a ONG Médicos sem Fronteiras fala dos riscos específicos para a saúde de mulheres e meninas em fuga de seus países. Gestações e partos sem acompanhamento e violência sexual estão entre os maiores problemas.

A Câmara aprovou ontem um projeto de lei que aumenta a pena para estupro coletivo e tipifica como crimes a divulgação de cenas de estupro e a importunação sexual (praticar ato libidinoso na frente de alguém, sem a concordância da pessoa – como aquele ejaculador do ônibus).

SOFIA GRITA

Se o 8 de março é dia de luta, em Belo Horizonte vai ter luta na maternidade. O Hospital Sofia Feldman, que passa por enormes dificuldades, chama para um ato de apoio às duas da tarde. No site da Abrasco, uma matéria pontua as razões políticas para a crise do hospital, que é uma das maiores referências do mundo para a assistência humanizada ao parto.

“PEDIRAM PARA EU NÃO TER FILHO NAQUELA HORA”

Faz quase um mês que a história de Jéssica Monteiro rodou o país: por ter 90g de maconha, ela foi presa no nono mês de gestação e entrou em trabalho de parto no dia seguinte, na prisão. Ontem o Brasil de Fato publicou uma reportagem sobre ela.

PATAXÓ PELA SAÚDE

No sul da Bahia, índígenas Pataxó ocuparam ontem o Pólo Base de Saúde para denunciar a falta de atendimento nas aldeias. Eles exigem soluções e conseguiram agendar para amanhã uma reunião com a coordenadora do Distrito Especial de Saúde Indígena e com o MPF. A ver.

MINISTÉRIO X SANOFI

Ontem o Ministério da Saúde decidiu romper ligações com a farmacêutica Sanofi, mas foi coisa rápida. Algumas horas depois, voltou atrás. Se mantida, a restrição impediria a compra de medicamentos da empresa mesmo em caso de licitações já fechadas.

Segundo a pasta, havia pendências fiscais por parte da Sanofi, que negava. A empresa disse então que havia uma certidão municipal não atualizada no sistema de cadastro, e o governo desistiu da suspensão. Apesar da justificativa das pendências fiscais, o Estadão diz que “o episódio foi visto como uma tentativa de retaliação da pasta à farmacêutica, que se opõe à forma de aquisição” de três medicamentos para doenças raras. No início do ano, quem ganhou a licitação para distribuir esses remédios foi a Global Saúde (que, aliás, como dissemos ontem, recebeu R$ 20 milhões e ainda não entregou os medicamentos), e a Sanofi é contra.

NÃO É LUXO

Em entrevista ao El País, a pesquisadora Celina Turchi, da Fiocruz, alerta para os cortes na ciência. Três anos atrás ela formou um grupo de pesquisa que mostrou como o zika vírus e a microcefalia se relacionavam, e foi reconhecida pela Nature como uma das dez cientistas mais importantes de 2016. Sobre os recursos para pesquisa em saúde pública, ela diz: “Pesquisa não é luxo, é necessidade e nessa área é uma questão de segurança nacional”.

VAMOS ALIMENTAR TODO MUNDO?

A pergunta surge de vez em quando, porque, daqui a 30 anos, o planeta vai ter 10 bilhões de pessoas. O texto publicado na revista The Atlantic não chega a uma resposta, mas fala das duas principais correntes que, desde o século passado, mostram caminhos (totalmente diferentes) para a questão da sobrevivência: uma prega a diminuição do consumo; outra acredita que a ciência vai arrumar uma solução.

Da primeira, derivam o movimento ambiental moderno e agroecologia; da segunda, vem o a do ‘tecno-otimismo’, a ‘Revolução verde’ da década de 1960, o uso intensivo dos solos, a pesquisa de agrotóxicos e sementes geneticamente modificadas. Charles Mann, que assina o artigo, olha os seguidores de cada uma como, respectivamente, profestas e feiticeiros. Depois da revolução verde, os feiticeiros conseguiram aumentar a produtividade, enquanto os profetas acertaram em cheio quando disseram que isso não resolveria o problema no longo prazo e haveria enormes danos ambientais e agricultores familiares miseráveis.

Agora, estima-se que nos próximos 30 anos a produção de alimentos tenha que aumentar entre 50% e 100% se o padrão de consumo se mantiver, principalmente porque o a criação de animais precisa de muitos grãos para ração, e produzir muitos grãos demanda muita terra, muita água e muita energia. Como já se chegou quase ao limite no uso das terras, irrigação e agrotóxicos, feiticeiros apostam nas modificações genéticas, enquanto profetas seguem anunciando a catástrofe. E, mais uma vez, é preciso escolher um caminho.

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