Trump anuncia rompimento com OMS. O que vem agora?

Decisão política tenta esconder desastre da resposta dos EUA à pandemia

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 1o de junho. Leia a edição inteira.
Para receber a news toda manhã em seu e-mail, de graça, clique aqui.

Na última sexta-feira (29/05), durante um pronunciamento na Casa Branca marcado para tratar de outro assunto, Donald Trump anunciou o “fim das relações” entre os Estados Unidos e a OMS. O presidente dos EUA afirmou que vai “redirecionar” o dinheiro desembolsado pelo país no funcionamento da Organização em outros “fundos”. Em 2019, os Estados Unidos direcionaram US$ 553 milhões para a OMS, entre contribuições formais e extras, o que representou cerca de 15% do orçamento do organismo.  

A decisão é profundamente política e funciona como uma cortina de fumaça para o desempenho do próprio Trump na coordenação de uma resposta nacional robusta à pandemia. Diante de uma trágica cifra que já ultrapassa as 102 mil mortes, o presidente americano voltou a acusar a OMS de ser controlada pela China e de não ter implementado – em menos de 30 dias – as “reformas” propostas unilateralmente e de maneira pouco objetiva pelos EUA em uma carta divulgada no dia 18 de maio. 

Os próximos passos não estão claros, já que a adesão dos EUA ao tratado que constituiu a OMS, feita em 1946, passou pelo Congresso americano. A saída do país do organismo poderia ter de seguir o mesmo caminho. O anúncio gerou reação negativa entre sociedades de especialistas e políticos democratas.

A União Europeia disparou um comunicado no sábado, pedindo que os EUA reconsiderem a decisão. “Diante desta ameaça mundial, é o momento de reforçar a cooperação e de encontrar soluções comuns. É preciso evitar atitudes que fragilizem os resultados em nível internacional”, diz o documento. Já a Alemanha, que assume a presidência do bloco europeu em julho, anunciou que pretende reforçar a presença da UE na Organização. 

Aliás, também na sexta-feira, Angela Merkel recusou o convite de Trump para participar da cúpula do G7 por causa da pandemia. O evento, que iria acontecer por videoconferência, foi desencavado pelo presidente dos EUA na semana passada. Ele propagandeou que a realização presencial seria um “exemplo de reabertura”. Austrália, Índia, Coreia do Sul e Rússia seriam convidados por Trump a participar da cúpula em um movimento político que criaria uma espécie de G11 com o propósito de isolar a China

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos