Máquina de moer gente

Não dá nem um minuto: a cada 48 segundos, acontece um acidente de trabalho no Brasil.

  Essa e outras notícias aqui, em seis minutos

08 de agosto de 2018

MÁQUINA DE MOER GENTE

Entre 2012 até o último dia 3 de agosto, foram cerca de 4,26 milhões de acidentes. Desse total, foram 15.840 óbitos. Ou seja, a cada 3 horas 38 minutos e 43 segundos uma pessoa morre por isso no país.

A informação foi retirada do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho do Ministério Público do Trabalho, ferramenta que permite vários tipos de busca, como qual parte do corpo do trabalhador foi acidentada, em qual estado aconteceu, e por aí vai.

No ano passado, o Observatório registrou  895.770 acidentes. Cortes, laceração, ferida contusa e punctura (furo ou picada) responderam por cerca de 92 mil casos. Ainda contabilizam nos dados 78.499 fraturas e 67.371 contusões e/ou esmagamentos. No mundo, são quase 200 milhões de acidentes por ano.

SINAIS DO PASSADO

Ontem, um novo caso de raiva animal foi confirmado em Votuporanga, interior de São Paulo. De acordo com a Vigilância Epidemiológica, há 20 anos não eram registrada a circulação da raiva na cidade. No último dia 27, a raiva foi confirmada em um gato, em São José do Rio Preto (SP), onde o vírus não circulava havia três décadas.

O estado já registrou 145 casos da doença este ano, média de duas ocorrências a cada três dias, conforme dados do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento. A doença, que não tem cura, pode ser evitada com vacinação de animais.

CORRENDO DO CÂNCER

Num passado remotíssimo, quando vivíamos numa sociedade de coletores e caçadores, levávamos pelo menos cinco horas nos exercitando. Hoje, no Brasil, 47% da população não atingem os 150 minutos semanais recomendados pela Organização Mundial da Saúde. O abismo é um problema, dizem pesquisadores, e se por aqui as pessoas se exercitassem pelo menos meia hora por dia, durante cinco dias na semana, 2.250 casos de câncer de mama e cólon poderiam ser evitados. O achado é resultado de pesquisa feita pela USP em parceria com as universidades de Cambridge (Reino Unido), Queensland (Austrália) e Harvad (EUA). Foi publicado na revista Cancer Epidemiology.

ENTRA E SAI DA GAVETA

Ontem o presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB) se reuniu com líderes partidários para acertar o que deve ser votado até as eleições. E ficou combinado que os principais projetos do governo Temer vão direto para a gaveta, enquanto PLs de saúde, educação e segurança que lá dormitavam vão à votação. Mas só os que tiverem consenso absoluto entre os parlamentares.

SOBRE O PACOTE

Falando em Congresso Nacional, um dos projetos de lei mais polêmicos e debatidos na sociedade dos últimos tempos é o chamado Pacote de Veneno, que desregulamenta uma série de regras, facilitando o uso de agrotóxicos no país. E o Outra Saúde publicou a entrevista com Fernando Carneiro, pesquisador da Fiocruz Ceará e coordenador de um relatório da Associação Brasileira de Saúde Coletiva que reúne todas as evidências científicas contrárias à aprovação do PL.

GERA INTERESSE

iniciativa não partiu da saúde, mas do pessoal da educação. A Associação dos Jornalistas de Educação (Jeduca) encomendou ao Datafolha e à ONG Rede de Conhecimento Social uma pesquisa para compreender o interesse da população em notícias sobre o assunto. Mas no resultado a saúde aparece em segundo lugar entre os temas que mais geram interesse, com 78%, um pouquinho abaixo da educação (80%) e muito acima do terceiro colocado, o noticiário de cultura (54%).

MAIS GRAVE QUE VIOLÊNCIA

No Rio de Janeiro, a população carcerária morre mais de doenças infecciosas, más condições de higiene e falta de profissionais de saúde do que de violência entre presos. A conclusão é da Defensoria Pública do estado, que fez um levantamento e descobriu que nos primeiros quatro meses de 2018, uma pessoa morreu a cada dois dias nas celas fluminenses. Os números vão servir de argumento para que o órgão mova uma ação civil pública contra o estado e a capital, onde ficam 31 das 55 prisões. Também o sistema penitenciário do estado está no guarda-chuva da intervenção federal na segurança pública, que pode ir até o fim do ano.

SEMANA QUE VEM

A Pastoral Carcerária vai lançar no dia 16 de agosto um relatório sobre os manicômios judiciários.  A organização visita os três Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico do estado de São Paulo desde 2014.

 É HOJE

Que o Senado argentino vota o projeto de lei de despenalização do aborto até a 14ª semana de gestação. A projeção mais atual aponta para dificuldades: de um total de 72 parlamentares, 37 seriam contra; 32 a favor e apenas três estariam indecisos.

Atualmente, a interrupção voluntária da gravidez só é permitida naquele país em casos de risco de morte para a mãe ou de estupros. Nessa reportagem, dá para ter uma ideia de como funciona uma rede de socorristas que ajuda mulheres que querem interromper a gravidez.

GIRO NO DEBATE

Entrevistada pelo jornal O Globo, a antropóloga Débora Diniz avalia que a audiência pública promovida pelo STF foi um “giro no debate público” sobre aborto no Brasil.

“No primeiro dia, as mais importantes comunidades científicas foram consensuais: a criminalização não é política de saúde, mas de desamparo. Os dados científicos confiáveis foram explicados e apresentam o que já se sabia: só a descriminalização diminui o número de abortos, cuida das mulheres e protege a família. Os argumentos em defesa da prisão dessas mulheres foram de ordem moral, semelhantes aos das comunidades da fé desta segunda-feira. Não há como o Supremo ignorar o que foi apresentado à exaustão nesses dois dias.”

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