Inovação desigual

Como as barreiras que mulheres enfrentam na ciência se refletem na inovação – e podem atrasar a descoberta de tecnologias voltadas para a saúde feminina

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Pesquisadores da Universidade de Harvard analisaram mais de 400 mil patentes relacionadas à saúde depositadas nos Estados Unidos ao longo de quase 40 anos e descobriram que, em 2010, apenas 16% haviam sido geradas por equipes compostas principalmente por mulheres. É um percentual maior do que em 1976 (primeiro ano analisado pelo trabalho), quando eram 6,3%. Mas, ainda assim, muito pequeno.

Tem mais. Usando um algoritmo, os cientistas buscaram por termos que indicassem se as invenções eram relacionadas à saúde feminina ou masculina. Viram que as equipes compostas por mulheres tinham 35% mais chances de inventar tecnologias relacionadas à saúde da mulher.

Faz sentido: as barreiras que mulheres ainda enfrentam para avançar na ciência explicam sua participação reduzida nas equipes de inventores, e é comum que inovações sejam motivadas por problemas que afetam a vida dos cientistas envolvidos. “Isso poderia explicar em parte por que as doenças que afetam desproporcionalmente as pessoas de grupos étnicos minoritários ou pessoas que vivem em países em desenvolvimento tendem a receber menos financiamento para pesquisa do que as doenças que afetam pessoas brancas com privilégios financeiros. Se as equipes de pesquisa fossem mais diversificadas racialmente, o foco de seu interesse poderia mudar”, avalia a socióloga Laurel Smith-Doerr na reportagem da Nature

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