Exército recebe dinheiro da MP das Vacinas e… compra cloroquina

Saúde direcionou R$ 95 milhões para Ministério da Defesa, que tem gasto com manutenção de helicópteros, operações sigilosas e “kit-covid”

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Em 17 de dezembro, Jair Bolsonaro assinou uma medida provisória que liberou R$ 20 bilhões em crédito extraordinário para que o Ministério da Saúde adquirisse vacinas e acelerasse a campanha de imunização. Em janeiro, ainda sob o comando de Eduardo Pazuello, a pasta assinou um termo para que R$ 95 milhões desse total fossem transferidos para o Ministério da Defesa – sempre com a justificativa da vacinação. Agora, a Folha mostra que as Forças Armadas vêm gastando parte do dinheiro com “kit-covid” e outras coisas que nada têm a ver com a finalidade da MP.

O repórter Vinicius Sassine descobriu que o Hospital Geral de Belém, unidade ligada ao Comando Militar do Norte, torrou R$ 5,2 mil na compra de cloroquina, azitromicina e outras drogas. O 17º Batalhão de Fronteira, que fica em Corumbá (MS), cidade vizinha à Bolívia, usou R$ 4,2 mil para comprar mil comprimidos de azitromicina, 300 de ivermectina e outros medicamentos. Questionado pelo jornal sobre o uso do dinheiro para a compra de drogas sem eficácia para covid-19, o Exército não respondeu.

Transparência não é mesmo o forte dos militares, que reservaram R$ 150 mil dos recursos da MP para “gastos sigilosos” no Centro de Inteligência do Exército. Questionado, neste caso o Exército afirmou que usou esse dinheiro no levantamento de áreas para postos de vacinação, e também no “reconhecimento de itinerários e levantamento de áreas de risco ao material e ao pessoal empregado na vacinação” – o que parece bem estranho. 

A maior parte do dinheiro, no entanto, vem sendo usado para pagar empresas contratadas para manutenção e fornecimento de suprimentos a helicópteros. A Comissão do Exército em Washington reservou R$ 3,6 milhões para esse fim. E o Comando Logístico, R$ 2 milhões. 

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