Coronavírus: as dúvidas que ainda cercam as reinfecções

Há pouco mais de 20 casos confirmados e quase sempre os pacientes têm sintomas mais leves do que da primeira vez – mas já há registros da situação oposta

Foto: Peter Ilicciev/Fiocruz

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 7 de outubro. Leia a edição inteira.
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Quando a primeira reinfecção pelo novo coronavírus foi confirmada, os cientistas mostraram o lado positivo da coisa: pelo menos o paciente ficou assintomático em sua segunda contaminação, indicando que a imunidade adquirida havia sido suficiente para protegê-lo até certo ponto. Os novos casos que começaram a ser identificados depois eram semelhantes. Mas então começou a haver registros de pacientes com sintomas piores na segunda infecção. Eles ainda são incomuns: casos pontuais nos Estados Unidos, Holanda, Equador e Índia. Uma reportagem do Guardian explica que, agora, isso ainda intriga cientistas e não há como tirar grandes conclusões. 

A ocorrência de sintomas piores pode se dar por diferentes razões: a pessoa pode ter sido exposta a mais vírus da segunda vez, ou pode já estar com alguma doença no momento dessa contaminação. Também há o risco de ter a chamada potencialização dependente de anticorpos, uma falha no sistema imunológico em que os anticorpos passam a ajudar um vírus invasor, em vez de combatê-lo (como acontece com a dengue). Pode ser ainda que, em alguns pacientes, o coronavirus prejudique as células T.

Também não se sabe ao certo quantas reinfecções realmente já aconteceram. Há, registradas, pouco mais de 20. Mas pesquisadores ouvidos na matéria dizem, assim como já alertamos aqui na newsletter, que elas podem não ser tão raras quanto parecem. Isso porque não é simples confirmá-las – já que, além do teste para covid-19, ainda é preciso fazer o sequenciamento genético do vírus de cada momento. Isso quase nunca é feito, e muitos casos podem passar desapercebidos. 

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