Um em cada sete estudantes de 13 a 17 anos relata já ter sofrido violência sexual

Para as meninas, taxa é de uma em cada cinco. Números fazem parte de pesquisa do IBGE sobre a saúde dos alunos no Brasil

Por Leila Leal

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Enquanto o governo Bolsonaro e sua agenda ultraconservadora atacam as políticas públicas de prevenção à violência sexual e tentam bloquear a discussão e a orientação sobre esse tipo de abuso em escolas, uma em cada cinco estudantes brasileiras entre 13 e 17 anos relata já ter sofrido violações dessa ordem. O percentual de meninas que já sofreram agressão sexual (20,1%) é mais que o dobro do registrado entre meninos da mesma faixa etária (9%), segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Divulgado na última sexta, o estudo traz dados de 2019. Foram entrevistados 11,8 milhões de estudantes do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. 

Os dados gerais, sem levar em conta o gênero dos entrevistados, apontaram que 14,6% (um em cada sete) já foi vítima de violência sexual. Nada menos que 6,3% relataram já ter sido estuprados, e novamente o índice entre as meninas foi significativamente maior (8,8% entre elas e 3,6% entre eles). Entre as vítimas de abuso, 29% relataram que o agressor foi o namorado ou namorada; 16,4% apontaram um familiar como autor; e em 6,3% dos casos, o pai, mãe ou responsável. 

A PeNSE mostrou ainda que, em 2019, 38,5% dos estudantes não tinham acesso a lavatórios em boas condições e sabão para lavagem das mãos em suas escolas. Os problemas de infraestrutura foram relatados entre 44,6% dos escolares de instituições públicas, contra 2,5% das escolas privadas. Quando separados os itens essenciais para a higiene básica das mãos, fica evidente que o maior problema é o acesso ao sabão. Enquanto 96,3% dos estudantes têm acesso a pias ou lavatórios nas escolas, apenas 62,2% disserem contar com oferta de sabão. 

A radiografia, que investiga os fatores de risco e o estado da proteção à saúde dos adolescentes, levanta também preocupações quanto à saúde mental dessa parcela da população. O resumo obtido a partir dos cinco indicadores básicos (sentimento de preocupação com as coisas comuns do dia a dia; sentimento de tristeza; sentimento de que ninguém se preocupa com ele(a); sentimento de irritação, nervosismo ou mau humor; sentimento de que a vida não vale a pena ser vivida) mostrou que quase um quinto deles (17,7%) apresenta quadros negativos em saúde mental.

Vale atentar para o fato de que, embora esses números de 2019 já sejam muito ruins, há uma boa chance de eles terem piorado a partir do ano passado – especialmente os relacionados a violência e saúde mental. As escolas são importantes locais de identificação de abuso sexual, e frequentemente é desses espaços que partem as denúncias. 

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