Marxismo e as epistemologias do sul

Por que, além do capitalismo, será preciso tombar o império da razão ocidental? Os precarizados serão os novos os coveiros da burguesia? Como os saberes decoloniais poderão forjar uma esquerda mais portadora do futuro que de nostalgia?

Imagem: Favianna Rodriguez

Karl Marx escreveu, em 1845, as chamadas Teses sobre Feuerbach, na realidade um conjunto de aforismos, cujo mais vazio de realidade e conteúdo foi o que se popularizou e ganhou vida própria: “os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras, trata-se, entretanto, de transformá-lo”. Logo em seguida, 1848, ao escrever, juntamente com Engels, o “Manifesto do Partido Comunista”, reconheceu a burguesia como classe revolucionária, e disse mais: “a burguesia não pode existir sem revolucionar permanentemente os instrumentos de produção, por conseguinte as relações de produção, por conseguinte todas as relações sociais”.

Uma classe que permanentemente revoluciona os instrumentos de produção, as relações de produções e as relações socias, será que envelhece e pode ser substituída por outra? Sendo a burguesa permanentemente revolucionária, ou seja, transformadora permanente do mundo, realizou-se o que importava para Marx, segundo a sua 11ª tese sobre Feuerbach, transformar do mundo? As derrotas da classe operária, reconhecidas por Marx nas Lutas de Classes na França [1848 – 1850], no 18 Brumário de Luís Bonaparte e na Guerra Civil na França, bem como as experiências históricas da Revolução Russa de 1917 e tantas outras, significam que ao identificar o proletariado como o coveiro da burguesia, Karl Marx estava equivocado e ancorado numa visão especulativa e idealista?

Terry Eagleton esclarece que o apelo de Marx ou o seu chamado aos filósofos para transformação do mundo “esquece que, para começar, sem conceitos abstratos não haveria mundo real para nós. A ironia do gesto de Marx é que ele faz esta exigência como filósofo, não penas como militante” (1999, p. 9). A ideia de transformação social e toda radicalidade que ela implica é um dos termos mais caros aos chamados marxistas ortodoxos ou exegetas, que, ao se postarem como apologistas da ideia de que existe uma leitura única e verdadeira dos textos de Marx, deixam transparecer para sua audiência terem como maior gozo o ato de interpretar Marx como se fosse uma escritura sagrada.

Os marxistas ortodoxos ou exegetas fazem parte de um dos contingentes de indivíduos que, dentro da sociedade capitalista, são liberados do trabalho produtivo devido à divisão entre trabalho intelectual e trabalho manual, torando-se, por privilégios, jornalistas, críticos literários, produtores culturais, escritores e acadêmicos, atividades que são relevantes para o processo de transformação do sistema-mundo moderno/colonial e de desenvolvimento da criatividade estética e cultural da humanidade, mas que podem, também, cair no campo da alienação ou ganhar uma postura escolástica produtora de fantasias, capacidade de representar algo sem representar algo real.

Os marxistas ortodoxos não são operários, na maioria das vezes estão distantes dos movimentos sociais, buscam prestígios e distinção que são inerentes a uma vida burguesa, vivem num ambiente longe da realidade material do proletariado, numa bolha, e sempre têm um discurso para explicar porque os que estão na militância comentem equívocos e não fazem a revolução. Sabedores dos caminhos e das receitas para revolução, nunca tomam a iniciativa de efetivarem o que falam e o que sabem. Alguns até são críticos dos marxistas profundamente engajados nas lutas sociais e que travam o chamado bom combate contra o capitalismo e o imperialismo.

Os marxistas exegetas dão a entender que a verdadeira revolução só vai acontecer quando eles, de seus gabinetes produzindo, fiéis intérpretes de Marx, forem ouvidos e seguidos. Portanto, como eles falam entre si, estabelece-se um paradoxo, pois a revolução socialista, segundo Marx, tem que ser obra proletária. Será que tal postura tem algo a ver com a formulação do Marx de que os filósofos até a modernidade só interpretaram o mundo, mas o que importa como desafio é transformar o mundo? Todavia, como constatou Marx, na modernidade, foi a classe burguesa que, com o pensamento iluminista, a revolução política francesa e Revolução Industrial, passou a transformar o mundo. Será que o proletariado tem que ser marxista para ser revolucionário ou é o marxista que tem que ser proletarizado para ser revolucionário?

Sendo a obra de Marx parte constituinte do pensamento ocidental moderno, ela está estribada no chamado de método dialético; método porque obedece à exigência da epistemologia eurocêntrica moderna de que todo saber rigoroso, para ser reconhecido como válido e verdadeiro, tem que ser pensado metodologicamente. O que muitos marxistas ignoram é que o pensamento dialético de Hegel e Marx tem como implicação a sua negação, a sua superação e a sua atualização. Portanto, tratar o pensamento de Marx como de todo atual é se relacionar com ele de forma religiosa, como se fosse livros que compõe uma bíblia sagrada, é negar o sentido mais profundo da dialética: a sua superação. Marx acreditava que, com o processo civilizador moderno burguês, “tudo que é sólido se desmanchava no ar”, inclusive a sua obra, pois a realidade é movimento constante, é dialética, é devir. Marx tinha consciência de que não era marxista.

Por sua vez, sendo o marxismo um pensamento eurocêntrico e moderno, talvez, por isso, ele tenha dificuldades de romper com a colonialidade do ser, do saber e do poder, estabelecendo o seu foco apenas no sistema econômico (capitalismo) do processo civilizador moderno. Assim, ao realizar a crítica à economia política, a partir de uma visão eurocêntrica, não consegue fazer a crítica da colonialidade do poder. Portanto, não percebe que só a superação do capitalismo não é suficiente para romper com os processos de dominação, exploração, humilhação colonial e de subordinação que são próprios da colonialidade do poder moderno. Dessa forma, um pensamento e um partido de inspiração marxista são desafiados a, constantemente, realizarem a atualização de seus princípios e de seus fundamentos, de suas análises sobre a dinâmica social, produzindo novas teorias sobre as novas realidades e, o mais importante, desenvolvendo lutas contra todas as formas de dominação, exploração e subalternização dentro do sistema-mundo colonial/moderno.

Os marxistas acham que o proletariado, na constituição do seu ser de classe, é sujeito da revolução contra o capitalismo, não contra o processo civilizador moderno. Todavia, o proletariado é entendido ou como uma essência revolucionaria em si; não como um portando de todos os vícios e desejos da sociedade capitalista (individualista, racista, machista, alienado, subalterno), ou como uma tábula rasa em que tudo que é preciso para fazer acontecer a revolução pode ser colocado em sua consciência, que, por conseguinte, virará ação política revolucionária.

Nesses dois entendimentos sobre o proletariado ficam claros os limites para o enfrentamento não só do capitalismo, mas da crise do processo de civilização moderna, cujo capitalismo é apenas o seu sistema econômico, e não basta superar o sistema capitalista para se pôr fim aos múltiplos processos de dominação, exploração e subalternização da colonialidade do saber, do poder e do ser que são inerentes ao processo civilizador moderno.

O processo de produção, valorização e reprodução da acumulação do capital, bem como as crises nas relações das forças produtivas, não levaram, até o momento, à revolução socialista em nenhuma parte do mundo. Na modernidade, em nenhum lugar do mundo a classe operária chegou ao poder e nem os meios de produção foram socializados. Quantos séculos serão necessários para que se possa chegar à conclusão que o referencial teórico político marxista tem algo de equivocado, limitado ou em desacordo com a realidade? Quando um referencial teórico deixa de ser um referencial e vira uma crença, que tipo de limites e prejuízos pode trazer para os desafios históricos postos pela realidade?

No século XXI, a burguesia, que, como diz Marx, revoluciona permanentemente os instrumentos de produção, as relações de produções e as relações sociais, mantém em curso a quarta revolução industrial que vem introduzido mudanças no modo de ser e se relacionar com o mundo bem diferentes de tudo o que já foi experimentado na história da humanidade. Como o homem é um ser situado, era muito difícil, no tempo de Marx, imaginarem-se as possibilidades de bilhões de pessoas conectadas por dispositivos móveis se relacionando, realizando consultas médicas, assistindo aulas, fazendo compras, pedido comidas prontas que são entregues em suas residências ou em seus locais de trabalho, acionando transporte e tantas outras coisas, como marcando ou vivenciando encontros amorosos por meio de aplicativos.

Com a quarta revolução industrial, o sistema-mundo moderno/colonial oferece uma profusão de inovações tecnológicas em diferentes áreas que modificam toda a estrutura social, os valores, a imaginação e o modo de ser e de estar no mundo de todos os indivíduos do planeta: inteligência artificial, robótica, internet das coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, nanotecnologia, biotecnologia, ciências dos materiais, armazenamento de energia, computação quântica e muito mais.

No mundo globalizado, o sistema-mundo moderno/colonial vem promovendo mudanças abrangentes e velozes que vêm revolucionando os processos produtivos, o consumo, os meios de transportes e logísticos, de comunicações, de relações pessoais e trabalhistas. Cada vez mais o conhecimento tecnológico e científico se volta para a potencialização da reprodução e acúmulo de capital por meio da viabilização da utilização máxima possível do trabalho morto [máquina, robôs, sistemas operacionais e aplicativos] em substituição ao trabalho vivo [mão de obra humana].

A afirmação de Marx e Engels no “Manifesto Comunista” (2005, p. 57) de que a grande indústria e o seu desenvolvimento “abala sob os pés da burguesia a própria base sobre a qual ela produz e se apropria dos produtos. A burguesia produz, acima de tudo, seus próprios coveiros. Seu declínio e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis”, diante da história do processo civilizador moderno e da quarta revolução industrial em curso, tem ainda validade? Acreditar nessa afirmação é uma atitude dialética ou é um ato de fé?

Três anos antes de Marx e Engels escreverem o Manifesto, em 1845, eles escreveram a “A Ideologia Alemã”, obra que nos convoca a pensarmos sobre os possíveis mecanismos e sujeitos da transformação social no mundo da quarta revolução industrial, pois nessa obra eles afirmam que:

As ideias da classe dominante são em cada época as ideias dominantes, isto é, a classe que constitui a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, a sua força intelectual dominante. A classe que dispõe dos meios de produção material detém ao mesmo tempo o controle sobre os meios de produção espiritual, de tal modo que, em geral, as ideias daqueles que carecem dos meios da produção espiritual ficam sujeitas a esta classe. As ideias dominantes são nada mais que a expressão ideal das relações materiais dominantes, são as relações materiais dominantes concebidas como ideias (MARX; ENGELS, 2007, p. 71).

Com a quarta revolução industrial em curso cada vez mais o trabalho vivo vai se tornando menos necessário e a classe operária vai diminuindo numericamente e perdendo sua importância e necessidade no processo produtivo. A classe operária industrial, produtora de mais-valia, que Karl Marx imaginava que passaria de classe em si ( explorada e alienada) para classe para si (consciente e organizada politicamente), constituindo-se em coveiro da burguesia e protagonista da revolução socialista, cada vez mais vai se deslocando do processo de produção de mais-valia e se transformado em indivíduos pejotizados, uberizados, agentes do precariado, fast-foodizados, ifoodizados, que não têm vínculos com padrão e que passam a ganhar a sobrevivência se colocando de forma subalternizada a disposição de aplicativos, ou seja, de plataformas digitais administradas de forma impessoal, ao mesmo tempo em que os que se tornam totalmente desnecessários no processo de exploração produtiva são execrados até dos precários meios de trabalho e jogados nas ruas. Todos, nesse processo, são transformados no que Marx e Engels denominaram de lumpemproletariado, ou seja, os que não exercem trabalho regular, não têm trabalho ou vivem na miséria. Todavia, o lumpemproletariado para Marx e Engels não é um agente revolucionário, dizem eles:

Lumpemproletariado, essa putrefação passiva dos estratos mais baixos da velha sociedade, pode, aqui e ali, ser arrastado ao movimento por uma revolução proletária; no entanto, suas condições de existência o predispõem bem mais a se deixar comprar por tramas reacionárias (MARX; ENGELS, 2005, p. 55).

Quando uma teoria vira uma fé, nela passamos a encontrar as justificativas para os sacrifícios impostos, os comportamentos autoritários realizados, identificamos a produção de jogos de linguagens para explicar as derrotas, os fracassos e a afirmação continuada de sua validade, como se os equívocos fossem de ordem prática, da ação política ou realizados em seu nome por algum indivíduo muito poderoso (como Stálin), e não da própria teoria que se permite ser transformada em dogma de fé. É como se o correto fosse agir para comprovar a validade de uma teoria que é sempre válida e sagrada porque foi escrita por alguém iluminado e divino. Portanto, não se trata de partir de uma ação política e ir pensando e elaborando uma reflexão sobre a ação e a cada ação vai se refazendo a teoria que, por sua vez, se reatualiza no agir. Na segunda tese sobre Feuerbach, Marx afirma:

A questão se uma verdade objetiva pode ser atribuída ao pensamento humano não é teórica, mas prática. É na prática que o homem deve demonstrar a verdade, ou seja, a realidade e o poder, o caráter terreno de seu pensamento. A disputa sobre a realidade ou irrealidade do pensamento, quando isolada da prática, é uma questão puramente escolástica (MARX, 2007, p. 27).

Em 1980, no auge da Terceira Revolução Industrial, o marxista francês André Gorz escreveu o livro “Adeus ao proletariado. Para além do socialismo”, um ensaio em torno de temas que poderia fazer renascer a esquerda portadora de futuro (1) e não de nostalgia. Nesse livro, Gorz afirma que a teoria marxista do proletariado não se funda em um estudo empírico dos antagonismos de classes nem em uma experiência militante da radicalidade proletária. Pois, do ponto de vista prático, afirma André Gorz:

O desenvolvimento das forças produtivas do capitalismo é funcional apenas com relação à lógica e às necessidades do capitalismo. Esse desenvolvimento não somente não cria a base material do socialismo como lhe cria obstáculos […] O desenvolvimento do capitalismo produziu uma classe operária que, em sua maior parte, não é capaz de se tornar dona dos meios de produção e cujos interesses diretamente conscientes não estão de acordo com uma racionalidade socialista […] O capitalismo deu nascimento a uma classe operária cujos interesses, capacidades e qualificações estão na dependência de forças produtivas elas mesmas funcionais apenas à racionalidade capitalista (GORZ, 1982, p. 26).

No pensamento político marxista, alimenta-se a crença de que a filosofia moderna iluminista, por meio de Hegel e Marx, produziu um pensamento dialético ou método científico que, se aplicado corretamente, garante a infalibilidade da razão como prática do pensamento sobre o mundo, desvendando de forma segura a verdade em sua totalidade. Tal argumento, na realidade, reafirma a tradição ocidental do conhecimento único, verdadeiro e universal.

Alguns intelectuais transformaram o método dialético em uma forma de pensamento linear e teleológica ao defenderem que no processo evolução histórica um modo de produção se sucede a outro mais complexo, e que, sendo assim, o modo de produção capitalista em sua imanência seria portador de contradições e antagonismos que expressariam como potência a sua superação. Tal potência seria atualizada por meio de uma revolução proletária, que efetivaria um novo modo de produção: o socialismo. O fim do capitalismo, todavia, marcaria o fim da pré-história, pois o proletariado traz em si a potência a ser atualizada de classe universal a recompor o ser genérico do homem que lhe foi alienado pela divisão do trabalho e pela luta de classes.

Certos marxistas são contrários ao ecletismo epistemológico argumentando que o método dialético da razão moderna é científico e o único capaz de pensar adequadamente a verdade na sua totalidade. No pensamento decolonial não existe um método único e infalível com o qual se possa pensar a realidade, nem existe o método, mas uma ecologia de saberes, há o reconhecimento de um conjunto de saberes e epistemologias que foram subalternizadas e invisibilizadas pela razão ocidental moderna. No pensamento decolonial, as formas de saberes são situadas no tempo (datadas e históricas) e no espaço (localizadas, enraizadas, provincianas), não existe um único caminho para o processo de libertação das formas de opressão, dominação, subalternização e exploração, nem modelo único de sociedade a ser seguido. Pelo contrário, a ideia de pluriverso ou pensamento pluriversal implica existência de vários caminhos e possibilidades para a construção de outro horizonte no qual vários modelos de sociedades e civilizações (mundos) são possíveis. Não existe método dialético ou razão ocidental que possam inibir os subalternos, os explorados, os dominados, de imaginarem e se colocarem de forma ativa em torno da construção de outros mundos possíveis, pois eles são produtores de saberes, de racionalidades outras e protagonistas das lutas que são de longa duração histórica.

A ideia de um outro horizonte civilizatório onde uma pluralidade de mundos sejam possível como superação do sistema-mundo moderno/colonial se potencializa pela combinação da ação de tornar visível e validar uma pluralidade epistêmica que torna possível o fim do império cognitivo da modernidade (epistemologias outras, como diz Walter Mignolo, ou epistemologias do sul, como diz Boaventura de Sousa Santos) com as lutas e os conflitos cotidianos de resistência e pelo definhamento das instituições e práticas de exploração da matéria que perpetuam a luta de classes e alimentam as relações de dominação racistas, patriarcais, de humilhação colonial, de opressão sexual e de gênero, de dominação estética e cultural. Portanto, um outro horizonte civilizatório e pluriversal é possível por meio de lutas e conflitos contra a modernidade/colonialidade ou, dito de outra forma, pela luta contra a colonialidade do saber (epistemologia eurocêntrica e eurocentrada), do ser (ontologia ocidental moderna) e do poder (economia e política moderna).

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Referências:

EAGLETON, Terry. Marx. São Paulo, Editora UNESP, Coleção grandes filósofos, 1999.

GORZ, André. Adeus ao Proletariado. Para além do socialismo. Rio de Janeiro, Forense-Universitária, 1982.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2007.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo, Martin Claret, 2005.

SCHWAB, Klaus. A quarta revolução industrial. São Paulo, Edipro, 2019.

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(1) Uma esquerda portadora do futuro não é neodesenvolvimentista e nem keynesiana, pois, como afirma André Gorz (1982, p. 11): “Keynes está morto: no contexto da crise e da revolução tecnológica atuais, é rigorosamente impossível reestabelecer o pleno emprego por um crescimento econômico quantitativo”.

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