Para examinar em profundidade a onda evangélica

160517-Pentecostais

Outras Palavras exibe e discute Púlpito e Parlamento. Produzido por Felipe Neves, filme sugere que poder pentecostal é mais enraizado que pensamos – porque apoia-se em sólido trabalho político e social de base

Cine-Debate: Púlpito e Parlamento

Quarta-feira, 18 de maio, às 19h30

Rua Conselheiro Ramalho, 945 – São Paulo (mapa)– Metrô São Joaquim ou Brigadeiro

Ingresso: contribuições voluntárias

Confirme sua presença e divulgue

No remoinho de novidades chocantes em que o governo ilegítimo de Michel Temer tenta envolver o país, certas perguntas ainda estão sem resposta. Ao propor um leque tão vasto de medidas retrógradas e antipopulares – o corte de direitos dos usuários do SUS é a mais recente –, Temer e os que o apoiam sobreviverão? Por que eles não temem os movimentos de resistência, que também se espalham rapidamente? Cometem um erro de cálculo brutal ou imaginam que os protestos não atingirão sua base – composta inclusive pela poderosa bancada evangélica?

Púlpito e  Parlamento, filme que Outras Palavras exibirá nesta quarta-feira (17/5), às 19h, convida, precisamente, a examinar melhor a crescente influência pentecostal na vida política brasileira. O autor, Felipe Neves, um jovem jornalista, não esconde sua repulsa diante de figuras como o deputado Pastor Feliciano. Mas sugere ir além: a oposição a Feliciano e seus iguais não será eficaz enquanto não compreendermos em profundidade as raízes de sua força e, num certo sentido, enquanto não a questionarmos lá mesmo onde ela se fincou.

Felipe conhece esta força de perto. Crescido em família evangélica, ela acompanhou em casa a simbiose que os pastores pentecostais buscam promover entre fé, socialização e opções políticas, Há dois anos, foi a campo para investigar este fenômeno num plano menos restrito. Colheu dezenas de depoimentos, em trinta horas de gravação em São Paulo, Rio e Brasília. Desta pesquisa resultou o filme.

Uma das principais recomendações que despontam da obra é não enxergar os evangélicos nem como rebanho, nem como grupo uniforme. “São mais de 40 milhões, divididos em inúmeras denominações, cada uma com códigos sociais, culturais e políticos próprios”, frisa o diretor. A presença pentecostal está tão capilarizada pelo país – especialmente nas periferias em grotões – quanto seus templos. Em muitos sentidos, eles ocuparam o espaço que a esquerda abandonou, com a institucionalização de partidos como o PT e o declínio das Pastorais Sociais ligadas à Teologia da Libertação.

Como recuperar o terreno perdido? Não há, é claro, respostas simples. Mas vale aceitar o convite a investigar e refletir, feito por Púlpito e Parlamento. Após a exibição, nesta quarta-feira, haverá debate. Participarão, além do próprio Felipe Neves, os seguintes convidados:

Magali Cunha – Professora de Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo

Edin Sued – Professor de Teologia da PUC, integrante do Núcleo de Fé e Cultura

Gedeon Alencar – Doutor pela PUC em Ciências da Religião, com foco em questões dos pentecostais.

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4 comentários para "Para examinar em profundidade a onda evangélica"

  1. Não há dúvida que o vácuo deixado pela teologia da libertação seria ocupado por outros grupos de forma pragmática sem objetivo de conscientizar o povo para mudança da realidade existente no que tange a saúde,educação , segurança, emprego, distribuição de renda , democracia plena., espiritualidade. solidariedade exercício da cidadania.

  2. Maurício Gil - Floripa (SC) disse:

    A Igreja Católica deu um tiro no pé ao combater sem tréguas a Teologia da Libertação, na pessoa de seus padres e bispos que faziam um trabalho importantíssimo de conscientização e socialização junto aos despossuídos Brasil a fora. Hoje indagam-se, reúnem-se, discutem, apavorados, o por que da perda de seus fiéis para as evangélicas.
    Bergoglio chegou tarde.

  3. josé mário ferraz disse:

    O caos permanecerá enquanto o povo estiver fazendo marcha com Cristo em fez de fazê-la com Sergio Moro e Rodrigo Janot.

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