Mulheres no funk: poderosas ou dominadas?

130424-bailefunk

foto: Graham Burchett

Seriam as garotas meras oprimidas nos bailes? Exerceriam, ao contrário, o papel de novas feministas? Uma pesquisadora do Rio acha que é preciso desfazer os dois mitos

Por Gabriela Leite

O estudo do funk, estilo musical muito popular e que sofre grande preconceito no Brasil, já existe nas faculdades de antropologia desde a década de 80. Mas faltam pesquisas sobre o papel da mulher neste ambiente. É o que diz Mariana Gomes, estudante de mestrado da Universidade Federal Fluminense em seu projeto “My pussy é o poder: A representação feminina através do funk no Rio de Janeiro: Identidade, feminismo e indústria cultural”. Para ela, que se diz fã do ritmo em seu blog, o funk pode ser responsável pela liberação sexual da mulher, mas é preciso compreender seus limites.

Tratado na mídia de forma sensacionalista (destacou-se sua suposta apologia a uma das cantoras), o projeto de Mariana deixa bem claro: precisamos compreender com mais profundidade o fenômeno. No funk carioca, a mulher não costuma ocupar papel de protagonista, mas de objeto de desejo — o que a coloca como ser passivo. Quando cantoras ganham destaque no gênero (como ocorre com Tati Quebra Barraco, Valesca Popozuda e outras MCs), elas de certa forma invertem os papeis e passam a expressar sua sexualidade de forma aberta e irreverente. Porém, Mariana questiona a forma como são recebidas pela sociedade, e se fazem mais que reafirmar esteriótipos machistas. As funkeiras subvertem ou seguem a lógica do mercado? Tais perguntas pretendem guiar o estudo.

Mariana quer quebrar esteriótipos — tanto os que dizem que as mulheres são apenas oprimidas no funk quanto os que as colocam como as novas feministas. É preciso compreender a fundo as questões envolvidas, deixando de lado o preconceito que considera que funk não é cultura, reconhecendo sua enorme importância no Rio de Janeiro, no Brasil e sua influência internacional.

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos

Leia Também:

13 comentários para "Mulheres no funk: poderosas ou dominadas?"

  1. Julio Alves disse:

    vi uma frase que descreve bem o sentimento de quem descrimina o funk: ''a casa grande pira quando dizem que a senzala é cultura''

    • frank disse:

      sinto muito, mas seu comentario é totalmente equivocado, estude a história da música e veja que 90% da boa musica, desde o blues, soul, jazz, rock e o funk de verdade (como james brown, tim maia) veio dos negros e das periferias e tem gente que vem com esse engodo que o funk carioca é a cultura e a voz das periferias…isso foi a pior coisa que veio das periferias em toda a história da música e querer eleger isso como símbolo cultural é uma maneira totalmente desonesta de denegrir o verdadeiro legado cultural que veio “da senzala”, como voce se referiu. O rap de verdade, como racionais, também tem muito conteudo, tem muito a dizer e valor cultural, funk é lixo.

  2. Cristiano Polêmico disse:

    Bem a cara dos dias de hoje: em vez de corrigir o erro, busca-se justifica-lo e vende-lo como o correto a se fazer.

  3. Flavia Damas disse:

    "Quadrado de oito lados…" por favor não pode ser cultura é burrice mesmo …

    • Marize Gomes disse:

      Que coisa horrível!!!

    • Roberto Aguiar disse:

      O funk ao qual você se refere, Flavia, diz, "faz quadradinho de oito", e ela não dá a entender que um quadrado tem oito lados. A questão é que "quadradinho" diz respeito aos movimentos do quadril, formando um quadrado; enquanto "de oito" está relacionado com o cruzamento das pernas durante o "quadradinho", como se fosse um oito. Enfim, é isso.

    • Flavia Damas disse:

      Huau! Obrigada. Realmente não sabia 🙂 Eu diria que o movimento do quadril, pra mim, me lembra um círculo…enfim, é o tipo de questão que não leva a nada e nem a lugar nenhum. Não quis ser rude. Só não curto esses quadrados de oito ou lek lek lek…

    • O funk é muito mais que isso: é a forma de expressão de uma juventude explorada e marginalizada pela vídia e pelo poder público. Não da pra ver o funk somente como "burrice" ou pornografia, o funk diverte, leva uma mensagem (em muitos casos) e dá voz à quem, muitas vezes, não tem.

  4. Suzana Lourenço disse:

    Adorei a ideia do estudo!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *