Abril Indígena termina com protestos e indefinições

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Depois de ocuparem plenário do Congresso, lideranças indígenas lançam nota lamentando alianças do governo federal com quem ameaça seus direitos. Mobilização prossegue

Por Bruna Bernacchio

“Não, não queremos mais falar com quem não resolve nada!”, gritam as lideranças indígenas, em carta à presidente. “Queríamos dizer o que nos angustia e preocupa; queríamos dizer isso para a presidente. Dilma está aliada de quem nos mata, rouba nossas terras, nos desrespeita e pouco se importa para o que diz a Constituição”.

Assinado como “Povos indígenas reunidos no Abril Indígena – 2013”, o documento reitera que há dois os signatários vão a Brasília reivindicar seus diretos, mas desde então são enrolados por todos com quem dialogam. E que semana passada foi a mesma coisa.

Em época de homenagem ao índio, cerca de 700 lideranças de diferentes tribos estiveram novamente na capital, exigindo desta vez com mais fúria o que lhes é de direito. Entraram sem autorização em plenário do Congresso, causando alvoroço. Negando-se a sair, conseguiram uma reunião com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, que no dia seguinte criou um grupo de trabalho para discutir assuntos relacionados à demarcação das terras indígenas.

Mais promessas e, ao final, apenas um encontro de fachada com alguns ministros foi feito — “para o governo ter a foto para suas propagandas de que é preocupado com as questões dos índios”, segundo o documento. Por isso, quem o redige reivindica que a presidente da República se posicione: “Quando Dilma não diz nada diante de tudo o que vem acontecendo – mortes, PEC 215, PL 1610 – e ainda baixa o decreto 7957/2013 e permite a AGU fazer a Portaria 303, mostra de que lado está e sua expressão anti-indígena”.

A situação é mais do que alarmante. A ameaça às terras indígenas já existe e pode se tornar ainda maior. Estudo feito pelo Instituto Socioambiental (ISA) mostra que na Amazônia, 152 terras de diferentes tribos — ou 37,6% de todo o território atribuído aos povos originários na região, podem ser destinados à exploração de minérios, caso alterada a legislação que protege as reservas.

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