Mídia, Poder, Dinheiro

O oligopólio da mídia tem as finanças globais e a indústria armamentista a seu favor. Nas disputas cruciais que crescerão após a quarentena – e que já começaram –, as ideias terão papel central. Nós contamos com a solidariedade dos leitores

Após a pandemia, nada será como antes: a frase tornou-se quase lugar-comum. Velhos dogmas ruíram: por exemplo, a ideia de que os Estados “só podem gastar o que arrecadam”. Mas, embora verdadeira, a sentença oculta outra realidade. Não sabemos ainda de que modo o mundo pós-covid-19 será diferente do atual. Haverá mais justiça social, democracia e igualdade? Ou sucumbiremos a uma nova temporada de “ajustes fiscais”, ataque aos serviços públicos e aos direitos sociais?

Nesta disputa, a informação de profundidade, a análise de contextos e a capacidade de construir narrativas serão cruciais: por isso, as mídias são tão decisivas. O capitalismo financeirizado já se deu conta disso – e assumiu o controle de quase todas as publicações que formam opinião, no Ocidente. Em 2015, um estudo da revista Business Insider identificou 28 corporações globais que, juntas, fazem a cabeça do Ocidente[1]. Elas abrangiam dois universos: por um lado, os conglomerados que dominam há décadas a mídia conservadora (Disney, Fox, Comcast, Time Warner, Globo; por outro, os afluentes da era da internet: Alphabet (a holding do Google), Facebook, Yahoo. Nestes dois grupos, a receita anual, apenas com publicidade, variava entre 60 bilhões de dólares e US$ 2,9 bi. Não é de espantar o alinhamento das publicações controladas por estes conglomerados em favor de uma ordem mundial em que seis bilionários concentram uma riqueza superior à de metade dos habitantes do planeta…

Significa que eles moldarão o mundo pós-pandemia? Outras Palavras está convencido de que ainda estão rolando os dados. A necessidade de concentrar tantos recursos, em favor de ideias que beneficiam a tão poucos, é também… um sinal de fraqueza. A crise civilizatória aprofunda-se. As maiorias aceitarão, depois da pandemia, uma nova rodada de ataques ao Comum e aos direitos sociais?

Nas disputas cruciais que crescerão após a quarentena – e que já começaram –, as ideias terão papel central. Há dez anos, Outras Palavras aposta em saídas que podem mostrar-se necessárias, nos próximos meses. Os novos mecanismos de redistribuição de riquezas – a Renda Básica da Cidadania, a Revolução dos Comuns, os Bancos Públicos – que tinham menos importância no passado. A reinvenção da democracia – inclusive em suas formas participativa e direta, além da representativa. A disputa pelo sentido das novas tecnologias. A superação do colonialismo e da noção segundo a qual o ser humano está apartado da natureza e deve dominá-la.

+ Em meio à crise civilizatória e à ameaça da extrema-direita, OUTRAS PALAVRAS sustenta que o pós-capitalismo é possível. Queremos sugerir alternativas ainda mais intensamente. Para isso, precisamos de recursos: a partir de 15 reais por mês você pode fazer parte de nossa rede. Veja como participar >>>

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Em meio à pandemia, as sociedades começam a despertar outra vez, em muitas partes do mundo – inclusive no Brasil. As favas não estão contadas. Seu gesto pode ser decisivo.

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