Estado Palestino: os detalhes do debate na ONU

Reconhecimento pleno agora é difícil, pois pode ser vetado pelos EUA no Conselho de Segurança. Mas Israel teme fórmula engenhosa, que permitirá a palestinos acionar Corte Penal Internacional

[Atualização: Num movimento surpreendente, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, anunciou na sexta-feira (16/9), que reivindicará o reconhecimento da independência de seu país, em primeiro lugar, junto ao próprio Conselho de Segurança da ONU. A intenção, que deverá ser formalizada em 23/9, colocará os Estados Unidos em situação delicada. Washington tem dirito a veto, mas exercê-lo poderá provocar desgaste ainda mais intenso no mundo árabe. Abbas deixou subentendido que, nesse caso, poderá recorrer à Assembleia Geral das Nações Unidas]

À medida que se aproxima o início (na próxima terça-feira, 20/9) de uma nova sessão  da Assembleia Geral da ONU, estão se tornando mais claros os contornos da resolução que poderá levar ao reconhecimento do Estado Palestino. Ontem, prosseguiram ontem, em Nova York, as reuniões de bastidores que podem definir a provável votação nos próximos dias.

O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, confirmou que reivindicará, em discurso previsto para a própria terça, o reconhecimento pleno do Estado. Tal hipótese, porém, parece no momento de difícil concretização. Este passo exige concordância do Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde cinco países têm direito de veto: Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França. Washington, que tem Israel como aliado estratégico no Oriente Médio e cuja política interna é fortemente suscetível a um poderoso lobby da direita israelense, já anunciou que vetará o reconhecimento integral.

Ainda assim, uma espécie de “Plano B” palestino está tirando o sono do governo israelense. Ele consiste em requerer, da própria Assembleia Geral, a condição de “Estado não-associado”. Uma resolução neste sentido não pode ser vetada pelo Conselho de Segurança. Se alçada a este status, a Palestina estará equiparada, por exemplo, ao Vaticano.

Além disso, conquistará o direito de participar de todas as Comissões e Convênios da ONU e — ainda mais importante — o de recorrer à Corte Penal Internacional (de Haia), que pode ser acionada apenas por Estados. A base para uma ação contra Israel está clara. Telaviv poderia ser acusada de crime de guerra, por establecer colônias no que será considerado, a partir de um provável voto favorável, território de outro Estado. O professor de Direito Internacional Youval Shany, ligado ao think-tank Israel Democracy Institute, favorável a uma nova relação entre seu país e os árabes, Shany explicou sem reservas o significado deste passo. Segundo ele, os governantes israelenses poderão ver-se isolados da comunidade internacional, “como um Muamar Gaddafi”, cuja ordem de captura foi emitida pela Corte Penal Internacional.

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6 comentários para "Estado Palestino: os detalhes do debate na ONU"

  1. Zenia Chaves disse:

    O medo de Israel é legítimo, afinal, quem mais do que ele ignorou as sanções da ONU, as leis internacionais, os princípios éticos e de respeito aos Direitos Humanos, agindo com truculencia, belicismo e arrogância frente aos palestinos encurralados e (quase) indefesos? É esse mesmo princípio que faz os EUA, seu padrinho político, financeiro e bélico, até hoje não reconhecerem o Tribunal Penal de Haia, ou seja, quem deve, teme!!!!!!!!!!
    Vida ao Estado Palestino, esperança ao povo palestino!

  2. ANTAR disse:

    muito bem colocada sua opinião, Zenia.
    Viva a PALESTINA……

  3. Ruy de Lima e Silva disse:

    Que tudo saia da melhor forma possível para o futuro Estado da Palestina que lhe foi ursupado pelos sionistas de 48, aliados aos imperialistas. Fora ianques desta região crítica da política internacional que há 63 anos, no mínimo, está sempre atrelada à cobiça e às arbitrariedades das potências imperialistas e promovendo ondas sucessivas de intranquilidade e temores para o resto da humanidade! Já infernizaram demais a vida dos próprios árabes e de toda esta Humanidade. A paz só será alcançada quando acabarem estes odiosos privilégios interessados que Israel recebe dos imperialistas e de seus financiadores, em detrimento da fraternidade pan-árabe.Nada tem a ver com o nobre e sofrido povo judeu,é claro,mas seus dirigentes genocidas (aprenderam direitinho com Herr Eichmann…) precisam finalmente sair de cena e serem responsabilizados devidamente.

  4. Joel de Sá disse:

    Não creio que o Estado Palestino seja raticado na reunião do dia 23/09. E num futuro próximo isso pode não contecer. Israel é um posto avançado dos EUA no Oriente Médio, por isso eles farão tudo para impedir que a Palestina adquira a independênia e fragilize os poderes de Israel e consequentemente do próprio EUA naquela região. O resultado será mais guerras, massacres israelenses.

  5. Sergio disse:

    Muito embora os governantes judeus não queiram que esta transparência se torne possível, há duas instâncias que precisam ser separadas: o povo judeu, fantástico povo com uma história e cultura valiosas, e o militarismo sionista, essencialmente fascista e opressor do povo palestino. Os judeus fanáticos e ortodoxos lutam para corromper uma Palestina livre , onde o povo palestino se mostra digno de uma maravilhosa consciência de sua identidade. Portanto, o problema não está entre judeus e palestinos, mas no governo de Israel, digno representante da opressão mais sórdida que se pode impor aos palestinos, muito embora o grupo da Al Fatah seja extremamente corrupto e desrespeitoso com a democracia palestina. Nossa luta deve ser dirigida contra os velhacos políticos e direitistas de Israel que jamais cumpriram um acordo existente para assegurar aos palestinos o direito à sua Nação. O sionismo , aliada ao capitalismo barbárico, continua a impedir uma Palestina unida.

  6. mizael dela penha disse:

    é feito com o povo Palestino o mesmo que foi feito com povo de ISRAEL durante a invasão ALEMA , israel aplica a mesma metodologioa com o povo palestino.

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